
Em 1934, um grupo de jovens matemáticos franceses – liderados por André Weil (1906-1998), irmão da escritora Simone Weil – se reuniu para um café no Quartier Latin, em Paris. Ali, eles planejaram escrever um livro sobre análise matemática que fosse mais moderno e profundo do que as obras então disponíveis. No ano seguinte, Weil e seus colegas decidiram assinar o livro com o nome de Nicolas Bourbaki – um personagem fictício -, expressando o caráter brincalhão e irreverente que caracterizava aquele grupo. Os jovens matemáticos foram mais longe: criaram um mito em torno de Bourbaki e chegaram até a escrever uma biografia dele. Mais tarde, entre 1945 e 1951, Weil e outros dois membros do grupo, Jean Delsarte e Jean Dieudonné, lecionaram na Subseção de Matemática da então chamada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP e “revolucionaram, de certa maneira, o ainda incipiente curso de Matemática” da Universidade.

Essa história é contada em detalhes no livro Nicolas Bourbaki e a Gênese da Matemática na USP, do professor Flávio Ulhoa Coelho, do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) da USP, que será lançado nesta quarta-feira, dia 29, a partir das 17 horas, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. Na ocasião, haverá uma conversa entre o autor e o professor Claudio Possani, também do IME. Às 18 horas, Coelho fará uma sessão de autógrafos. “Este trabalho é uma contribuição significativa” – escreve Possani na orelha do livro – “especialmente ao mostrar como se desenvolveu a tradição de excelência em matemática na USP.”
Publicado pela Editora da USP (Edusp), o livro revela a decisiva contribuição do grupo de Weil para essa “tradição de excelência” citada por Possani. Como escreve Flávio Coelho, a área de matemática da FFCL foi inaugurada por dois professores italianos, Luigi Fantappiè e Giacomo Albanese. Fantappiè e Albanese tiveram que retornar para a Itália em 1939 e em 1942, respectivamente. Em 1945, com a chegada de André Weil, começa a influência do grupo Bourbaki na USP. “É de certa forma consenso dizer que a matemática feita na Itália naquela época, apesar de muito competente, não incluía o que de mais moderno acontecia na área”, destaca Coelho no livro. “Nesse aspecto, os franceses bourbakis, por causa de uma maior interação com a desenvolvida matemática alemã, estavam mais a par dos avanços da área. Isso, obviamente, influenciou muito o curso de Matemática da FFCL.”
Nicolas Bourbaki e a Gênese da Matemática na USP, de Flávio Ulhoa Coelho, Editora da USP (Edusp), 176 páginas, R$ 46,00.
O livro será lançado nesta quarta-feira, dia 29, às 17 horas, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. Não é preciso fazer inscrição.
























