Escalada de conflitos e corrida armamentista colocam o mundo em encruzilhada

Crescimento de conflitos e aumento dos gastos militares ameaçam recursos destinados à saúde, educação e ciência, colocando em risco conquistas sociais das últimas décadas

 18/02/2026 - Publicado há 5 meses

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“Vivemos hoje um agravamento de conflitos que poderiam ser localizados, mas foram sendo radicalizados e ameaçam o mundo”, afirma Renato Janine Ribeiro na abertura de sua coluna quinzenal para a Rádio USP e o Jornal da USP. Como exemplos, ele cita a guerra entre Rússia e Ucrânia – “que pode crescer, até porque Putin já ameaçou usar bombas nucleares táticas” -, o conflito entre palestinos e israelenses, que sempre pode se espalhar para países vizinhos, e a guerra civil no Sudão do Sul, também com possibilidades de se estender, além de outros conflitos na África. Ele observa ainda que, no momento, apenas a Europa e a América Latina respiram ares mais pacíficos. No entanto, a preocupação de Janine é a de que os conflitos podem crescer.

“E se esses dois antagonistas – às vezes aliados, às vezes amigos -, que são Trump e Putin decidirem superar todos os limites e entrar em guerra ou pelo menos espraiar suas invasões a outros lugares? O ataque dos Estados Unidos a Caracas, por exemplo, prendendo Maduro, é uma coisa muito chocante, embora tenha sido bastante aceito, acatado e de certa forma até admirado pela Europa […] e se Trump decidir repetir a dose com Irã e com Cuba? Ele pode fazer isso, pode talvez até ter êxito, mais no caso de Cuba, que é pequena, que está do lado dos Estados Unidos, que tem uma população relativamente baixa, mas que desdobramentos isso tudo pode trazer? Existe algo que é muito importante, que é um certo comedimento.
É importante ser comedido, é importante não levar as vantagens que você tem até o limite, e o que é espantoso, nesses dois líderes, é que tanto o Putin quanto o Trump não têm essa virtude do cuidado, do comedimento, de achar que tem que reconhecer limites e que suas ambições não podem ser ilimitadas.”

“Isso traz resultados muito ruins também”, prossegue Janine, “como, por exemplo, atualmente, o fato de que a maior parte dos países da União Europeia está cogitando, de alguma forma, tirar dinheiro de programas sociais, porque é disso que se trata, e colocar no armamento. Isso é péssimo. É péssimo porque a indústria armamentista acaba querendo que as armas sejam usadas mesmo, quer dizer, você não compra armas para só guardá-las, você tem o risco de utilizá-las numa nova guerra, sem contar que a questão da pobreza está ficando aguda no mundo inteiro e, então, tirar dinheiro de programas sociais para colocar em armas é extremamente prejudicial. Tudo que foi conquistado de bom nas últimas décadas, ou no último século, se deveu a investimentos sociais intensos, melhorar a educação, melhorar saúde pública, dobrar a expectativa de vida, investir pesadamente em ciência, que traz um retorno gigantesco. Tudo isso pede dinheiro. Quando o dinheiro vai para armamento, o dinheiro está sendo tirado disso tudo que é o que pode melhorar mais a condição humana”.

Ética e Política

Com o Prof. Renato Janine Ribeiro

A coluna Ética e Política, com o professor Renato Janine Ribeiro, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


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