Exercícios físicos ajudam no controle da pressão arterial, mostra pesquisa

Segundo Lisete Compagno Michelini, o estudo feito em animais permitiu entender a relação entre os exercícios físicos e a barreira hematoencefálica

 12/03/2025 - Publicado há 1 ano
Medição de pressão arterial por meio de equipamento específico, colocado em um dos braços, realizada pelo próprio paciente, que controla o aparelho com uma das mãos e segura o medidor com a outra.
Independentemente do tipo de hipertensão, primária ou secundária, os exercícios ajudam a reduzir as lesões e riscos – Foto: Freepik
Logo da Rádio USP

Em trabalho premiado, desenvolvido no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, sobre os benefícios de exercícios físicos, principalmente para hipertensos, pesquisadores desvendaram novos mecanismos que fortalecem a região cerebral e reduzem a inflamação. A professora Lisete Compagno Michelini, responsável pelo projeto, destaca: “O exercício físico melhora muito o controle da pressão arterial e reduz a lesão de órgãos alvos que pode acontecer na hipertensão”.

Ela explica que a ideia do estudo surgiu ao observarem um trabalho antigo realizado em animais hipertensos, quando se observou que apresentavam uma disfunção na barreira hematoencefálica. Então os pesquisadores iniciaram testes em animais hipertensos; alguns deveriam ter um treinamento aeróbio de moderada intensidade, que equivale para o homem a três, quatro meses de treinamento de baixa intensidade aeróbio, enquanto outros não fizeram qualquer esforço físico.

Mulher branca, meia idade, de óculos, cabelos castanhos, sorrindo para a câmera
Lisete Compagno Michelini – Foto: Arquivo pessoal

Barreira hematoencefálica

Lisete contou que, após esse período de treino, foi testado o funcionamento da barreira hematoencefálica. “Para nossa surpresa, os animais hipertensos que não treinaram apresentavam essa disfunção importante na barreira, já os animais que treinaram tiveram uma reversão completa desse funcionamento.” Então, após esses testes, foi possível entender a função da barreira hematoencefálica de limitar a passagem de agentes nocivos, como bactérias e vírus, mas permitir a livre passagem de glicose, outros produtos de nutrição, oxigênio e CO2, que são fundamentais para a manutenção do nosso organismo e respiração de células do cérebro.

Lisete acrescenta que, independentemente do tipo de hipertensão, primária ou secundária, os exercícios ajudam a reduzir as lesões e riscos. “Eles protegiam os efeitos finais que a hipertensão pode causar. Então, mostrando que o exercício realmente é muito importante no tratamento da hipertensão, seja ela de origem primária, seja ela de origem secundária.” Ela ainda explica que a ajuda de remédios prescritos por médicos combinada à prática de exercícios prescritos por um professor de educação física se torna a melhor forma de tratamento contra a hipertensão.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.