
Em seminário realizado no dia 15 de abril, a USP promoveu um debate sobre as políticas institucionais de pós-graduação voltadas ao fortalecimento da educação básica no Estado. A proposta é subsidiar futuras ações da Universidade para maior integração entre a formação acadêmica de alto nível e a melhoria da qualidade da educação básica no Estado de São Paulo. O evento ocorreu na sala do Conselho Universitário, na Cidade Universitária, e reuniu membros de instituições de ensino, agências de fomento e Secretarias do Brasil e do exterior.
Promovido pela Cátedra Paschoal Senise, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG), em parceria com as Cátedras Alfredo Bosi, Sérgio Henrique Ferreira e Ayrton Senna, do Instituto de Estudos Avançados (IEA), o seminário foi estruturado em quatro mesas temáticas. As discussões abordaram desde a formação continuada de professores e gestores escolares até propostas para novos formatos de cursos de pós-graduação com foco na educação básica.
O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, e a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda abriram o evento com os pró-reitores de Pós-Graduação, Rodrigo Calado, e de Graduação, Aluísio Segurado.
“Quando conversamos com nossos professores, em todas as áreas do conhecimento, é muito comum escutarmos que eles gostariam de ter um aluno entrando na universidade mais preparado do que ele tem entrado. Isso vale não só para o ensino público, mas igualmente para o ensino privado, onde também existe uma deficiência. Nós temos promovido alguns cursos e atividades dentro da Universidade para compensar esses gaps, pois sabemos que a melhor solução não é apenas reclamar, mas sim intervir e promover ações para que isso seja modificado. É nesse contexto que temos trabalhado nas nossas Cátedras e também dentro da pós-graduação nessa relação com o ensino fundamental, pois nosso objetivo é aumentar essa aproximação para que possamos colaborar para que tenhamos um ensino melhor no Estado de São Paulo e, no futuro, também receber nossos alunos mais bem preparados”, afirmou o reitor, em sua fala de abertura.

Também participaram da mesa a diretora do IEA, Roseli de Deus Lopes; a coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação Paulo Renato Costa Souza (Efape), Daniela Tessele Giacomo; a secretária-executiva pedagógica do Município de São Paulo, Maria Sílvia Bacila; e o titular da Cátedra Paschoal Senise, Luiz Roberto Liza Curi.
Para Roseli, a educação precisa ser priorizada por ser um ponto central do desenvolvimento social. “Trata-se de um momento extremamente importante para unir forças em uma questão das mais relevantes da atualidade. Se não formos capazes de resolver as questões da educação básica, o Brasil não poderá prosperar. O País avançou colocando as crianças dentro das escolas, mas precisa melhorar a questão da qualidade e da equidade. Sem melhorar a educação, não conseguiremos melhorar nenhum outro setor”, frisou, lembrando que “o IEA tem três Cátedras com foco na educação básica, além de outras iniciativas, pois é um problema de grande complexidade e importância. Elas vêm trabalhando para reunir conhecimento de ponta e construir caminhos para avançar”.

A primeira mesa debateu os desafios e perspectivas da formação continuada de professores. Participaram da discussão representantes de instituições como o Instituto Todos pela Educação, a Universidade Diego Portales, do Chile, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Itaú, com mediação de Rodrigo Calado.
Em seguida, a segunda mesa focou na formação de gestores escolares, com ênfase nas dimensões do ambiente escolar. O painel contou com debatedores da USP, do Instituto Unibanco, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A mediação foi feita por Maria Helena Guimarães de Castro, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna.
No período da tarde, a terceira mesa trouxe propostas de novos formatos de cursos de pós-graduação da USP voltados para as demandas da educação básica. Foram apresentadas iniciativas relacionadas aos mestrados profissionais e articulações com programas da Capes. A mediação foi conduzida por Luiz Roberto Liza Curi, titular da Cátedra Paschoal Senise.
Já a quarta mesa reuniu os titulares das Cátedras organizadoras para uma síntese das propostas discutidas ao longo do dia, com foco na formulação de ações e projetos que possam ser apresentados para a PRPG ou para implementação como políticas públicas.

Encerrando o seminário, o secretário da Educação do Estado de São Paulo, Renato Feder, falou a respeito dos desafios atuais da educação básica no Estado de São Paulo e agradeceu à USP, ressaltando a forte parceria e o papel dessa colaboração para a superação de obstáculos, citando, em especial, a formação de professores e o acesso ao ensino superior de ponta via Provão Paulista. “Posso afirmar que, se não fosse a USP, não teríamos Provão Paulista. E se não fosse o Provão Paulista, a situação do Ensino Médio estaria muito pior, pois uma das nossas mais árduas missões é a manutenção do estímulo para que os alunos queiram continuar estudando, e a perspectiva real de vagas na universidade que o Provão Paulista proporcionou foi realmente transformadora, mudando completamente o cenário. Hoje, 80% dos estudantes desejam continuar estudando após o Ensino Médio, um índice muito superior ao de alguns anos atrás”, afirmou. “A USP nunca foi tão parceira da Secretaria. Esta universidade é uma potência e nós precisamos de vocês trabalhando conosco para que sigamos efetivando aperfeiçoamentos relevantes nas nossas escolas”, finalizou o secretário.
Assista, a seguir, à íntegra do evento:

























