

A inteligência artificial generativa tem ganhado cada vez mais importância e impacto no desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse contexto, pesquisadores da USP, junto ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, desenvolveram um novo sistema de cadastro multifinalitário, capaz de reunir dados e informações com mais rapidez e eficiência.

A tecnologia utiliza IA e pretende auxiliar os gestores de políticas públicas na tomada de decisões. Fátima Nunes, professora na Escola de Artes, Ciências de Humanidades (EACH) da USP, comenta que a ideia da inovação é integrar dados do Ministério, utilizando um banco de dados, com uma linguagem natural. “Ao invés de eu fazer um programa computacional para recuperar os dados a cada nova demanda, o próprio usuário pode fazer uma solicitação e o sistema retorna para ele. O grande diferencial está na linguagem, visto que o usuário pode fazer a solicitação em português.”
Parceria pioneira
A iniciativa é uma ação conjunta entre Universidade e Ministério, representando uma união entre academia e governo. Fábio Cozman, professor na Escola Politécnica (Poli) da USP, afirma que a proposta partiu da própria instituição governamental. Segundo o docente, é um desejo do Ministério aproximar as relações com as universidades, unido às ferramentas modernas de tecnologia e informação.

Além do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, outras Secretarias também já demonstraram interesse em iniciativas conjuntas com universidades brasileiras. “Existe um conjunto de Ministérios e órgãos públicos que estão interessados em usar a IA para obter mais valor a partir dos seus dados. Esta é uma iniciativa pioneira entre os Ministérios. Muitas instituições podem se beneficiar desse processo”, afirma Cozman.
Integração de dados
Organizar e reunir um grande montante de dados presentes em um Ministério é trabalhoso e exige muito cuidado. Nesse sentido, as IA’s podem ter um papel muito importante na simplificação desse processo. De acordo com Rafael Testa, professor da Univesp e um dos responsáveis pelo projeto, o novo sistema tem o objetivo de unir e facilitar o acesso às informações presentes no Ministério.
“O que nós buscamos com essa tecnologia é reunir diferentes bases de dados, de diferentes lugares, e reunir tudo em um único cadastro. A partir disso, o que a gente faz é justamente trazer para eles um jeito mais fácil de acessar essas informações, transformando em uma linguagem natural, cotidiana, em gráficos, tabelas, mapas que podem ser úteis para análise”, detalha Testa.
Fase de desenvolvimento

O projeto ainda está em fase inicial de desenvolvimento, em fase de testes do protótipo. Por enquanto, ele estará disponível apenas para os pesquisadores envolvidos e para o Ministério, podendo se expandir para o público em geral caso o sistema alcance êxito. Inicialmente, o sistema busca auxiliar para a formulação de políticas.
“No final, o objetivo é ser um apoio à decisão. Então, se o Ministério fica sabendo, de antemão, a informação, ele consegue analisar aquele dado e tomar uma decisão sem precisar ficar esperando, por exemplo, dois, três dias, para que alguém faça um programa para dar aquilo que ele precisa”, comenta Fátima.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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