A conflituosa relação do homem com o meio aquático

Paulo Saldiva nos fala em sua coluna da economia azul e alega que, na estrada do desenvolvimento das nossas cidades, pegamos numa rotatória o caminho errado, e agora cabe retomar para o caminho certo

 16/06/2025 - Publicado há 1 ano

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A coluna Saúde e Meio Ambiente trata esta semana da chamada economia azul, que nada mais é do que a relação do homem com o meio aquático. Diz Paulo Saldiva: “Considerando somente os rios, vemos que São Paulo de Piratininga, que foi criado justamente nesse local pela presença abundante de água, pela possibilidade de comunicação de estradas hídricas que permitiam o avanço ao interior e a conquista de novos territórios, ao mesmo tempo essas águas foram ao longo do tempo destruídas, colocando-se avenidas em cima, estreitando os rios e fazendo com que eles ficassem até rios virtuais. Alguns a gente escondeu embaixo do asfalto, outros, a gente engessou e tornou inacessíveis, como no caso do rio Pinheiros, do rio Tietê, uma vez que foram transformados em latrinas, e ainda se colocou um cinturão de avenidas que os tornam inacessíveis à população, ao bem-estar”, diz o colunista. “Porque o convívio com as águas não só nos fornece a sustentabilidade do ponto de vista de provimento de recursos hídricos, mas também lazer […] na estrada do desenvolvimento das nossas cidades, nós pegamos numa rotatória o caminho errado, no qual a gente tem que parar, olhar para trás e voltar para a rotatória para fazer o caminho certo.”

Para Saldiva, esse rearranjo vai gastar tempo e recursos, mas vai valer a pena. “Isso vai trazer para nós bem-estar, saúde mental, vai impedir doenças infecciosas que ocorram por contaminação de água, vai impedir que passemos períodos de seca quando frente às mudanças climáticas, também vai fazer com que resistamos melhor às inundações que têm assolado cada vez mais diferentes áreas urbanas. Eu queria mostrar exemplos exitosos como aconteceu em Recife, com recuperação de áreas costeiras, com desafios ao saneamento, aumento da resiliência climática, visando à possível elevação do nível do mar, deslocamento da cidade com prejuízos enormes. A economia azul tem um componente, sim, de commodity e geração de renda, mas temos que lembrar que ela também é um bem comum. As águas são um bem comum, vitais para nossa existência, e fazem parte não só da nossa forma de vida, como também da saúde e do bem-estar.”

Saúde e Meio Ambiente

Com o Prof. Paulo Saldiva

A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 8h, quinzenalmente, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


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