Ex-reitor da USP, Marco Antonio Zago recebe a Ordem do Mérito Civil da Espanha

Condecoração reconhece contribuição de Marco Antonio Zago para o fortalecimento das relações científicas entre Brasil e Espanha

 31/03/2026 - Publicado há 4 meses
Duas pessoas em pé, sendo uma mulher branca de cabelos castanhos e blusa de manga curta azul e ao lado um homem branco de cabelos brancos e de paletó
Mar Fernández Palacios, embaixadora da Espanha no Brasil, e Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp – Foto: Embaixada da Espanha

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O rei da Espanha, Felipe VI, outorgou ao presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ex-reitor da USP, Marco Antonio Zago, a condecoração da Ordem do Mérito Civil por sua contribuição para o fortalecimento das relações científicas entre o Brasil e a Espanha. O título foi entregue na última quinta-feira, dia 26 de março, pela embaixadora da Espanha no Brasil, Mar Fernández Palacios, em cerimônia realizada no Consulado Geral da Espanha em São Paulo.

Uma das três mais importantes ordens de mérito concedidas pelo Reino da Espanha, a honraria – representada por uma placa de peito em prata – foi criada pelo rei Afonso XIII em 1926 para reconhecer “as virtudes cívicas dos funcionários a serviço do Estado, bem como os serviços extraordinários de cidadãos espanhóis e estrangeiros para o bem da nação”.

“Para mim, é uma satisfação enorme representar o Estado espanhol na entrega desta comenda, em reconhecimento à sua longa trajetória científica e ao esforço despendido para melhorar a cooperação entre os nossos países”, afirmou a embaixadora durante a cerimônia.

De acordo com Mar, esse esforço conjunto foi intensificado nos últimos anos em grande parte por causa da assinatura de um memorando de entendimento entre o Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI) da Espanha e a Fapesp, em 2024, durante a visita ao Brasil do presidente do país, Pedro Sánchez.

“É muito importante essa cooperação internacional, pois desafios que enfrentamos hoje, como as mudanças climáticas, a transição energética, a segurança alimentar e as pandemias, não conhecem fronteiras e só podem ser enfrentados por meio do esforço conjunto”, avaliou a embaixadora.

Trajetória de cooperação

Detalhe da medalha da Ordem do Mérito Civil – Foto: Embaixada da Espanha

Ao agradecer a honraria, Zago relembrou momentos em que teve a oportunidade de estar pessoalmente na presença do rei Felipe VI, tratando de questões relacionadas à ciência, à tecnologia e ao ensino superior. Uma das ocasiões foi durante a criação da União Ibero-Americana de Universidades (UIU).

A rede foi estabelecida em 2016 entre cinco instituições de referência da América Latina e da Espanha – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), Universidade de Buenos Aires (UBA), Universidade Complutense de Madri (UCM) e Universidade de Barcelona (UB) – para o desenvolvimento de programas conjuntos de pesquisa, ensino e mobilidade docente e discente. Reitor da USP à época, Zago e os dirigentes das demais universidades apresentaram suas propostas, que foram recebidas como um sinal claro do progresso das relações acadêmicas ibero-americanas.

“Como reitor, também me empenhei em incentivar a Cátedra José Bonifácio, constituída para estimular as relações e a pesquisa sobre a Ibero-América. Naquele período, tivemos como titulares nomes como Felipe González, ex-primeiro-ministro da Espanha, e a escritora brasileira Nélida Pinõn (1934-2022), de origem espanhola. Ambos contribuíram imensamente para a expansão do conhecimento acadêmico sobre a Ibero-América”, avaliou Zago.

Ciência e laços históricos

O presidente da Fapesp lembrou que a imigração espanhola para o Brasil, concentrada em São Paulo, permitiu um grande aporte cultural, artístico, linguístico, gastronômico e afetivo que liga as comunidades dos dois países. No campo da ciência e tecnologia, os números refletem essa proximidade: a Espanha é hoje o segundo país da Europa com maior volume de colaboração científica com o Brasil, atrás apenas do Reino Unido.

“A Fapesp já apoiou 1,8 mil projetos de cooperação científica entre a Espanha e o Estado de São Paulo. Essa parceria está em expansão por meio de nossos contatos com o Conselho Superior de Investigações Científicas [CSIC] e o CDTI”, afirmou Zago, mencionando também o sucesso da Fapesp Week Spain, realizada em novembro de 2025.

Em seu discurso, o dirigente ressaltou a influência de vultos da ciência espanhola em sua própria carreira, como Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), o “pai da neurociência”, e Severo Ochoa (1905-1993), Nobel de Medicina que identificou mecanismos da síntese do RNA.

Zago encerrou afirmando que a Espanha representa uma das maiores referências culturais e científicas para o Brasil. “Sinto-me muito feliz pela oportunidade de contribuir para a aproximação entre essas duas comunidades.”.

*Texto: Elton Alisson, da Agência Fapesp 


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