As mulheres são as mais afetadas no contexto de agravamento das crises mundiais

Na coluna desta semana, Pedro Dallari aborda, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher, a questão da igualdade de gênero e dos direitos humanos

 12/03/2025 - Publicado há 1 ano
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Na coluna desta semana, veiculada no dia 12 de março, Pedro Dallari aborda, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher, a questão da igualdade de gênero e dos direitos humanos, destacando a situação atual das mulheres no contexto de agravamento das crises mundiais.

“A Organização das Nações Unidas e muitas outras entidades internacionais incorporaram a temática da igualdade de gênero na sua agenda de atividades. E, se nós compararmos o cenário de 50 a 60 anos para cá, houve muita evolução. Posso mencionar, por exemplo, que, ao final da Segunda Guerra, as mulheres não votavam na Bélgica e na Itália. Não estou falando do Oriente Médio, eu falo de países que hoje são considerados muito desenvolvidos sobre esse aspecto de igualdade de direitos e veja que, em pouco tempo, isso foi feito. Então, houve uma evolução indiscutível, mesmo no Brasil. Mas o fato é que ainda há muito por fazer e a preocupação dessas organizações internacionais e da sociedade, de maneira geral, é que, em contextos de crise global, a sociedade é toda afetada e as mulheres, pela sua condição de vulnerabilidade, são as mais afetadas”, considera o professor.

Dallari explica que, “na guerra, a maior parte dos combatentes são homens e recai sobre as mulheres toda a responsabilidade por preservar minimamente as condições da família, de seu núcleo social. Outra grave crise do nosso tempo, o aquecimento climático, gera uma dificuldade muito grande para o acesso à água. E, em grandes partes do planeta, a tarefa de buscar água todos os dias recai sobre as mulheres”.

No âmbito da Universidade, o professor afirma que a temática da igualdade de gênero se incorporou aos estudos acadêmicos. Na USP, isso se dá em diversas Unidades de Ensino e Pesquisa, que se debruçam sobre esse tema. “Isso é, de certa maneira, consequência e causa, inclusive, de uma participação cada vez mais efetiva das mulheres na vida da Universidade.”

Dallari cita como exemplo a Cátedra José Bonifácio, que tem atualmente como catedrática a ex-ministra da Justiça da França, Christiane Taubira. A mesma Cátedra teve, há dois anos, a ex-ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, como titular. Susana coordenou uma pesquisa sobre a perspectiva feminista para uma nova governança global. “Eu me recordo da contribuição da ex-diretora geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, que fez um belo artigo para o livro coordenado por Susana, em que mostra que, apesar dos avanços na educação e da educação das mulheres, ainda reside a extrema exclusão das meninas pobres nas áreas rurais dos países mais pobres e isto é que está sendo agravado com as crises do nosso País. É um tema muito importante, que merece a reflexão neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher”, avalia.

Globalização e Cidadania

Com o Prof. Pedro Dallari

A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


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