
A crise climática deflagrada pelo aquecimento global dos últimos anos só acentuou os problemas enfrentados pela maior parte dos países. No caso do Brasil, as comunidades mais carentes são as que sofrem com a falta de infraestrutura, que vão desde alagamentos até o acesso aos alimentos. Sim, pois as mudanças climáticas estão trazendo diversos desafios para as autoridades sanitárias. O que antes parecia uma questão local ampliou-se hoje para problemas relacionados aos impactos ambientais urbanos. Pesquisas já mostram que as cidades são responsáveis por mais de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), apesar de só ocuparem menos de 5% da superfície terrestre.

O professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, Antônio Mauro Saraiva, engenheiro da Escola Politécnica e coordenador da Rede Saúde Planetária Brasil, explica que a crise climática “só vem exacerbar problemas que já existiam, como ordenamento territorial, habitações em locais inadequados, falta de infraestrutura básica, e isso tudo com o regime climático vigente até o momento”. A situação se agrava porque são problemas sociais e econômicos importantes, com efeitos que passaram a ser mais extremos. Não existe uma única razão. A questão está ligada tanto a obras quanto à preservação ambiental. No caso de obras, esses eventos extremos ocorrem com uma frequência e intensidade ainda desconhecidos. “Fica difícil prever obras sem saber a intensidade do que vai acontecer”, explica. “Não sabemos o que será o novo normal climático, existe uma mudança em curso e estamos arriscados a ser surpreendidos por um evento de maior intensidade”, finaliza.
Bons exemplos
O coordenador da Rede Saúde Planetária Brasil do IEA-USP explica que a maioria dos países está correndo atrás de bons exemplos para preservar as cidades e conter a crise climática. “Há vários exemplos pelas cidades pelo mundo com implementações diferentes, dependendo das necessidades e das características. Por exemplo, nós temos Singapura com conceito de cidade jardim, com telhados verdes, corredores ecológicos, fachadas verticais. Paris tem o programa Oásis Escolar, em que parte de escola apresenta mais áreas verdes, mais permeáveis para diminuir a ilha de calor. Nova York, depois do furacão Sandy, construiu barreiras naturais para fortalecer sua infraestrutura costeira, para resistir a tempestades e enchentes. Tóquio criou um mega tanque de drenagem subterrânea para reduzir inundações extremas, quando tem essas chuvas mais intensas”. Já São Paulo tem-se valido dos piscinões, mas que deveriam ser mais utilizáveis fora das cheias.”
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