Estudantes brasileiros conquistam oito prêmios na principal feira internacional de ciências e engenharia

Estudantes foram contemplados nas duas cerimônias de premiação da Regeneron ISEF 2026, realizada nos Estados Unidos 

 18/05/2026 - Publicado há 4 meses
Os estudantes da Febrace foram reconhecidos nas duas cerimônias de premiação: seis na Grand Awards e duas na Special Awards da ISEF 2026 – Foto: Divulgação/Febrace

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Estudantes brasileiros selecionados pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), com apoio da Escola Politécnica (Poli) da USP, conquistaram oito prêmios na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, realizada entre 9 e 15 de maio em Phoenix, no Arizona (EUA). Considerada a principal competição internacional pré-universitária da área, a feira reúne anualmente cerca de 1.600 estudantes de aproximadamente 60 países, que apresentam seus projetos a avaliadores internacionais em um ambiente altamente competitivo.

A delegação da Febrace foi composta por 14 estudantes de diferentes regiões do País, autores de projetos que abordam desafios concretos em áreas como saúde, agricultura, meio ambiente, tecnologia e inteligência artificial, além de temas ligados a políticas públicas. Ao todo, o Brasil foi representado por 26 estudantes, incluindo participantes selecionados pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), outra importante feira internacional de ciência e tecnologia, realizada pela Fundação Liberato, no Rio Grande do Sul. 

As premiações da Regeneron ISEF são concedidas em duas frentes: os Grand Awards, que reconhecem os melhores trabalhos em 22 categorias científicas — com prêmios em dinheiro que variam de US$ 600 a US$ 6.000 —, e os Special Awards, oferecidos por universidades, instituições de pesquisa e organizações internacionais, que incluem bolsas de estudo, estágios e outras distinções acadêmicas. Ao todo, os finalistas da feira concorreram a cerca de US$ 9 milhões em prêmios. Os estudantes da Febrace foram reconhecidos nas duas cerimônias de premiação: seis na Grand Awards e duas na Special Awards.

“A ISEF é mais do que uma competição: é um ambiente de validação científica em escala global. Os oito prêmios conquistados por estudantes brasileiros de quatro regiões do País refletem a consistência da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia como principal porta de entrada do Brasil para essa competição”, afirma Roseli de Deus Lopes, professora da Poli e coordenadora geral da Febrace.

Veja abaixo os projetos premiados:

Foto: Divulgação/Febrace

MeMO – Ondas binaurais e modulação gênica no Alzheimer
Autora: Ada Jamile Gomes de Oliveira
Orientação: Professor Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho
Escola: Colégio Militar de Manaus
Cidade: Manaus (AM)
Prêmio: 4º lugar na categoria Translational Medical Science (TMED) – US$ 600
A pesquisa investiga o uso de estímulos sonoros para modular a expressão de genes associados ao Alzheimer. Em testes in vitro, foram observadas reduções em marcadores ligados à doença, indicando potencial como abordagem terapêutica complementar.

Foto: Divulgação/Febrace

AnisGuard – Fungicida natural para café
Autor: Kenisson Morais Brito
Orientação: Professora Winne Katharine Souza Rocha / Coorientação: Professora Gislaine Amorim Santos
Escola: Escola Sesi Anísio Teixeira
Cidade: Vitória da Conquista (BA)
Prêmio: 4º lugar na categoria Plant Sciences (PLNT) – US$ 600
Baseado no extrato de erva-doce, o projeto propõe um fungicida natural capaz de reduzir em até 83,8% a contaminação fúngica em grãos de café no pós-colheita, com menor custo e menor risco de desenvolvimento de resistência.

Foto: Divulgação/Febrace

Sustainpoly – Biocompósitos a partir de resíduos do maracujá
Autores: Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça
Orientação: Professor Francisco Augusto Oliveira Santos / Coorientação: Professora Mônica Barbosa Canuto
Escola: E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis
Cidade: Cascavel (CE)
Prêmios: 4º lugar na categoria Environmental Engineering (ENEV) – US$ 600; Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society – 1 º lugar na categoria Life Sciences – US$ 1.200
O projeto propõe o reaproveitamento de resíduos do maracujá para a produção de biocompósitos multifuncionais aplicáveis na agricultura. A solução inclui biofilmes para conservação de frutas, cobertura de solo e polímeros hidrorretentores, com redução de até 85% nos custos agrícolas e aumento significativo da vida útil dos alimentos.

Foto: Divulgação/Febrace

Mapeamento do feminicídio com inteligência artificial
Autora: Yanna Francisca Nogueira Queiroz
Orientação: Professor Helyson Lucas Bezerra Braz / Coorientação: Professora Sebastiana Vicente Bezerra
Escola: E.E.F.M. Deputado Joaquim de Figueiredo Correia
Cidade: Iracema (CE)
Prêmio: 4º lugar na categoria Behavioral and Social Sciences (BEHA) – US$ 600
Utilizando aprendizado de máquina e análise cartográfica, o projeto identificou padrões de feminicídio no Ceará a partir de dados jornalísticos, gerando subsídios para políticas públicas.

Foto: Divulgação/Febrace

Uso de extratos vegetais no cultivo de orquídeas
Autora: Beatriz Maria Ferreira dos Santos
Orientação: Professora Dionéia Schauren / Coorientação: Professor Leandro Marcelo Miglioretto
Escola: Colégio Estadual Jardim Porto Alegre – Unidade II
Cidade: Toledo (PR)
Prêmio: 3º lugar na categoria Plant Sciences (PLNT) – US$ 1.200
O estudo desenvolveu um meio de cultivo de baixo custo com extratos vegetais capaz de acelerar o crescimento de orquídeas em até 90% e reduzir drasticamente o tempo de produção. A técnica também contribui para a conservação de espécies ameaçadas.

Foto: Divulgação/Febrace

Safeskies – Detecção e rastreamento de balões com IA
Autores: Leonardo Paschoal Bartoccini e Lara Megda Schusterschitz
Orientação: Professor Rodrigo Assirati Dias / Coorientação: Wayner de Souza Klën
Escola: Colégio Dante Alighieri
Cidade: São Paulo (SP)
Prêmios: 4º lugar na categoria Embedded Systems (EBED) – US$ 600; Association for Computing Machinery – 4º lugar – US$ 500
O projeto resultou em um sistema baseado em visão computacional capaz de detectar e prever a trajetória de balões com 94% de precisão, contribuindo para a prevenção de incêndios e riscos à aviação.

Promoção da educação STEM

Promovida pela Escola Politécnica (Poli) da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) é a principal feira pré-universitária de ciências e engenharia do País em abrangência e visibilidade. Seu objetivo é estimular a cultura científica, a inovação e o empreendedorismo entre estudantes da educação básica e técnica, além de incentivar práticas pedagógicas inovadoras nas escolas.

Mais do que uma mostra anual de projetos, a Febrace integra um amplo programa de promoção da educação em STEM no Brasil, que inclui cursos on-line gratuitos, formação de professores, iniciativas em educação STEAM e ações contínuas de estímulo à pesquisa no ambiente escolar.

Desde sua criação, a Febrace já reuniu mais de 16.700 estudantes, que apresentaram cerca de 7.200 projetos finalistas, resultando na concessão de aproximadamente 4.500 premiações, entre prêmios científicos, técnicos e institucionais. Esse processo culmina na participação brasileira na Regeneron ISEF, quando os projetos selecionados pela Febrace são submetidos a critérios internacionais de avaliação, inserindo os estudantes em um ambiente de avaliação científica em escala global.

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*Texto: Assessoria de Imprensa da Febrace


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