“O Carnaval é uma espécie de celebração de um outro tipo de relação dos moradores com a cidade, que não é a cidade como espaço de circulação – casa, trabalho, consumo – e, sim, a cidade como um espaço de expressão dos desejos, da alegria; e muito interessante que é a cidade apropriada, mas também uma festa que é produzida, pensada e organizada pelos próprios moradores.” Assim a professora Raquel Rolnik dá início a esta edição de sua coluna, cujo tema é o da festa de Momo em São Paulo, mas também em Belo Horizonte, cidades que transformaram o que já foi o Carnaval nessas localidades. Ela observa, porém, que nem sempre a relação entre o Carnaval e o poder público foi das mais harmoniosas. Apenas na gestão do ex-prefeito Faria Lima, nos anos 60, é que a festa na Capital passou a ser organizada e regulada pelo poder público. “A partir dali, ela vai enquadrar esse Carnaval para dentro de um desfile organizado e estruturado e, portanto, o próprio Carnaval espontâneo, de rua, das pessoas, foi desaparecendo, só que tem uma retomada retumbante agora, no início do século 21.”
A colunista observa, contudo, a existência de uma contradição, uma vez que na medida em que se transforma num evento de grandes proporções, “vai virando também um enorme negócio e essa tensão entre uma festa autogerida, uma expressão espontânea dos moradores e alguma coisa estruturada para negócios também vai, de certa maneira, questionando e transformando a própria festa”. Por outro lado, diz ela, essa é uma tendência que não tem mais volta.
Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
.



























