“O futuro está chegando mais rapidamente do que imaginávamos e os médicos terão que se adaptar a essa nova realidade.” Essa é a opinião de Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, sobre a abertura da primeira clínica médica no mundo operada por inteligência artificial, localizada na Arábia Saudita.
Funciona assim: o paciente descreve, por meio de um tablet, quais são os seus sintomas e anexa os seus exames, como dosagens sanguíneas e exame de imagens (solicitados por médicos humanos) para um médico de IA chamado dr. Hua. Terminada a consulta, a ferramenta sugere um diagnóstico e um plano de tratamento, que é revisado e assinado por um médico humano.
Esse é um programa piloto lançado em abril de 2025 e financiado pela Synyi AI, uma startup de Xangai. A clínica oferece, por enquanto, serviços gratuitos focados em queixas respiratórias. Mas a companhia já anunciou planos para expandir para 50 o número de doenças, incluindo as gastrointestinais e dermatológicas.
“Acredito que, com o avanço da farmacogenômica e medicina personalizada, os computadores terão, além dos nossos exames clínicos e bioquímicos, os nossos dados genômicos”, explica Mayana. “Isso permitirá ao dr. Hua receitar remédios de acordo com o nosso genoma e com a dosagem adequada, levando em conta a nossa velocidade de metabolizar aquela droga.”
Decodificando o DNA
Com o professora Mayana Zatz
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quinta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.



























