
Em sua primeira coluna do ano, Carlos Eduardo Lins da Silva comenta a respeito de como a geração mais jovem consome e se relaciona com as notícias. Uma pesquisa recente (intitulada As Notícias da Próxima Geração), feita pela Northwestern University, entrevistou 5 mil adultos entre 18 anos e 100 anos de cinco países do mundo, entre eles o Brasil. A conclusão é a de que, para os jovens, a notícia atualmente tem que ser entretenimento e não ficção, ou seja, eles esperam uma coisa que entretenha”, o que é muito típico, me parece, do comportamento dos mais jovens em relação à vida, inclusive, não apenas em relação às notícias […] O Brasil é o único em que a porcentagem de pessoas com mais idade, entre mais de 50 anos, que disseram que se informam pelo menos de vez em quando pela inteligência artificial é superior ao dos mais jovens. Em todos os outros países os mais jovens são os que dizem que mais se informam com a inteligência artificial.
“Em geral, as pessoas com mais idade, principalmente as com mais de 50 anos, têm um pouco de receio, de preconceito, em relação à inteligência artificial e preferem se informar pelos meios mais tradicionais.”
“Em geral, as pessoas com mais idade, principalmente as com mais de 50 anos, têm um pouco de receio, de preconceito, em relação à inteligência artificial e preferem se informar pelos meios mais tradicionais.”
A pesquisa também mostrou que essa busca por entretenimento faz com que o modelo tradicional de jornalismo da pirâmide invertida não funcione tão bem para o público mais jovem. “Eu acho que isso vai exigir uma adaptação da parte dos jornalistas. A pirâmide invertida, há pelo menos 100 anos, tem sido a fórmula utilizada pelos veículos jornalísticos como a mais eficaz. Em minha opinião, ela é a mais eficaz […] É conhecido o fato de que essa fórmula foi inventada porque as agências de notícias que mandavam as suas matérias para todos os jornais, primeiro dos Estados Unidos, depois do mundo, facilitavam assim o trabalho dos editores. Aqueles que se interessavam mais pelo assunto podiam publicar a matéria inteira. Os que se interessavam menos podiam ir cortando pelo pé e isso facilitava o trabalho da edição. O que essa pesquisa demonstra é que os mais jovens acham que isso é pouco criativo, é inflexível, é chato e não tem proximidade com os interesses deles. E aí os pesquisadores falam de algumas outras fórmulas que os mais jovens parecem querer obter dos jornais, do jornalismo. Uma é mostrar o problema, depois mostrar uma tensão como se fosse uma espécie de um filme mesmo e depois a solução do problema […] Talvez seja necessário um esforço da parte dos profissionais de jornalismo tentar se aproximar mais da maneira como os jovens gostariam de ver a informação”, especula o colunista.
Horizontes do Jornalismo
Com o Prof. Carlos Eduardo Lins da Silva
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


























