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Direito da USP lança Manual das Calouras para melhor integrar alunas recém-chegadas à instituição
Para mitigar o estranhamento inicial e acolher as calouras, entidades estudantis da Faculdade de Direito (FD) publicam, pela primeira vez juntas, a edição 2026 do Manual das Calouras, em formato digital
Estudantes da Turma 199, no Largo São Francisco, comemoram o ingresso à Faculdade de Direito (FD) da USP, com o Centro Acadêmico XI de Agosto – Foto: Laíssa Gomide/Arquivo pessoal
A Faculdade de Direito (FD) da USP acaba de lançar a edição 2026 do Manual para Calouras. Em formato digital, o manual traz um mapeamento dos prédios, da história e dos serviços do campus, localizado no Largo São Francisco, região central da cidade de São Paulo, e apelidado “Sanfran”.
Para abraçar as novas alunas e mitigar o estranhamento dos primeiros dias, as principais frentes estudantis da FD organizaram juntas, pela primeira vez, o Manual das Calouras. Direcionado especialmente às recém-ingressadas da Turma 199, o documento é fruto de uma construção cuidadosa e conjunta entre a Casa do Estudante, o Centro Acadêmico XI de Agosto e a Representação Discente (RD).
Mais do que um simples roteiro administrativo para entender onde ficam as salas de aula, o guia funciona como uma verdadeira rede de apoio prático e emocional. Ele “pega a caloura pela mão” para decodificar desde os espaços físicos do Largo de São Francisco até as políticas de permanência essenciais para quem mais precisa.
Em entrevista ao Jornal da USP, a diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto, Laíssa Gomide, diz que a ideia surgiu para tornar o acolhimento mais didático. “A proposta do manual foi criar um guia prático para todos os calouros que ingressam na Sanfran. Por se tratar de um campus separado dos demais, com dinâmicas próprias, desafios específicos e também muitas particularidades, entendemos que seria importante oferecer um material que auxiliasse nessa adaptação inicial. O nosso secretário, Francisco Monteleone Sereza, juntamente com os diretores e membros da Casa dos Estudantes e da Representação Discente, estruturou o escopo do texto. Além disso, entramos em contato com as entidades, coletivos e grupos da Sanfran, garantindo que cada um tivesse seu próprio espaço para apresentar seus projetos aos calouros. Após a finalização do conteúdo, a Diretora de Inclusão e Pertencimento, Lorena Ferreira, ficou responsável pela edição e pela identidade visual, dando ao manual a forma final com que foi publicado.”
Laíssa Gomide, diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto – Foto: Laíssa Gomide/Arquivo pessoal
Um convite à reflexão
Logo nas primeiras páginas, o manifesto de abertura faz questão de lembrar que atravessar os portões da Sanfran não é apenas entrar em uma universidade pública; é passar a integrar uma história de quase dois séculos. Fundada em 1827, a faculdade nasceu junto com o próprio Estado brasileiro e, desde então, tem sido palco de profundas transformações e disputas.
Nesse cenário, o manual acolhe, mas também convoca à reflexão. O texto frisa que ocupar aquele espaço é, simultaneamente, um privilégio e uma responsabilidade. Privilégio por significar a entrada em um ambiente “historicamente negado a muitos” e responsabilidade por exigir a compreensão de que o direito que ali se aprende e se pratica “nunca foi e nunca será neutro”.
Afinal, como o próprio guia ressalta, a São Francisco sempre foi mais do que provas e lousas cheias. Foi ali que gerações se levantaram contra o autoritarismo e reivindicaram justiça social. Mas a faculdade também é feita da vida miúda: do “café apressado antes da aula”, das amizades formadas nas tradicionais arcadas, das conversas de bar no porão e de todas as inseguranças que atravessam o amadurecimento.
Conhecendo o Centro Velho
Para quem acaba de chegar, a estrutura centenária da instituição pode parecer um verdadeiro labirinto. Por isso, as entidades se preocuparam em mapear didaticamente a “Velha e Sempre Nova Academia”. Hoje, o complexo é formado por cinco prédios: o Prédio Histórico, o Prédio Anexo (unidos por uma passarela), o recém-adquirido Palácio do Comércio (uma conquista de 2025), a Biblioteca Circulante e o Edifício Baronesa de Limeira, que abriga a parte administrativa.
Apesar de as aulas da Turma 199 acontecerem majoritariamente no andar térreo do Prédio Histórico, o manual incentiva as calouras a explorarem cada canto. E para garantir a sobrevivência nos primeiros meses, o texto destaca paradas obrigatórias:
Bandejão
Localizado no térreo do prédio anexo, coração da convivência e da segurança alimentar;
Pró-Aluno
No 1º andar do anexo, o refúgio para impressões e acesso a computadores;
Sala de Teses
No 3º andar, um oásis de silêncio para quem precisa focar nos estudos;
Porão
No subsolo do Prédio Histórico, o espaço oficial de recreação e descanso entre uma aula e outra.
A vida no coletivo
A riqueza do material, contudo, vai muito além dos mapas. O sumário do guia revela uma preocupação estrutural com o bem-estar e a integração das jovens. Capítulos dedicados aos Sistemas USP, à utilização do transporte público, às indispensáveis políticas de permanência na USP e às dicas de como “viver a cidade” mostram que o projeto pensou nas dores reais de quem, muitas vezes, chega da periferia ou do interior para encarar a metrópole.
A mensagem central do Manual das Calouras é um afago e um lembrete fundamental para as ingressantes: ninguém precisa atravessar a Sanfran e a USP sozinha. A vida acadêmica e política construída ali só faz sentido de forma coletiva. Como convite final para essa nova jornada, as entidades encorajam as alunas a se apropriarem do espaço, pedindo que elas não apenas estudem, mas também passem a “ocupar, questionar, construir, errar, aprender e resistir”.
*Estagiária sob a supervisão de Antonio Carlos Quinto
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