
Os meios de comunicação tradicionais, as plataformas digitais e as mídias sociais têm dedicado espaço e tempo significativos para a apresentação e o debate desses temas, seja com a utilização de fontes especializadas (pesquisadores, especialistas), seja com a participação de cidadãos em geral, que se colocam como protagonistas na moderna comunicação digital. Em função desta realidade, é fácil perceber alterações importantes na área da pesquisa em Comunicação/ Jornalismo, em decorrência de sua intersecção com a prática e o ensino da atividade profissional de Jornalismo. Como resultado deste cenário emergente, sobretudo nas duas últimas décadas, foram criados dezenas de grupos de pesquisa em jornalismo especializado, em particular nas subáreas de Jornalismo Científico, Jornalismo Ambiental e Jornalismo em Saúde.
Realizamos, recentemente, amplo levantamento junto ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ, identificando 64 grupos em jornalismo especializado, que estão distribuídos da seguinte forma: 25 em Jornalismo Científico/Divulgação Científica, 17 em Jornalismo Ambiental e 22 em Jornalismo/Comunicação em Saúde. Utilizamos a área de Comunicação como filtro, para este mapeamento, lembrando que existem muitos outros grupos, que têm como foco ciência, tecnologia, meio ambiente e saúde, localizados em outros campos do conhecimento.
Perfil dos grupos e produção dos líderes
Os 64 grupos de pesquisa estão, prioritariamente, vinculados às universidades públicas. Assim, 51 deles estão filiados a universidades públicas (39 federais e 12 estaduais), 10 a universidades privadas, 2 a uma Fundação (Fiocruz) e um deles a uma OSCIP.
Os grupos de pesquisa se distribuem por todas as regiões do país, com a predominância do Sudeste (21), vindo a seguir o Nordeste (14), o Centro Oeste e o Sul (10 cada) e o Norte (9).
A quase totalidade dos grupos de pesquisa foi constituída neste século e uma maioria expressiva depois de 2010. Na verdade, somente um grupo (Comunicação e Linguagem), vinculado à UFPE, com foco em Jornalismo Científico/Divulgação Científica, criado em 1997, já existia no século passado.
Estes grupos de pesquisa incorporam várias linhas de investigação, ocupando-se, portanto, de temáticas plurais, muitas vezes não associadas diretamente ao jornalismo especializado porque, como é de praxe nos grupos de pesquisa localizados em quaisquer campos do conhecimento, as linhas refletem a área de atuação dos seus pesquisadores, invariavelmente com mais de um foco.
Os grupos são integrados, prioritariamente, por pesquisadores, com titulação no mínimo de doutorado, e estudantes de pós-graduação, a maioria deles vinculada aos pesquisadores que os orientam, além de técnicos e colaboradores estrangeiros.
No total, os grupos de pesquisa em jornalismo especializado contam com 567 pesquisadores, dos quais 215 em Jornalismo Cientifico, 192 em Jornalismo Ambiental e 160 em Jornalismo e Saúde. Abrigam também 558 estudantes: 223 em Jornalismo Científico, 153 em Jornalismo Ambiental e 182 em Jornalismo e Ciência.
No total, os 64 grupos de pesquisa em jornalismo especializado têm 102 líderes, dos quais 63 mulheres e 39 homens, portanto com ampla predominância das representantes do sexo feminino (61,76%). A mesma situação se reflete quando se considera o gênero dos pesquisadores em geral.
Os líderes dos grupos responderam, no período analisado (2015 a 2023), por uma produção expressiva, se levarmos em conta a publicação de artigos em revistas acadêmico-científicas, de livros e de capítulos em livros e e-books. Os líderes, considerando as 3 subáreas, produziram 4.325 publicações, com destaque as focadas em Jornalismo Científico (2.652), vindo a seguir as dos grupos em Jornalismo em Saúde (1.069) e as de Jornalismo Ambiental (604). Eles também se destacaram pela orientação de projetos de pós-graduação, nas áreas sob análise (ciência, meio ambiente e saúde). Os líderes dos grupos orientaram 920 dissertações em teses no período, das quais 529 em Jornalismo Científico, 232 em Jornalismo e Saúde e 159 em Jornalismo Ambiental.
A valiosa contribuição dos grupos
Podemos concluir, baseados nos dados levantados, que os grupos de pesquisa em jornalismo especializado, atendem pelo menos a quatro objetivos essenciais:
a) capacitar novos quadros para atuação no mercado profissional, acadêmico e científico;
b) chamar a atenção para importância de temas atuais e relevantes em C&T&I;
c) desenvolver projetos de investigação que trazem subsídios para elaboração de políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação
d) contribuir, para o combate ao movimento negacionista, que produz e compartilha informações falsas e/ou imprecisas sobre temas científicos.
Os grupos de pesquisa em jornalismo especializado merecem, portanto, o reconhecimento da comunidade científica e da sociedade e precisam ser estimulados, seja com o apoio financeiro aos seus projetos, seja pelo incentivo à sua participação no debate público sobre temas relevantes em C&T&I.
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