Enchentes rigorosas nos Estados de Pernambuco e Paraíba deixaram oito mortos e milhares de desalojados, uma situação que tem se tornado recorrente e que possivelmente deverá se repetir no futuro, principalmente porque as medidas preventivas sempre ficam para trás, como admite a professora, arquiteta e urbanista Raquel Rolnik em sua coluna desta semana. Ela cita uma reportagem segundo a qual, entre 2012 e 2026, o governo federal gastou mais de R$ 24 bilhões em resposta a situações desse tipo naqueles Estados do Nordeste e apenas R$ 9 bilhões em obras de investimentos em prevenção.
“A questão fundamental é que o maior desafio é rever as formas de uso e ocupação do solo, e o problema é que, para rever a forma de uso e ocupação do solo, a gente tem que enfrentar aquilo que não quer ser enfrentado, que é o fato de que a forma de uso e ocupação do solo dominante e hegemônica é aquela que propiciará mais rendimentos para os investimentos, maiores lucros. Se a gente não reverter essa lógica, muito dificilmente vamos conseguir ter efetivamente uma estratégia de prevenção”, afirma ela, “porque estratégia de prevenção não é apenas fazer uma obra aqui, uma obra ali, uma contenção de encosta ali, uma recondução de um canal aqui, é muito mais. É repensar a própria forma de ocupação dessas cidades e desses assentamentos em relação às áreas naturais e, sobretudo, garantindo que haverá lugar para todos se instalarem nas cidades, não obrigando que as pessoas tenham que se instalar em áreas sujeitas a escorregamentos e remoções cada vez mais violentas”.
Cidade para Todos
Com a Profª. Raquel Rolnik
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.



























