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Parceria entre USP e França fomenta pesquisas de alto impacto em áreas estratégicas
Convênio USP-Cofecub, renovado até 2031, viabiliza projetos que vão da geofísica marinha à regulação da inteligência artificial, promovendo mobilidade internacional e formação de ponta há mais de 30 anos
Fotomontagem Jornal da USP feita com fotos de Wikimedia Commons, Freepik e USP Imagens
O USP-Cofecub, uma das mais longevas e produtivas iniciativas de cooperação acadêmica entre Brasil e França, divulgou nesta quinta-feira, 8 de janeiro, o resultado de sua chamada mais recente. As informações podem ser consultadas neste link.
O programa teve seu convênio renovado em dezembro, estendendo a parceria para o período de 2026 a 2031. Coordenado no Brasil pela Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) e na França pelo Comité Français d’Évaluation de la Coopération Universitaire et Scientifique avec le Brésil (Cofecub), o programa tem sido, desde 1994, um pilar fundamental para a internacionalização da Universidade.
O objetivo central é fomentar a pesquisa conjunta de alto nível por meio da mobilidade de pesquisadores. Os editais, lançados anualmente, priorizam o treinamento em nível de doutorado e facilitam o intercâmbio entre docentes e estudantes das duas nacionalidades. Mais do que viabilizar viagens, a iniciativa cria redes de colaboração duradouras. Os projetos aprovados, que abrangem todas as áreas do conhecimento, têm duração de até quatro anos e permitem o acesso a infraestruturas complementares e a troca de tecnologias inéditas, alinhando-se aos planos estratégicos de internacionalização da USP.
Para o presidente da Aucani, Sergio Proença, o programa consolidou a França como um parceiro preferencial da instituição. “As características do programa são essencialmente de suporte a missões bilaterais de pesquisadores da USP e de instituições francesas, incluindo a mobilidade de doutorandos com estadas de até 20 dias. Tais características tornaram o programa bastante atrativo, sobretudo para pesquisadores jovens que pretendiam impulsionar uma atividade de colaboração internacional”, destaca.
Ele avalia que, apesar da redução na demanda durante a pandemia, a qualidade das propostas se manteve altíssima e que nos próximos anos pode haver aumento na demanda: “Acreditamos que o processo de renovação do quadro docente da USP, atualmente em curso, deverá implicar retomada da grande atratividade histórica do programa”.
Sergio Persival Baroncini Proença – Foto: EESC-USP
Confira depoimentos de coordenadores com projetos em andamento:
Kamilla Vasconcelos Savasini – Foto: Arquivo pessoal
Inovação em biomateriais para pavimentação
“O projeto foca na inovação aplicada a biomateriais em pavimentação, uma temática central para a infraestrutura sustentável. A interação científica com a equipe francesa tem proporcionado debates técnicos de alta qualidade, acelerando o avanço das pesquisas de ambos os grupos. O benefício é significativo primordialmente para os estudantes de doutorado: a oportunidade de interagir proximamente com pesquisadores estrangeiros possibilita publicações em coautoria, enriquecimento profissional e expansão da rede de contatos. O principal impacto de longo prazo é a consolidação de vínculos institucionais que transcendem a mobilidade, estabelecendo bases sólidas para colaborações estratégicas futuras.” — Kamilla Vasconcelos Savasini, coordenadora do projeto Bio4Roads (Escola Politécnica).
Física de Partículas e ambiente internacional
“Iniciamos em 2025 e já realizamos quatro intercâmbios com o Laboratório de Física da Universidade Paris-Saclay, resultando em colaborações concretas, como um artigo científico sobre física de partículas publicado recentemente. Essas visitas têm sido muito benéficas para criar um ambiente internacional no nosso departamento. Nossos estudantes, ao visitarem um dos grupos mais importantes da Europa na área, vivenciam na prática como funciona a pesquisa de ponta no exterior. Acreditamos que esse intercâmbio terá o impacto de criar uma colaboração duradoura, envolvendo futuras teses de doutorado em cotutela, o que é indispensável para viabilizar a ciência em uma área tão globalizada quanto a nossa.” — Renata Zukanovich Funchal, coordenadora de projeto em Física de Partículas Teórica (Instituto de Física).
Renata Zukanovich Funchal – Foto: Arquivo pessoal
Carlos Alberto Moreno Chaves – Foto: Arquivo pessoal
Exploração sísmica e novas tecnologias oceânicas
“Com o projeto Sealink, em parceria com o Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês), ampliaremos o estudo da estrutura do interior da Terra sob regiões oceânicas. A cooperação é fundamental para acessarmos tecnologias que ainda não dominamos plenamente, como sensores oceânicos e estações de fundo marinho, além de integrar dados de sismologia passiva e ativa. Buscamos entender processos fundamentais, como a Tectônica de Placas e a estabilidade do fundo oceânico, essenciais para prever riscos geológicos e gerir recursos naturais. O legado será a formação de uma nova geração de pesquisadores com perfil internacional, preparados para atuar com grandes volumes de dados e tecnologias observacionais emergentes, posicionando o Brasil estrategicamente na Geofísica Marinha.” — Carlos Alberto Moreno Chaves, coordenador do projeto Sealink (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), aprovado na última chamada.
Avanços no tratamento do câncer de pele
“O apoio do programa foi decisivo para acelerar nosso projeto, permitindo estruturar uma colaboração efetiva com o grupo francês do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm, na sigla em francês) e da Universidade da Costa Azul e, mais recentemente, com o Instituto Curie. A parceria viabilizou o uso complementar de infraestruturas avançadas e o acesso a metodologias indisponíveis localmente. A mobilidade é o componente mais transformador: nossos alunos ampliam repertórios e autonomia científica no exterior, enquanto o grupo francês se beneficia dos modelos de pele humana reconstruídos in vitro que desenvolvemos aqui. O resultado é uma rede de colaboração estável, baseada em confiança e complementaridade, essencial para a internacionalização estruturante da nossa pesquisa.” — Silvya Stuchi Maria Engler, coordenadora de projeto em Biologia Celular e Oncologia (Faculdade de Ciências Farmacêuticas).
Silvya Stuchi Maria Engler – Foto: Arquivo pessoal
Maria Luisa Lucas – Foto: Arquivo pessoal
Resgate histórico e reparação
“Trabalhamos com as coleções etnográficas do casal Claude e Dina Lévi-Strauss. O projeto foi fundamental para acessar arquivos na França e ‘montar o quebra-cabeça’ da trajetória desses objetos, permitindo provar materialmente a autoria da coleção — um dado crucial para a história da antropologia e dos museus. Além da pesquisa, o programa serviu como ponto de partida para captar recursos que viabilizaram a viagem de indígenas Bororo a Paris. Lá eles puderam reencontrar objetos feitos por seus antigos parentes nos anos 1930, identificando peças feitas para a venda e pensando sobre as estratégias que seus antepassados usaram na relação com o casal de antropólogos. O projeto impacta não só a academia, mas também a vida das comunidades e a história da disciplina”. — Maria Luisa Lucas, coordenadora de projeto sobre Coleções Etnográficas (Museu de Arqueologia e Etnologia).
Inteligência artificial no combate à tuberculose
“A colaboração com a Université de Limoges foi estratégica para um projeto desenvolvido no âmbito do Jovem Pesquisador da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo]. A parceria permitiu fortalecer o uso de inteligência artificial na análise de dados sobre o microbioma intestinal e o tratamento da tuberculose, ampliando a inovação metodológica. O intercâmbio presencial, incluindo workshops sobre machine learning ministrados por professores franceses aqui no Brasil, elevou a qualidade das discussões técnicas. A longo prazo, esperamos consolidar uma linha de pesquisa na interface entre farmacocinética e IA, formando recursos humanos com perfil interdisciplinar e alta qualificação.” — João Paulo Ximenez, coordenador de projeto em Farmacologia e Inteligência Artificial (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto).
João Paulo Ximenez – Foto: Arquivo pessoal
Fernando Aith – Foto: Arquivo pessoal
Ética e regulação da inteligência artificial em saúde
“O Programa USP-Cofecub atua como uma ferramenta estratégica indispensável para aprofundar relações acadêmicas de excelência. Por meio da parceria com a Universidade Paris Cité conseguimos avançar significativamente no complexo campo da regulação da inteligência artificial aplicada à saúde. Os resultados dessa cooperação já contribuem de forma expressiva para o debate ético e jurídico no Brasil e na França, demonstrando como a união de esforços internacionais é vital para enfrentar os desafios regulatórios das novas tecnologias globais.” — Fernando Aith, coordenador de projeto em Direito Sanitário e Bioética (Faculdade de Saúde Pública).
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