O primeiro impacto da mobilidade nas políticas públicas é na economia, afirma José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Fazendo um paralelo com o corpo humano, ele compara o transporte ao sistema sanguíneo que alimenta as células. Um transporte ineficiente, diz ele, não gera riquezas para o País, além de contribuir para o esgotamento das pessoas, que muitas vezes perdem muito tempo no trânsito, isso quando não são obrigadas a se valer de várias conduções para ir de casa ao trabalho e vice-versa.
“Isso impacta também as políticas públicas, pois a confecção destas depende da produtividade das pessoas que trabalham e depende também de várias informações que o transporte acaba proporcionando e acaba gerando.” Portella defende a implantação de um melhor modelo cicloviário, desde que bem estruturando, ligando um ponto de importância a outro, não se limitando apenas ao lazer do cidadão. Segundo ele, não é o que acontece hoje em São Paulo e em outras cidades brasileiras, carentes de um melhor planejamento e organização. A mobilidade urbana, diz, não pode prescindir de uma melhora do transporte público.
Portella defende também a implementação de uma política de estacionamento, “procurando isolar o centro da cidade só para pedestre, para transporte público e ciclovia”. Os carros ficariam em estacionamentos, já que não haveria como garantir transporte público para todas as pessoas durante todo o tempo. Recomenda ainda rever as zonas azuis para aumentar a fluidez do trânsito. “Quando o Estado não planeja quem acaba planejando é a iniciativa privada, mas com seus interesses, cada um de um lado.” Para ele, a principal medida no trânsito de São Paulo é a coordenação semafórica, “é um caos a coordenação semafórica”. Falta, de acordo com ele, um sistema de semáforos inteligente, “que é o que locomove as pessoas para o trabalho, para a saúde e para a educação […] o sistema de transporte é algo que pode mudar a vida de São Paulo”.
Momento Sociedade
O Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
.























