Exercício ao ar livre ganha força e faz de parques espaços de saúde e convivência

Mesmo com a popularização dos exercícios ao ar livre, especialistas alertam para a importância de orientação adequada, principalmente quando a prática envolve movimentos mais complexos

 20/03/2026 - Publicado há 3 meses
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Quatro pessoas fazem alongamento em um parque em um dia ensolaradoÀ esquerda, em primeiro plano, um homem de cabelo grisalho veste jaqueta esportiva verde e calça preta. Ele está de lado e segura um dos pés atrás do corpo, alongando a perna. À frente dele, sobre a grama, outras três pessoas realizam o mesmo movimento. Um homem mais velho com cabelo grisalho e barba usa casaco escuro e shorts pretos. Ao lado dele, uma mulher de cabelo curto veste camiseta clara e legging rosa. Mais à direita, outra mulher com cabelo preso e óculos escuros usa blusa preta e calça cinza O grupo está em uma área verde com árvores e gramado. Ao fundo aparece uma ponte metálica e construções da cidade, indicando que o parque fica em área urbana
Prática de atividades físicas em espaços abertos tem atraído cada vez mais pessoas para parques e áreas verdes – Foto: Freepik
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A prática de atividades físicas em ambientes abertos, como parques e praças, tem se tornado cada vez mais comum nas cidades. Caminhadas, corridas, aulas coletivas e treinos ao ar livre atraem pessoas que buscam uma forma mais prazerosa e flexível de se exercitar, além do contato com a natureza e da possibilidade de interação social.

Segundo o professor Átila Alexandre Trapé, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, esse crescimento está ligado à busca por atividades que tragam mais bem-estar e conforto. Para ele, muitas pessoas encontram nesses espaços um estímulo maior para manter a prática. “Muitas pessoas vão se sentir mais confortáveis e mais motivadas para realizar a prática nesses ambientes abertos, com a possibilidade de interagir com outras pessoas e estar em contato com a natureza”, afirma.

Ele tem cabelo curto escuro e barba cheia bem aparada. Está olhando diretamente para a câmera e usa uma camisa polo escuraO fundo da imagem está desfocado e mostra árvores de um lado e um prédio com janelas e paredes em tons claros do outro, indicando que a foto foi feita em uma área externa próxima a construções e vegetação
Átila Trapé – Foto: Acervo pessoal

Mesmo com o aumento dessa tendência, Trapé destaca que as preferências variam entre os praticantes. “Algumas pessoas vão preferir ambientes fechados, climatizados, com horários definidos. Outras se beneficiam mais de uma prática mais livre, com maior flexibilidade”, explica. Para o professor, o mais importante é que cada pessoa encontre o ambiente em que se sente melhor, o que ajuda a manter a regularidade na prática.

Nesse processo, a motivação tem papel fundamental. Trapé explica que estudos da chamada teoria da autodeterminação, aplicada também à atividade física, mostram que três necessidades psicológicas básicas influenciam o engajamento: autonomia, competência e relacionamento. “Quando essas necessidades são atendidas, aumenta a chance de a pessoa desenvolver uma motivação intrínseca, ou seja, praticar a atividade porque gosta”, diz.

A possibilidade de se exercitar em ambientes abertos também contribui para fortalecer as relações sociais. Para o professor, esse aspecto é especialmente relevante em um contexto em que as interações presenciais têm diminuído. “A tecnologia trouxe muitos benefícios, mas também tem provocado um certo distanciamento social. Atividades ao ar livre criam oportunidades para que as pessoas estejam juntas, conversem e compartilhem experiências”, afirma.

Trapé também aponta que o cenário pós-pandemia ajudou a impulsionar esse movimento. “Muitas pessoas passaram mais tempo dentro de casa, principalmente com o crescimento do home office. A prática ao ar livre surge como uma possibilidade de equilibrar essa rotina, permitindo contato com outras pessoas e com a natureza”, explica.

Apesar dos benefícios, a ampliação dessas práticas também depende da oferta de espaços públicos adequados. Segundo o professor, um dos principais desafios é a distribuição desses locais nas cidades. “Os parques e praças muitas vezes estão concentrados em regiões específicas. Isso faz com que grande parte da população tenha dificuldade de acesso”, afirma Trapé. Ele cita como exemplo mudanças recentes no ambiente urbano que incentivam a prática de atividades físicas, como ciclovias e revitalizações de parques.

Entre os locais mais frequentados em Ribeirão Preto, estão parques como Curupira, Raya e Parque das Artes. No entanto, o professor ressalta que muitos desses espaços estão em regiões mais valorizadas da cidade. “É importante pensar em políticas públicas que ampliem o acesso e promovam mais equidade”, afirma.

Ele tem cabelo crespo volumoso em formato arredondado, bigode e um pequeno cavanhaque. Está olhando diretamente para a câmera e sorriVeste uma regata de cor vinho e um colar de corrente fina. O fundo mostra um espaço interno com paredes em tons neutros, iluminação no teto e alguns equipamentos ao lado, sugerindo um ambiente como academia ou área de treino
Gustavo Sant’Anna – Foto: Acervo pessoal

Além dos espaços públicos, projetos independentes também têm incentivado a prática de exercícios fora das academias. O treinador e profissional de educação física Gustavo Sant’Anna Fernandes de Oliveira é um dos criadores do projeto Zona Forte, juntamente com João Victor Neves, Lucas Fernandes e Malcon Rodriguês. Eles promovem treinos coletivos em parques e praças.

Segundo Oliveira, a iniciativa surgiu de uma experiência simples. “O projeto nasceu praticamente de uma corrida no parque. Fomos treinar e percebemos que há muitas pessoas treinando sozinhas, sem direção e sem pertencimento”, conta. A partir dessa observação, o grupo decidiu criar treinos abertos que incentivam tanto a prática física quanto a convivência entre os participantes. “A ideia foi trazer as pessoas para um ambiente aberto, com mais luz, mais interação e essa sensação de comunidade”, explica.

O projeto também busca alcançar pessoas que não se identificam com academias tradicionais. “Muita gente não gosta do ambiente da academia ou não consegue manter frequência por questões financeiras. Então pensamos em um formato mais acessível, em que todos possam participar”, afirma.

Ele destaca que os encontros reúnem perfis variados de participantes. “A gente encontra todo tipo de pessoa: desde quem já treina até quem está começando. A ideia é que um ajude o outro e todos se sintam parte daquele grupo”, diz.

Além dos benefícios físicos, a iniciativa também busca contribuir para a saúde mental. Segundo o treinador, a prática coletiva pode ajudar pessoas que enfrentam estresse ou dificuldades emocionais. “Hoje vivemos em uma época em que as pessoas se comparam muito e isso afeta o emocional. A atividade física em grupo pode ajudar a criar vínculos, amizades e melhorar o bem-estar”, afirma.

Orientação profissional

Mesmo com a popularização dos exercícios ao ar livre, especialistas alertam para a importância de orientação adequada, principalmente quando a prática envolve movimentos mais complexos.

Trapé explica que, sempre que possível, o ideal é contar com acompanhamento profissional. “O melhor cenário é realizar a prática de forma supervisionada por um profissional de educação física, que consegue orientar e garantir que os exercícios sejam feitos de forma segura”, afirma.

Quando não há acesso a essa supervisão, ele recomenda buscar orientações confiáveis. “Algumas atividades, como meditação, podem ser realizadas com auxílio de aplicativos ou orientações on-line. Mas, quando envolve exercícios físicos, é importante ter pelo menos alguma orientação profissional para evitar lesões”, alerta.

Para o professor, o principal objetivo é incentivar a prática regular. “O mais importante é que as pessoas encontrem uma atividade que gostem e consigam manter ao longo do tempo. A continuidade é o que realmente traz benefícios para a saúde”, conclui.

*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares


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