Curioso por Ciência #71: Pesquisa propõe teste mais preciso e acessível para hanseníase

O estudo foi realizado em duas regiões do Brasil, nas cidades de Parnaíba, no Piauí, e em Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo

 16/06/2025 - Publicado há 1 ano
Curioso por Ciência - USP
Curioso por Ciência - USP
Curioso por Ciência #71: Pesquisa propõe teste mais preciso e acessível para hanseníase
/

A hanseníase é causada por bactérias do gênero Mycobacterium e pode atingir pele e nervos, provocando perda de sensibilidade, deformidades e até incapacidade física. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar essas complicações, mas os testes atualmente disponíveis ainda têm dificuldade para identificar a doença nos estágios iniciais.

Com o objetivo de mudar esse cenário, uma pesquisa recente investigou o uso de uma proteína chamada Mce1A, presente na parede da bactéria causadora da hanseníase, como base para um novo exame sorológico. Esse é o tema do Curioso por Ciência, que traz os resultados desse estudo que teve como proposta detectar, no sangue, anticorpos contra essa proteína, ou seja, identificar se o organismo já teve contato com o bacilo.

Foram analisados três tipos de anticorpos: IgA, IgM e IgG. O IgA se destacou por indicar contato com a bactéria mesmo na ausência de sintomas. O IgM foi eficaz para apontar infecções recentes, inclusive nos estágios iniciais. Já o IgG apareceu com mais frequência em pacientes que já estavam em tratamento.

O estudo foi realizado em duas regiões do Brasil com diferentes perfis epidemiológicos: Parnaíba, no Piauí, com alta incidência de hanseníase, e Ribeirão Preto, em São Paulo, onde a doença é menos comum. Em ambos os locais, o novo exame teve desempenho superior ao da baciloscopia e dos testes sorológicos tradicionais.

A pesquisa aponta uma alternativa promissora, de baixo custo e menos invasiva, que pode ser incorporada às unidades básicas de saúde, facilitando o rastreamento de contatos e ajudando a interromper a cadeia de transmissão da doença.

O trabalho Anticorpos anti-Mce1A como biomarcadores sorológicos na hanseníase: diagnóstico, avaliação de contatos e seguimento integrou a tese de doutorado de Filipe Rocha Lima, orientado pelo professor Marco Andrey Cipriani Frade no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, defendida em 2023.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.