Na coluna desta semana, o professor Glauco Arbix comenta sobre o aumento da expectativa de que a a inteligência artificial seja uma aliada no aprendizado e no cotidiano à medida em que ela avança. No entanto, estudos recentes indicam que o uso excessivo dessas tecnologias pode trazer mais riscos do que benefícios — especialmente entre os jovens. Pesquisas do MIT e da OpenAI mostraram que estudantes que dependem de ferramentas como o ChatGPT tendem a apresentar menor atividade cerebral, como se relaxassem cognitivamente diante da máquina. Outro dado preocupante é o aumento da solidão entre usuários frequentes de chatbots, que inicialmente parecem oferecer companhia, mas com o tempo deixam um vazio ainda maior.
Esses resultados não são definitivos — a IA generativa é uma tecnologia nova, e ainda estamos longe de entender completamente seus impactos na cognição, na memória ou na criatividade. No entanto, Arbix destaca que os sinais de alerta já são claros: não podemos tratar a IA como uma substituta da mente humana, nem como conselheira emocional ou substituta de vínculos sociais. Especialistas defendem que, enquanto essas ferramentas não amadurecem, seu uso deve ser cercado de precaução, especialmente entre adolescentes. A sociedade não pode repetir os erros cometidos com as redes sociais, quando os riscos foram ignorados até que os danos se tornassem visíveis demais para serem negados.
A inteligência artificial pode ser útil — desde que esteja a serviço do ser humano, e não o contrário. É preciso senso crítico, supervisão e, sobretudo, a consciência de que o ChatGPT é um robô. Não é um amigo, nem um professor, e muito menos um substituto para o esforço intelectual. Usá-lo com responsabilidade é, mais do que nunca, uma necessidade.
Observatório da Inovação
Com o Prof. Glauco Arbix
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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