USP e Fapesp levam tecnologias inovadoras para feira internacional de startups na França

VivaTech é um dos principais eventos de tecnologia e startups da Europa; USP e Fapesp levarão para o evento pesquisadores e tecnologias disruptivas nas áreas de saúde, agricultura, sustentabilidade e inteligência artificial

 05/06/2025 - Publicado há 1 ano     Atualizado: 06/06/2025 às 16:58

Texto: Adriana Cruz

A Viva Technology está em sua 9ª edição, de 11 a 14 de junho, na Porte de Versalhes – Foto: Divulgação/VivaTech

No período de 11 a 14 de junho, a USP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) irão participar da feira Internacional VivaTech, um dos principais eventos de tecnologia e startups da Europa, para apresentar tecnologias disruptivas nas áreas de saúde, agricultura, sustentabilidade, clima, energia, meio ambiente, mobilidade e inteligência artificial produzidas por seus pesquisadores.

Em 2025, a VivaTech tem como abordagem as novas fronteiras da inovação em termos de tecnologia dentro das perspectivas econômica, geopolítica, social e ambiental. No ano passado, a feira recebeu mais de 165 mil visitantes.

Durante os quatro dias de realização do evento, em um estande de 100 metros quadrados, startups e pesquisadores da USP e da Fapesp terão a oportunidade de ampliar conexões estratégicas, aumentar a visibilidade internacional de suas pesquisas e produtos e atrair novos investidores, mostrando a competência brasileira na produção de ciência e da inovação e na geração de soluções aplicadas de alto impacto para o enfrentamento dos desafios globais da atualidade.

A programação do espaço da USP e da Fapesp inclui sessões temáticas de professores e de startups para demonstrações interativas das tecnologias para investidores e o público em geral; experiência de realidade virtual; e exposição de protótipos e maquetes. As startups também participarão de um pitch competitivo. 

Além disso, está prevista uma sessão especial sobre as estratégias de inovação de São Paulo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo, Vahan Agopyan; o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior; e o diretor executivo da Fapesp, Carlos Américo Pacheco; e outra sobre ciência e inovação para um futuro sustentável com apresentação de professores da USP. 

No último dia da feira, 14 de junho, que é aberto ao público em geral, será oferecida uma sessão interativa Conversa com Estudantes, focada em oportunidades em três áreas temáticas: Inteligência Artificial; Saúde e Bem-Estar; e Tecnologia Climática, Transição Energética e Sustentabilidade.  A ideia é proporcionar um espaço envolvente e informal para professores e pesquisadores compartilharem suas trajetórias pessoais e acadêmicas, destacarem os papéis da USP e da Fapesp na ciência e tecnologia globais e inspirarem futuros talentos interessados em estudar ou colaborar com o Brasil.

Carlos Gilberto Carlotti Junior - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“A USP é responsável por 20% de toda a produção científica brasileira. Em termos de inovação, em 2024, 164 startups surgiram na USP, além da formação de 43 empresas spin-off. Mais de 3 mil empresas foram criadas por ex-alunos, refletindo a mentalidade empreendedora e o espírito de vanguarda presentes no DNA da USP. É esse DNA que queremos mostrar na feira, dando visibilidade internacional a pesquisas de ponta desenvolvidas na Universidade e fomentadas pela Fapesp”, considera o reitor.

Tecnologias das startups

A USP e a Fapesp levarão 20 startups para a VivaTech. Pela USP, participarão da feira: 

  • Blantron: dispositivos portáteis e de baixo custo para instrumentação elétrica e eletrônica com foco em ensino e pesquisa;
  • Carbonic: processos para conversão do dióxido de carbono em metanol;
  • Carbon to Carbon Technologies: reator eletroquímico capaz de transformar dióxido de carbono em moléculas de alto valor agregado com intensidade de carbono negativa; 
  • IOZ Biiotech: plataforma viral, baseada na engenharia genética do vírus da zika, capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e entregar terapias diretamente no sistema nervoso central;
  • Mirscience Therapeutics: terapias inéditas com base em RNA para tratar perda muscular relacionada à idade;
  • MOF Tech: nanomateriais para agricultura regenerativa; 
  • Multiscale Solutions: soluções computacionais para simulação e otimização de materiais em nível atômico e molecular; 
  • Tissue Labs: plataformas de bioimpressão 3D e biomateriais que aproximam a ciência da criação de órgãos humanos viáveis para transplante;    
  • Treetronics: serviço inédito de consultoria em poda de árvores baseado em escaneamento digital e modelagem computacional;
  • Xinfax Health Care: hidrogel com bacteriófagos voltado ao tratamento de infecções bacterianas, especialmente às causadas por cepas resistentes aos antibióticos.
Foto: Divulgação InovaLab Poli

Pela Fapesp, estarão na VivaTech:

  • Occellot: soluções críticas para aplicações de defesa e aeroespacial, como baterias aeronáuticas, supressores de surtos e sistemas de comando e controle;
  • Onkos: teste molecular para diagnóstico e prognóstico de tumores de tireoide que já é comercializado em mais de 30 países;
  • 3D Biotech: tecnologia de impressão de tecidos artificiais com vascularização. A solução permitirá a reprodução de órgãos bioimpressos a partir de células do próprio receptor;
  • Cor.Sync: teste quantitativo ultrassensível para o diagnóstico rápido de infarto;
  • Mabe: biotecido de angico, um material desenvolvido integralmente a partir de plantas nativas brasileiras;
  • Future Cow: tecnologia para produzir proteínas do leite, como a caseína e o whey protein, sem vacas;
  • Autaza: sistema baseado em visão computacional e inteligência artificial para identificar automaticamente defeitos de aparência em peças plásticas, metálicas e em materiais compósitos;
  • Ideelab: soluções sustentáveis baseadas em peptídeos e proteínas para combater patógenos que ameaçam as principais culturas agrícolas cultivadas no Brasil, como a soja e citrus;
  • In Situ: biocurativo, produzido por impressão 3D a partir de células derivadas do cordão umbilical humano, que acelera a recuperação de lesões cutâneas e a cicatrização;
  • Imunotera: proteína sintética com a capacidade de estimular o sistema imunológico e eliminar tumores causados pelo papilomavírus humano (HPV).

No dia 13 de junho, nove startups participarão do pitch competitivo intitulado De São Paulo para o mundo: empreendimentos de inovação
científica para impacto global
no qual farão apresentações de dois minutos sobre a ideia do negócio para uma banca julgadora, composta de representantes da USP, da Fapesp, do Governo de São Paulo e da VivaTech. 

As startups serão avaliadas de acordo com critérios como relevância de solução, originalidade de solução, qualidade e impacto positivo. Serão concedidos três prêmios às mais bem avaliadas:

  • São Paulo Women in Tech Award: premiação voltada para a startup que se destaca por ter liderança feminina ou atuação relevante de mulheres, promovendo a equidade de gênero e a diversidade na inovação;
  • Global Impact Award: premiação para a startup com maior potencial de impacto internacional, reconhecendo soluções com escala global e capacidade de atrair parcerias estrangeiras; 
  • Brazil’s Competitive Edge Award: premiação para a startup que melhor representa as vantagens competitivas do Brasil, aproveitando características locais para criar soluções de destaque.

Centros de excelência

A programação no estande da USP e da Fapesp inclui também a participação de professores da Universidade que apresentarão as tecnologias desenvolvidas por seus centros de excelência, como o tratamento com células CAR-T para tratamento de linfoma e leucemia; o MAP Biomas Atmosfera, sistema que dá acesso a dados que permitem a análise de uso do solo na região amazônica; a produção sustentável de hidrogênio a partir do etanol, em um projeto de P&D da Shell Brasil (financiado com recursos da cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo – ANP) para possibilidade de futura aplicação em setores industriais de difícil descarbonização e para o abastecimento de veículos; o projeto digital Yegatu, que desenvolve ferramentas de leitura e escrita para línguas indígenas amazônicas; e a tecnologia fotônica desenvolvida para eliminar a resistência de bactérias a antibióticos em casos graves de pneumonia.  

Os visitantes também poderão participar de uma experiência multissensorial que simula a floresta amazônica, com estímulos visuais, sonoros e olfativos. A iniciativa é do laboratório Digital Lab, ligado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI, na sigla em inglês) da USP, e conta com a parceria da empresa brasileira de cosméticos e
perfumes Natura, que desenvolveu o som para promoção do bem-estar e a fragrância utilizada na experiência.

Digital Lab – Foto: RCGI/USP

Em conjunto com a empresa global de energia integrada TotalEnergies, a USP vai apresentar dois projetos na feira: uma nova geração de ferramentas para gerar imagens mais detalhadas da subsuperfície e identificar com precisão reservatórios de petróleo em regiões complexas, como o pré-sal, batizado de Avenir (Anisotropic ViscoElastic Numerical Inversion Research); e o Sistema Agri-PV, que combina a produção de energia solar com a produção de alimentos e a adaptação às mudanças climáticas e propõe um modelo sustentável de uso da terra, unindo produção de alimentos e eletricidade.

Uma parceria da USP com a Acelen, empresa de energia renovável, levará para o evento o projeto de produção de biocombustíveis a partir da macaúba, planta nativa do Cerrado brasileiro não domesticada. A iniciativa visa à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável.

Em cooperação com a Shell Brasil e o apoio da ANP, a USP também levará ao estande o projeto de criação de “sondas florestais inteligentes”, dispositivos de baixo custo e alta precisão que, distribuídos em enxames, captam dados ambientais como concentração de CO₂, temperatura, umidade e outros parâmetros cruciais para a compreensão da biodiversidade e do papel das florestas no combate às mudanças climáticas. 

A Eve Air Mobility, spin-off da Embraer, empresa dedicada ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o mercado de mobilidade aérea avançada (AAM), apresentará uma maquete de seu eVTOL, veículo elétrico de decolagem e pouso vertical, projetado para operar com zero emissões locais em ambientes urbanos. Com fabricação prevista na cidade de Taubaté, em São Paulo, em instalações movidas por energia renovável, a empresa também está desenvolvendo um software único de gerenciamento de tráfego aéreo urbano, o Vector, além de um pacote de serviços e soluções de operação e suporte (TechCare).

Sessão especial

No dia 11 de junho, a USP vai promover uma sessão especial, das 12h30 às 14h30, com o tema Estratégias do Estado de São Paulo para um Hub Global de Tecnologia, que contará com a presença do secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan; do reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior; e do diretor executivo da Fapesp, Carlos Américo Pacheco. 

Em seguida, professores da Universidade apresentaram a sessão Ciência e Inovação para um futuro sustentável, na qual serão abordadas questões relacionadas ao clima, com Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF); à inteligência artificial, com Fábio Cozman, da Escola Politécnica (Poli); à transição energética, com Julio Meneghini, da Poli; aos combustíveis sustentáveis, com Carlos Labate, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq); a sistemas eletrônicos, com Marcelo Zuffo, da Poli; e a óptica e ciências da saúde, com Vanderlei Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC).

Participação inédita

O acordo com a Viva Technology foi firmado em novembro do ano passado, quando uma delegação da USP, liderada pelo reitor da USP, esteve na França para assinar acordos com universidades e fortalecer parcerias. Esta é a primeira vez que a Universidade e a Fapesp participam da feira, que está em sua 9ª edição e acontecerá em Paris, na Expo Porte de Versalhes. 

Startup na VivaTech – Foto: Divulgação/VivaTech

A presença inédita da USP e da Fapesp em uma feira global como a VivaTech — ao lado de delegações de dezenas de países — exigiu um esforço de coordenação à altura do desafio. Coube ao RCGI da USP organizar a participação institucional da Universidade e da fundação no evento, desde a concepção do estande até a curadoria de tecnologias e a programação de atividades. 

“Coordenar a participação da USP e da Fapesp na VivaTech é uma oportunidade estratégica para posicionar a ciência e a inovação produzidas no Brasil em um dos principais palcos internacionais de tecnologia. O RCGI assumiu esse papel com o compromisso de valorizar as startups participantes, ampliar conexões globais e contribuir para que a USP e a Fapesp mostrem ao mundo a força de seu ecossistema de pesquisa, empreendedorismo e soluções para os desafios ambientais e sociais”, afirma o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini.

Julio Romano Meneghini - Foto: Maria Leonor de Calasans/IEA-USP

A programação completa da feira está disponível no site do RCGI. A partir da próxima semana, acompanhe a cobertura especial da participação da USP e da Fapesp na VivaTech nas redes sociais da USP – no Instagram e no LinkedIn – e na Rádio USP.


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