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Com o uso de tecnologias imersivas, formação docente e ações em escolas, bibliotecas e museus, o projeto Ciência para Todos: Alfabetização Científica com Tecnologias Inovadoras pretende abrir uma nova frente de cooperação entre universidade, poder público e instituições culturais para qualificar o ensino de ciências na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. A iniciativa, que tem a coordenação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e parceria da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade (IMA), teve início neste mês de abril e conta com mais de R$ 1,9 milhão em investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A proposta pretende transformar a alfabetização científica nos anos iniciais do ensino fundamental em uma política pública estruturada, com impacto em toda a rede e potencial de replicação em outros municípios. O investimento prevê recursos para aquisição de equipamentos, materiais de consumo, contratação de serviços, concessão de bolsas e reserva técnica. A iniciativa foi estruturada para viabilizar o desenvolvimento, a implementação e a avaliação das ações ao longo de 48 meses, com potencial de impacto direto sobre até 6.391 estudantes em 60 unidades da rede municipal de ensino.
O projeto propõe o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de sequências didáticas interdisciplinares e contextualizadas, voltadas aos cinco anos do Ensino Fundamental I. Essas sequências utilizam tecnologias imersivas, jogos educativos e materiais manipulativos produzidos por impressão 3D, organizadas em ciclos de diagnóstico, cocriação, experimentação, avaliação e redesenho.
Os materiais educacionais, jogos, manuais e arquivos produzidos serão disponibilizados em acesso aberto, ampliando as possibilidades de replicação da política pública em outros contextos.
Ensino mais prático e envolvente
O Ciência para Todos parte de um desafio histórico da educação básica: a necessidade de práticas mais sistemáticas, atraentes e eficazes para o ensino de ciências nos primeiros anos de escolarização. Alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e às metas do Plano Nacional de Educação, a iniciativa pretende fortalecer o pensamento científico, crítico e criativo desde a infância.
As ações serão organizadas em três frentes principais: trabalho direto com estudantes da rede municipal em escolas e bibliotecas; formação continuada de professores por meio do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CEFPE); e atividades de educação não formal em espaços públicos, como bibliotecas comunitárias e o Museu de Ciência Mario Tolentino, envolvendo também estudantes dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e o público em geral. O projeto prevê ainda a produção de materiais didáticos acessíveis, a realização de oficinas e exposições e a integração das metodologias ao currículo das escolas de tempo integral.

Para o coordenador do projeto, professor Guilherme Matos Sipahi, a proposta busca ampliar o acesso ao conhecimento científico de forma significativa e socialmente enraizada. “A alfabetização científica precisa começar cedo e precisa dialogar com a realidade das crianças. Quando unimos escola, universidade, bibliotecas, museus e tecnologias inovadoras, criamos condições para que a ciência seja vivida de forma concreta, crítica e criativa. Nosso objetivo é ajudar a consolidar uma política pública duradoura, baseada em evidências e voltada à formação de estudantes mais preparados para compreender o mundo contemporâneo.”
Um dos diferenciais da proposta é o modelo de construção conjunta entre pesquisadores, gestores públicos, professores e instituições culturais. Em vez de transferir soluções prontas, o projeto propõe um processo contínuo de coprodução, com diagnóstico da realidade da rede, elaboração colaborativa de materiais, formação docente, aplicação nas escolas e avaliação dos resultados. A expectativa é que esse percurso produza evidências sólidas para orientar decisões curriculares e pedagógicas permanentes, fortalecendo a relação entre pesquisa acadêmica e melhoria concreta da educação pública.
Metodologias ativas
Ao comentar a iniciativa, Roselei Aparecido Françoso, vice-prefeito de São Carlos, secretário municipal de Educação e responsável da prefeitura pela realização do projeto, destaca o alcance estratégico da parceria. “Esse projeto reúne aquilo que a educação pública mais precisa neste momento: compromisso com inovação, formação de professores, diálogo com a realidade da rede e capacidade de transformar boas ideias em política pública. São Carlos tem tradição em ciência e tecnologia, e agora dá mais um passo para fazer com que esse patrimônio chegue de forma ainda mais efetiva às crianças e aos educadores da rede municipal.” A proposta prevê atuação direta da Secretaria Municipal de Educação desde a concepção até a implementação, execução e avaliação das ações, com apoio institucional, pedagógico e logístico.
Outro eixo importante será a incorporação de elementos da Arte no desenvolvimento das ações, como estratégia de engajamento e de ampliação do aprendizado em perspectiva interdisciplinar. Nesse campo, a participação do Instituto Mário de Andrade, sob a liderança de Fátima Camargo, será essencial para aproximar práticas artísticas, cultura e alfabetização científica, especialmente no contexto das escolas de tempo integral. A proposta pretende mostrar que ciência, arte e tecnologia podem atuar de forma integrada, favorecendo experiências educativas mais sensíveis, criativas e participativas.
Herbert Alexandre João, pesquisador associado do projeto e coordenador pedagógico do Estúdio de Mídia, Cultura e Ciência (E=mc²) do IFSC, onde a proposta será executada, destaca a importância da mesclagem de metodologias ativas com o uso de tecnologias. Atuando na área de Ensino e Formação de Professores, Herbert afirma: “Museus, bibliotecas e escolas podem atuar de forma integrada na promoção da alfabetização científica. Quando o estudante encontra a ciência em diferentes linguagens, com experiências imersivas, jogos, objetos manipuláveis e mediação qualificada, o engajamento aumenta e a aprendizagem se torna mais significativa”.
A proposta também prevê o uso de realidade virtual, realidade aumentada, recursos 2D, protótipos 3D e kits de aprendizagem para ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho docente. Ao fim do percurso, a expectativa é não apenas melhorar indicadores de alfabetização científica e ampliar o interesse pela ciência, mas também consolidar uma proposta de formação continuada replicável, integrar os materiais ao currículo das escolas de tempo integral e subsidiar a formulação de políticas públicas educacionais baseadas em evidências.
Participam do projeto, além do coordenador Guilherme Matos Sipahi e de Roselei Aparecido Françoso, os pesquisadores associados Ana Karina Marmorato Gomes, Fátima Helena Sampaio Camargo Catalano, Herbert Alexandre João, Mariana de Fátima Schiabel, Nathalia Muylaert Locks Guimarães e Rafaela Marchetti, reunindo equipes do IFSC, da Prefeitura Municipal de São Carlos e do Instituto Mário de Andrade.
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*Texto adaptado de Rui Sintra, da Assessoria de Imprensa do IFSC-USP
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