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Atletas da argumentação: brasileiros se destacam na maior competição de debates universitários do mundo
USP chega à final do maior torneio internacional de debates e consolida grupo que há 10 anos transforma alunos de diferentes cursos em oradores e pensadores críticos
Equipe do USP Debate no Campeonato Mundial de Debates Universitários, na Cidade do Panamá - Foto: Instagram/USP Debate
Você já parou para pensar que debater, além de uma arte, também pode ser considerado um esporte? Organizar argumentos, antecipar contra-ataques e lançá-los com precisão em uma arena de ideias é uma modalidade levada a sério por estudantes da Sociedade de Debates da USP (USP Debate), da mesma forma que um atleta ensaia jogadas no basquete ou no futebol.
Foi com essa mentalidade que a USP teve uma participação histórica no World University Debating Championship (WUDC) 2025, o maior torneio internacional de debates universitários. Pela primeira vez, uma equipe brasileira chegou à final na categoria English as a Foreign Language (EFL), destinada a participantes cujo inglês não é a língua materna e que possuem um nível intermediário ou avançado no idioma. Já para aqueles considerados fluentes, mas ainda não nativos, existe a categoria English as a Second Language (ESL), explicam os membros do grupo.
Para eles, a participação consolida a USP como uma potência emergente no circuito global da oratória competitiva. “A USP Debate completou 10 anos de existência, e desde o início nossa proposta era desenvolver as pessoas no nível de comunicação”, conta Caio Moura Castro, aluno da Escola Politécnica (Poli) da USP, atual presidente da USP Debate, a Sociedade de Debates da USP. “Embora o cenário no Brasil ainda seja pouco disseminado, a participação nesta competição internacional, que ocorre desde os anos 1980, demonstra o avanço e o potencial crescente do esporte no País”, revela ele.
A edição de 2025 do WUDC aconteceu presencialmente e teve ampla transmissão, o que deu ainda mais visibilidade ao feito dos estudantes brasileiros.
“Subimos no palco com a bandeira do Brasil, com a bandeira do USP Debate”, relembra Fernando Meylan, também estudante da Poli. “Foi uma competição presencial, com transmissão [on-line], e isso deu uma dimensão maior para a nossa participação”, afirma.
Para os estudantes, a importância do torneio vai além da vitória em si. Segundo Gabriela Rocha, membro da Sociedade e estudante de Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), “a USP representa o que é o debate no Brasil para o mundo. Pessoas de outras universidades, de outros países, reconhecem isso. A final concretiza o que temos feito no cenário brasileiro”.
Uma Sociedade de Debates na USP
Criada em 2014, a USP Debate completa uma década promovendo a prática argumentativa entre os estudantes da Universidade. O grupo reúne alunos de diversas áreas do conhecimento e realiza treinamentos semanais para competições nacionais, realizadas em português, e internacionais, que podem ocorrer em inglês.
“Uma coisa muito legal [do grupo] é a diversidade”, explica Fernando Meylan. “Temos muita gente do Direito, Relações Internacionais e da Letras, mas o grupo não é exclusivo. Temos gente de Economia, de Engenharia, de todos os lugares.” Para ele, essa pluralidade fortalece a qualidade dos debates, já que “isso naturalmente implica argumentos diferentes, visões diferentes, naturezas diferentes dentro do debate”.
Além dos treinos e da participação em competições, o grupo tem um forte viés educativo e se faz presente antes mesmo dos estudantes entrarem na graduação. “A gente dá aula em escolas, faz curso on-line para crianças”, explica Caio Castro.
Não por acaso, foi assim que a Gabriela conheceu a equipe. “Quando eu estava no ensino médio, quem julgou a primeira rodada de um campeonato de debates [que a estudante estava participando] foram o Caio e o Fernando. Assim que eu passei na USP, recebi uma mensagem deles para participar”, lembra ela.
Treinamento de atleta
A preparação para um torneio como o WUDC exige dedicação e estratégia. Os debates seguem o formato British Parliamentary, no qual quatro duplas defendem diferentes lados de um tema, que pode variar de geopolítica a filosofia.
Os treinos incluem sessões regulares de argumentação, amistosos com outras universidades — como a Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, e a Faculdade de Rosário, na Argentina — e simulações intensivas. O esforço se reflete nos resultados: além da final no WUDC, a equipe tem acumulado títulos nacionais nos últimos seis anos.
A experiência no campeonato global também abriu portas para novas oportunidades. “No Mundial, tivemos a chance de ajudar a organizar o Brazil Open, que deve acontecer em maio, e conseguimos divulgar muito melhor o nosso trabalho”, afirma Castro.
Atualizado em 11/04/2025
Você sabe o que é o debate competitivo?
O que é?
O debate competitivo é uma forma estruturada de argumentação, com regras claras e critérios de julgamento. Assim como nos esportes, os participantes treinam estratégias para construir argumentos e rebater adversários.
Como funciona?
O modelo mais praticado é o British Parliamentary (BP), adotado em competições universitárias no mundo todo. Nele, quatro duplas defendem diferentes lados de um tema, com discursos cronometrados. Para estudantes do ensino médio, há o formato Schools.
Sobre o que se debate?
Os temas variam entre política, economia, filosofia, direito e até cultura pop. Os participantes precisam construir argumentos sólidos, independentemente da posição que sortearem.
Quem pode participar?
Qualquer estudante da USP, de qualquer curso. A diversidade de ideias é um dos pilares do grupo.
Como posso entrar?
Acompanhe os processos seletivos no Instagram do USP Debate: @usp.debate
Fonte: FAQ do site oficial – https://www.uspdebate.com.br
Impactos na vida profissional e pessoal
Para os membros da USP Debate, participar do grupo não é apenas uma atividade extracurricular — é um aprendizado que influencia diretamente a trajetória acadêmica e profissional. “Você cresce muito, tanto pessoalmente quanto em termos de soft e hard skills“, comenta Gabriela Rocha. “É muito bom para crescimento, oportunidades e acolhimento”, complementa ela.
De acordo com Meylan, que é estudante de Engenharia, a participação também enriquece o convívio com pessoas com quem ele não se depararia nos corredores da faculdade: “No caso da Poli, isso nos dá um viés positivo, nos faz encontrar outras pessoas e ir além dos nossos grupos, impactando tanto a vida pessoal quanto a profissional”, afirma.
O impacto do debate é tão significativo que, em alguns casos, ele muda até os rumos acadêmicos dos estudantes. Um exemplo é Guilherme, finalista na última edição do WUDC. “Ele começou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde estudava Direito. Pelo movimento de debates, conheceu a USP Debate e o curso de Relações Internacionais, mudou de curso e veio para São Paulo.”
Para os três estudantes, a ascensão da USP no circuito internacional de debates mostra que, no Brasil, a oratória acadêmica está ganhando força. Contudo, na opinião deles, que representam o País nessa arena, vencer um torneio não é o único objetivo. A ideia é que, por meio do debate, os participantes possam se tornar pessoas mais críticas.
“Você precisa ser capaz de quebrar problemas e analisá-los de maneira minuciosa. Como tomar decisões? Quais são as razões? Além de persuadir, queremos criar modelos mentais para desconstruir problemas e chegar a conclusões”, explica Caio Castro. “Como profissional, é importante ser seu próprio ‘advogado do diabo’. No debate competitivo, você vai ser obrigado a discordar de si mesmo e do seu colega. A ideia é gerar empatia”, conclui ele.
Acompanhe o grupo USP Debate pelo site https://www.uspdebate.com.br e pelo Instagram @usp.debate.
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