Seminário na USP vai debater os avanços do empreendedorismo negro no Brasil

Encontro terá lugar na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, no próximo dia 23 de fevereiro. Especialistas irão debater e analisar o empreendedorismo negro no País, que tem apresentado avanços importantes nas últimas décadas

 19/02/2026 - Publicado há 6 meses     Atualizado: 20/02/2026 às 17:25
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Mulher negra, vestindo camisa marrom e cabelos presos diante de uma mesa
Maior presença de estudantes negros nas universidades contribuiu para a formação de uma nova geração de profissionais e empresários – Foto: Freepik

No próximo dia 23 de fevereiro, das 14 às 15h30, na Faculdade de Economia, Administração e Atuária (FEA) da USP, acontecerá o seminário Empreeendedorismo Negro no Brasil. As inscrições, gratuitas, devem ser feitas até o dia 20 de fevereiro. O encontro terá lugar no Auditório Funcadi, que fica no prédio da Biblioteca da FEA-USP. A organização do evento é dos professores Jacques Marcovitch e Alexandre Saes, ambos da FEA-USP e as inscrições devem ser feitas por este link.

Dois homens brancos. Um deles com cabelos e cavanhaque grisalhos trajando um paletó azul, ao lado de outro homem branco com cabelos castanhos e barba usando uma camisa verde
Jacques Marcovitch e Alexandre Macchione Saes – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Nesta primeira edição, o seminário integra uma série de atividades acadêmicas organizadas a partir da exposição Pioneiros & Empreendedores no Brasil, atualmente presente na biblioteca da faculdade. Como conta o professor Alexandre Saes, da FEA-USP, “a mostra já percorreu outros estados e chega agora à FEA, instituição que foi o ponto de partida da pesquisa, idealizada pelo professor Jacques Marcovitch, também autor da trilogia Pioneiros & Empreendedores no Brasil“, destaca Saes.

Nesse sentido, a exposição investiga trajetórias empresariais e o papel do empreendedorismo na formação econômica do País. Para o professor Marcovitch, “a presença da exposição na FEA reforça o compromisso da unidade em articular a memória empresarial, pesquisa acadêmica e reflexão contemporânea sobre o desenvolvimento brasileiro”. Ele conta ainda que coube à professora Maria Cristina de Oliveira Bruno, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, a elaboração do discurso expográfico, bem como a introdução de novos argumentos e perspectivas, visando expandir o projeto com conteúdos inéditos sobre mulheres e negros pioneiros.

Avanços a partir de 2000

O professor Saes avalia que o empreendedorismo negro no Brasil tem apresentado avanços importantes nas últimas décadas, especialmente a partir dos anos 2000, com a ampliação do acesso ao ensino superior e a consolidação de políticas de ação afirmativa. “A maior presença de estudantes negros nas universidades contribuiu para a formação de uma nova geração de profissionais e empresários, ampliando sua inserção em setores estratégicos da economia”, afirma o docente. Contudo, ele lembra que os desafios permanecem significativos em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais e por traços persistentes de racismo.

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O seminário contará com especialistas de referência no tema, como o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, professor José Vicente, e o pesquisador Pedro Jaime, autor do livro Executivos Negros: Racismo e Diversidade no Mundo Empresarial (Edusp, 2016). “A presença desses estudiosos permitirá articular pesquisa acadêmica, evidências empíricas e experiências concretas, conectando o debate sobre empreendedorismo negro à formação dos estudantes da FEA e de outras unidades da USP”, avalia Marcovitch. Ele também ressalta a colaboração da FEA com iniciativas como esta, por meio da promoção de debates, seminários e iniciativas estudantis voltadas à reflexão sobre diversidade, inclusão e desenvolvimento econômico, com a participação de professores e estudantes da unidade.

“A FEA busca integrar ensino, pesquisa e extensão na construção de um ambiente mais plural e atento aos desafios sociais do País. Esse ambiente tem como referência os estudos pioneiros sobre relações raciais no Brasil realizados por Florestan Fernandes, João Baptista Borges Pereira e Kabengele Munanga, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP”, lembra o professor Saes.

 

Imagem: Divulgação

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