Seminário discute papel da pós-graduação na melhoria da educação básica 

Evento com especialistas e gestores públicos reuniu instituições de ensino, agências de fomento e Secretarias para debater propostas integradas entre pós-graduação e educação básica no Estado de São Paulo

 16/04/2025 - Publicado há 1 ano     Atualizado: 23/04/2025 às 16:25
Por
Auditório cheio de pessoas visto de trás, e à frente uma mesa com diversas pessoas e, projetado na parede, vemos parte do brasão da USP
O seminário Políticas Institucionais de Pós-Graduação Voltadas ao Incremento da Educação Básica no Estado de São Paulo foi realizado na sala do Conselho Universitário e reuniu representantes de Cátedras do IEA voltadas ao assunto, especialistas e membros de Secretarias de Educação – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em seminário realizado no dia 15 de abril, a USP promoveu um debate sobre as políticas institucionais de pós-graduação voltadas ao fortalecimento da educação básica no Estado. A proposta é subsidiar futuras ações da Universidade para maior integração entre a formação acadêmica de alto nível e a melhoria da qualidade da educação básica no Estado de São Paulo. O evento ocorreu na sala do Conselho Universitário, na Cidade Universitária, e reuniu membros de instituições de ensino, agências de fomento e Secretarias do Brasil e do exterior.

Promovido pela Cátedra Paschoal Senise, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG), em parceria com as Cátedras Alfredo Bosi, Sérgio Henrique Ferreira e Ayrton Senna, do Instituto de Estudos Avançados (IEA), o seminário foi estruturado em quatro mesas temáticas. As discussões abordaram desde a formação continuada de professores e gestores escolares até propostas para novos formatos de cursos de pós-graduação com foco na educação básica.

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, e a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda abriram o evento com os pró-reitores de Pós-Graduação, Rodrigo Calado, e de Graduação, Aluísio Segurado. 

“Quando conversamos com nossos professores, em todas as áreas do conhecimento, é muito comum escutarmos que eles gostariam de ter um aluno entrando na universidade mais preparado do que ele tem entrado. Isso vale não só para o ensino público, mas igualmente para o ensino privado, onde também existe uma deficiência. Nós temos promovido alguns cursos e atividades dentro da Universidade para compensar esses gaps, pois sabemos que a melhor solução não é apenas reclamar, mas sim intervir e promover ações para que isso seja modificado. É nesse contexto que temos trabalhado nas nossas Cátedras e também dentro da pós-graduação nessa relação com o ensino fundamental, pois nosso objetivo é aumentar essa aproximação para que possamos colaborar para que tenhamos um ensino melhor no Estado de São Paulo e, no futuro, também receber nossos alunos mais bem preparados”, afirmou o reitor, em sua fala de abertura. 

Homem de terno fala ao microfone, ao lado de duas mulheres que estão na mesma mesa
Segundo o reitor da USP, muitos professores sentem que os alunos chegam pouco preparados à Universidade e, para enfrentar este desafio, têm promovido cursos e atividades visando atuar de forma propositiva para reduzir deficiências. Ele ressaltou que esse esforço também ocorre por meio das Cátedras do IEA e das ações da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, com foco em estreitar a relação com o ensino fundamental e contribuir para a melhoria da educação no Estado de São Paulo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Também participaram da mesa a diretora do IEA, Roseli de Deus Lopes; a coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação Paulo Renato Costa Souza (Efape), Daniela Tessele Giacomo; a secretária-executiva pedagógica do Município de São Paulo, Maria Sílvia Bacila; e o titular da Cátedra Paschoal Senise, Luiz Roberto Liza Curi. 

Para Roseli, a educação precisa ser priorizada por ser um ponto central do desenvolvimento social. “Trata-se de um momento extremamente importante para unir forças em uma questão das mais relevantes da atualidade. Se não formos capazes de resolver as questões da educação básica, o Brasil não poderá prosperar. O País avançou colocando as crianças dentro das escolas, mas precisa melhorar a questão da qualidade e da equidade. Sem melhorar a educação, não conseguiremos melhorar nenhum outro setor”, frisou, lembrando que “o IEA tem três Cátedras com foco na educação básica, além de outras iniciativas, pois é um problema de grande complexidade e importância. Elas vêm trabalhando para reunir conhecimento de ponta e construir caminhos para avançar”. 

Mulher branca de óculos fala ao microfone
A diretora do IEA destacou a importância de priorizar a educação para o desenvolvimento social. Para ela, apesar dos avanços no acesso escolar, é preciso enfrentar os desafios da qualidade e equidade. Ressaltou ainda o trabalho do IEA, que mantém três Cátedras voltadas à educação básica, além de outras iniciativas, visando reunir conhecimento e a construir soluções para a área – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A primeira mesa debateu os desafios e perspectivas da formação continuada de professores. Participaram da discussão representantes de instituições como o Instituto Todos pela Educação, a Universidade Diego Portales, do Chile, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Itaú, com mediação de Rodrigo Calado.

Em seguida, a segunda mesa focou na formação de gestores escolares, com ênfase nas dimensões do ambiente escolar. O painel contou com debatedores da USP, do Instituto Unibanco, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A mediação foi feita por Maria Helena Guimarães de Castro, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna.

No período da tarde, a terceira mesa trouxe propostas de novos formatos de cursos de pós-graduação da USP voltados para as demandas da educação básica. Foram apresentadas iniciativas relacionadas aos mestrados profissionais e articulações com programas da Capes. A mediação foi conduzida por Luiz Roberto Liza Curi, titular da Cátedra Paschoal Senise.

Já a quarta mesa reuniu os titulares das Cátedras organizadoras para uma síntese das propostas discutidas ao longo do dia, com foco na formulação de ações e projetos que possam ser apresentados para a PRPG ou para implementação como políticas públicas.

Homem fala ao microfone, ao lado de outro homem. Ambos de camisa e paletó.
“A USP nunca foi tão parceira da Secretaria. Esta universidade é uma potência e nós precisamos de vocês trabalhando conosco para que sigamos efetivando aperfeiçoamentos relevantes nas nossas escolas”, afirmou o secretário da Educação do Estado de São Paulo (à esq.), ressaltando ações na formação de professores e o Provão Paulista. À direita, o titular da Cátedra Paschoal Senise, Luiz Roberto Liza Curi – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Encerrando o seminário, o secretário da Educação do Estado de São Paulo, Renato Feder, falou a respeito dos desafios atuais da educação básica no Estado de São Paulo e agradeceu à USP, ressaltando a forte parceria e o papel dessa colaboração para a superação de obstáculos, citando, em especial, a formação de professores e o acesso ao ensino superior de ponta via Provão Paulista. “Posso afirmar que, se não fosse a USP, não teríamos Provão Paulista. E se não fosse o Provão Paulista, a situação do Ensino Médio estaria muito pior, pois uma das nossas mais árduas missões é a manutenção do estímulo para que os alunos queiram continuar estudando, e a perspectiva real de vagas na universidade que o Provão Paulista proporcionou foi realmente transformadora, mudando completamente o cenário. Hoje, 80% dos estudantes desejam continuar estudando após o Ensino Médio, um índice muito superior ao de alguns anos atrás”, afirmou. “A USP nunca foi tão parceira da Secretaria. Esta universidade é uma potência e nós precisamos de vocês trabalhando conosco para que sigamos efetivando aperfeiçoamentos relevantes nas nossas escolas”, finalizou o secretário.

Assista, a seguir, à íntegra do evento:


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.