
.
O físico, professor titular do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física (IF) da USP e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Paulo Artaxo, foi agraciado com o Planet Earth Award 2026, concedido pela Alliance of World Scientists (AWS). A premiação reconhece lideranças científicas cuja trajetória combina excelência acadêmica, engajamento público e contribuição efetiva para o enfrentamento da crise ambiental global.
Neste ano, o Brasil teve dois representantes entre os sete laureados: além de Artaxo, foi distinguida a ecóloga Luisa Maria Diele-Viegas, cuja atuação articula ciência climática, conservação da biodiversidade e justiça social, com ênfase em ecossistemas ameaçados e na integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais.
O Planet Earth Award, concedido pela Aliança Mundial de Cientistas (AWS, na sigla em inglês), distingue pessoas que atuam na defesa da vida na Terra, reconhecendo aquelas que demonstram criatividade notável ou contribuições de excelência tanto na produção científica quanto na promoção de ações e posicionamentos fundamentados em evidências. O prêmio valoriza trajetórias que articulam rigor acadêmico e compromisso público, seja no diálogo com a sociedade, com formuladores de políticas ou com outros grupos engajados na construção de soluções para os desafios ambientais contemporâneos.
Ao comentar a premiação ao Jornal da Ciência, Artaxo avaliou que o reconhecimento internacional evidencia a relevância da produção científica brasileira no cenário global. “É muito bom a gente ver a ciência brasileira sendo premiada internacionalmente, particularmente por instituições como a AWS. Basicamente, são mais de 27 mil pesquisadores de mais de 180 países que representam uma parte grande das pesquisas em termos da sustentabilidade ambiental e climática do nosso planeta. Então, é um orgulho para o Brasil ganhar dois prêmios neste ano – e veja que fomos muito mais premiados do que a maior parte dos países que investem muito mais em ciência e tecnologia do que nós, o que mostra que temos, sim, chance de fazer nosso país brilhar na ciência se tivermos recursos adequados para isso.”
Estudos pioneiros
Reconhecido como uma das principais referências internacionais em física aplicada a problemas ambientais, Artaxo dedicou 40 anos à investigação dos processos que conectam a floresta amazônica ao clima regional e global. Seus estudos pioneiros sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas da vegetação e forçantes radiativas contribuíram para elucidar como as florestas tropicais influenciam o ciclo hidrológico, a formação de núcleos de condensação de nuvens e o balanço energético do planeta.
Em comunicado oficial, o comitê do prêmio ressaltou que o físico “dedicou quatro décadas a iluminar as profundas conexões entre a floresta amazônica e o sistema climático global. Seu trabalho pioneiro aprofundou a compreensão de como florestas tropicais regulam processos planetários. Como cientista de destaque e autor do IPCC, ele exemplifica a pesquisa rigorosa e globalmente engajada que o prêmio foi criado para reconhecer”.
Artaxo foi autor-líder dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) — AR4, AR5 e AR6. O IPCC foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Ele é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da The World Academy of Sciences (TWAS) e fellow da American Association for the Advancement of Science (AAAS). O físico também coordena o Programa Fapesp de Mudanças Climáticas Globais, dirige o Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP e integra o Comitê Orientador do Fundo Amazônia.
Entre os demais laureados deste ano estão os norte-americanos Edward Barbier, economista ambiental, Dominick DellaSala, ecólogo florestal, e Susan M. Natali, pesquisadora dedicada aos impactos do degelo do permafrost no Ártico; a polonesa Katarzyna Nowak, especialista em conservação e proteção de ecossistemas; e o canadense Andrew J. Weaver, climatólogo e ex-líder do Partido Verde na Colúmbia Britânica.
.
Texto: Daniela Klebis, do Jornal da Ciência / SBPC

























