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Quem anda pelo campus de São Paulo, incluindo a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e as unidades localizadas no Quadrilátero Saúde/Direito, consegue observar uma mudança na paisagem, com novas obras que foram concluídas e a movimentação de pessoas trabalhando na reforma de espaços ou na construção de novos prédios.
Desde 2022, a USP vem passando por um processo de construção e de modernização de sua infraestrutura. Investimentos têm sido feitos em obras estratégicas, que já foram concluídas, estão em andamento, já foram autorizadas ou estão em fase de planejamento, incluindo intervenções de pequeno, médio e grande porte destinadas ao atendimento das demandas acadêmicas e administrativas da Universidade, além de projetos voltados à adequação para a acessibilidade, para a prevenção e o combate a incêndios e para a sustentabilidade.
“A USP passou por um período de desequilíbrio orçamentário, em que foi necessário que ajustes fossem feitos em relação à infraestrutura dos campi, inclusive com a suspensão de obras que já estavam em andamento. Ao assumir a gestão, uma das primeiras ações que adotamos foi a elaboração de um planejamento para que pudéssemos investir recursos nessa alínea, levando em conta os Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da Universidade e de forma a atender às principais demandas das escolas, das faculdades e dos órgãos administrativos”, afirma o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior.
No campus de São Paulo, há estimativa de mais de 330 intervenções que foram, estão sendo ou serão realizadas em todas as Unidades de Ensino e Pesquisa e órgãos até o final de 2025, segundo dados obtidos pelo Jornal da USP junto à Superintendência do Espaço Físico (SEF) da USP, à Prefeitura do Campus Capital-Butantã e à Prefeitura do Quadrilátero Saúde/Direito. Desde 2022, de acordo com a SEF, estão sendo investidos recursos que irão ultrapassar a cifra de R$ 1 bilhão, incluindo a previsão de investimentos para 2025.
“Atualmente, as maiores necessidades da Universidade no que tange à infraestrutura estão relacionadas à construção e à requalificação dos espaços de ensino, à implantação de ambientes e equipamentos de convívio da comunidade acadêmica nos campi, à melhoria física dos blocos do Conjunto Residencial da USP [Crusp], além de novos laboratórios e a requalificação das bibliotecas. Também há a necessidade de adequação das edificações quanto à acessibilidade e para a obtenção de AVCB [auto de vistoria do corpo de bombeiros], o que deve ser feito de forma periódica, e dos planos de manutenção, operação e controle, os chamados PMOC, que são exigências da Coordenadoria de Vigilância em Saúde Municipal, a Covisa”, explica o superintendente da SEF, Miguel Antonio Buzzar, que também é professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos.
Segundo ele, “as cerca de 330 obras incluem, além da construção de novos prédios e reforma dos espaços, inúmeras intervenções de troca, reparos e manutenção de coberturas, de instalação de elevadores e plataformas, de adaptações visando à acessibilidade, de reformas em ambientes, reparos e troca de instalações elétricas, hidráulicas, de segurança, de sistemas e de aparelhos de ar condicionado”.
Uma das primeiras obras concluídas no rol dos projetos foi a reforma complementar e novas instalações do Edifício de Pesquisa do Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina (FM), finalizada em 2022. Confira, na galeria abaixo, algumas das obras concluídas.





Retomada das obras
Duas importantes obras estão previstas para serem retomadas este ano: a execução da primeira etapa da reforma para completar e adequar os edifícios da Praça dos Museus e a execução da primeira fase para a conclusão do edifício do Centro de Convenções. O superintendente do Espaço Físico relata que “estas obras ficaram paralisadas por dez anos e, nesse período, várias modificações quanto à acessibilidade e à proteção e combate a incêndios ocorreram, além de inovações técnicas de automação, que precisam ser incorporadas aos projetos dessas edificações. Em função disso, a retomada se inicia com a contratação de projetos de complementação e atualização para posterior contratação das obras”.
Na Praça dos Museus, cujo projeto arquitetônico é do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, será concluído o edifício do Museu de Arqueologia e Etnografia (MAE), cujas obras foram paralisadas em estágio avançado, e serão erguidos o Museu de Zoologia (MZ), a praça entre as edificações e a rua aérea de acesso, que funcionará como um eixo de articulação e de conexão entre os museus, além de galeria de exposição elevada do solo, integrando os ambientes de expositivos.
Vista do prédio do Centro de Convenções, cuja obra deverá ser retomada neste ano – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
“Trata-se de um projeto excepcional e de grande complexidade, incluindo obra bruta em concreto armado aparente, mezaninos metálicos, instalações diversas e um acabamento diverso e refinado, como tratamento acústico de paredes, pinturas, instalação de forros, revestimentos de pisos e instalação de piso elevado, instalação de sistema central de ar condicionado, sistema de combate e proteção contra incêndio, automação e segurança, instalação de brises metálicos e revestimento em alumínio, guarda-corpos, entre outros”, considera Buzzar.
Em relação ao Centro de Convenções, projeto elaborado pelo arquiteto Paulo Bruna, prevê-se a conclusão da primeira fase do edifício, adaptando-o tanto para o uso original como, também, tornando-o flexível para abrigar novos usos em função das atuais necessidades da Universidade. Além dos serviços próprios da edificação, será executado um novo sistema viário, com viadutos e alças de acesso, cortinas de contenção e estacionamentos externos. Prevê-se que, ainda este ano, as obras das duas edificações possam ser iniciadas.
Outras obras, ligadas à Escola de Comunicações e Artes (ECA), tiveram início em 2023 e têm previsão de término ao longo de 2025: o edifício da Criateca, localizado na área de vivência da escola; a reforma e a ampliação do Teatro Laboratório; e a reforma de parte do Espaço das Artes, incluindo a adequação do espaço de ensaios da Orquestra de Câmara (Ocam).
Conquistas para o ensino
Na Faculdade de Direito, um novo edifício, localizado no número 201 da Rua Riachuelo, que já está em fase de construção, vai abrigar a nova biblioteca da unidade. O prédio terá mais de 4.300 metros quadrados distribuídos em 14 pavimentos, com conclusão prevista para o final deste ano.
“A futura Biblioteca da Faculdade de Direito representa uma enorme conquista. Nosso acervo de obras jurídicas é o maior e mais antigo do País. Remonta ao ano de 1825, ou seja, dois anos antes da criação dos cursos jurídicos no Brasil. São mais de 500 mil títulos que cobrem todas as áreas do Direito. Ficarão acomodados em espaços dotados das mais modernas técnicas de preservação das obras, inclusive da parte digital e de obras raras. Os espaços para consulta, estudo e reuniões serão modernos e confortáveis. Enfim, o salto de qualidade será muito significativo”, avalia o diretor da Faculdade, Celso Campilongo.
Um novo edifício, localizado no número 201 da Rua Riachuelo (no destaque, à direita), que já está em fase de construção, vai abrigar a nova Biblioteca da Faculdade de Direito – Foto: Equipe técnica SEF / Projeto: Acervo FD
Outra obra que está em andamento, e deverá ser concluída no segundo semestre deste ano, é o novo edifício para o Centro Didático das Químicas, que abrigará um conjunto de espaços dedicados ao ensino e contará com a participação de várias unidades da USP: o Instituto de Química (IQ), a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), o Instituto Biociências (IB) e o Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica (Poli). O novo prédio terá mais de 7.500 metros quadrados e contará com auditórios, salas de aula, de reuniões e de trabalho e um espaço de aprendizagem inovativa, voltado para o desenvolvimento de projetos pelos alunos, conhecido como labmaker.
“O edifício foi projetado e está sendo planejado para atender às mais modernas metodologias de ensino de variados cursos da USP e das unidades parceiras, com salas amplas, anfiteatros e uma grande área de recepção e vivência. O Centro Didático receberá estudantes de cerca de 15 unidades da USP, gerando um ecossistema de convivência e integração, favorecendo o conhecimento, a criatividade e o crescimento pessoal e coletivo”, pondera o diretor do IQ, Pedro Vitoriano de Oliveira.
O novo prédio para o Centro Didático das Químicas terá mais de 7.500 metros quadrados – Foto e imagem: Equipe técnica SEF
Neste ano também foram iniciadas as obras de reorganização espacial, requalificação arquitetônica e implantação de novo acesso do edifício principal do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG); da construção de passarela de ligação dos edifícios da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e, em breve, terão início as obras de ampliação e reforma parcial do Edifício das Ciências Sociais e Filosofia, para abrigar o novo Bloco Didático da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), com aumento de área de mais de 4.700 metros quadrados, incluindo a construção de dois auditórios para 400 pessoas e um restaurante. Confira, abaixo, a galeria de imagens dos novos projetos e algumas das obras que estão planejadas para terem início em 2025:




O novo prédio didático do Instituto de Matemática e Estatística (IME) terá 5.500 metros quadrados, com espaços para o desenvolvimento de iniciativas inovadoras na área de ensino, pesquisa e extensão promovidas pelos alunos do Instituto, além de salas de estudo e trabalho, salas didáticas integráveis, auditórios, espaço labmaker, salas de discussão, espaços de convívio e cafeteria.
Outra obra a ser iniciada é a da reforma do Edifício Paula Souza da Escola Politécnica (Poli). “Esta obra tem um porte excepcional, com a projeção da cobertura do edifício, a maior da Cidade Universitária, com quase 13.800 metros quadrados e que, há anos, vem apresentando problemas. Ainda que não haja riscos maiores, de forma preventiva, decidiu-se substituir toda a cobertura e reformar, requalificando e modernizando o conjunto das instalações e ambientes”, explica Buzzar.
“Para o cotidiano de muitas unidades, a correção de uma cobertura de uma sala de aulas ou de um laboratório é tão importante quanto a construção de um edifício novo. A amplitude e diversidade dos serviços é muito grande. A meta é a de constituir um sistema de facilities, cujo princípio norteador é tornar os ambientes de estudo e trabalho perfeitamente adequados para esses usos de forma contínua e ininterrupta. Isto não será conseguido a curto prazo, mas as ações vão neste sentido. O compromisso da atual gestão é o de propiciar que a USP garanta as bases para uma continuidade a longo prazo desse objetivo”, destaca o superintendente do Espaço Físico.
Conjunto residencial
O Conjunto Residencial da USP (Crusp) também está passando por reforma, que deverá ser concluída até maio deste ano. O bloco D do Conjunto, que contempla 4.750 metros quadrados distribuídos em sete pavimentos, está passando por uma obra de reforma que visa à manutenção corretiva do edifício, adequando-o às necessidades de segurança, acessibilidade e qualidade do espaço construído.
Prevê-se, ainda, a remodelação dos apartamentos e a criação de uma área de convívio e estudos. Além disso, a SEF está realizando a impermeabilização das coberturas e a reestruturação do sistema de escoamento de águas pluviais dos seis prédios que compõem o Crusp.
O Conjunto Residencial da USP (Crusp) também está passando por reforma, que deverá ser concluída até maio deste ano – Foto: Equipe técnica SEF
Reciclagem e corredor verde
Está sendo construída a Estação de Triagem de Materiais Recicláveis, que vai atender o campus do Butantã. O espaço também deverá ser utilizado para projetos de extensão, ensino e pesquisa de várias unidades da USP. O galpão principal ocupará uma área de 877 metros quadrados e terá banheiros, escritório, copa, almoxarifado e oficina.
“A Estação será operada por uma associação de coletores de materiais recicláveis, composta por membros da comunidade do Jardim São Remo, vizinha ao campus. A Prefeitura do Campus, com apoio da Fusp [Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo] montou uma rede de apoio para a organização da associação e a capacitação de seus integrantes. Além disso, as instalações também poderão abrigar projetos de extensão, ensino e pesquisa de unidades da USP interessadas em analisar a gestão de resíduos sólidos urbanos. Com a operação da estação, a Prefeitura do Campus espera aumentar o destino adequado de materiais recicláveis disponíveis no campus e, ao mesmo tempo, criar mais uma fonte de renda à comunidade São Remo”, ressalta o vice-prefeito Wagner Costa Ribeiro.
O corredor verde é um longo jardim formado por espécies nativas dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado brasileiro – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Outro projeto importante ligado à Prefeitura do Campus é a implantação do corredor verde, um longo jardim formado por espécies nativas dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado brasileiro, que marca a fronteira entre a Cidade Universitária e a Marginal Pinheiros, uma das principais vias expressas da cidade de São Paulo.
“A proposta do corredor verde é que proporcione simultaneamente conforto ambiental e paisagístico, melhores condições de drenagem, controle da poluição do ar e do ruído, levando em consideração os menores custos e trabalhos futuros de manutenção. Uma vegetação de espécies não tóxicas nem agressivas – e, sempre que possível, autóctone, já foi plantada em metade da área e será implantada na segunda metade, obra que havia sido interrompida por ação civil do Ministério Público e que agora já foi liberada, em 2025”, diz a prefeita do Campus Capital-Butantã, Raquel Rolnik.
Convivência e integração
Um novo projeto iniciado na atual gestão da Reitoria é o Programa Pertencer, que é uma ação de planejamento socioambiental da USP que valoriza os ambientes dos campi, apoiando projetos de uso e ocupação de áreas externas como locais de inclusão, acolhimento e pertencimento. Os espaços, todos compostos de materiais sustentáveis, incentivam o convívio e a troca de ideias na comunidade uspiana. Ao todo, está prevista a inauguração de 36 centros de convívio, oferecendo estruturas com pontos de energia, internet, bancos e paisagismo, além de, em alguns casos, banheiros e alimentação.
O mais recente espaço inaugurado está localizado na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
Já foram inaugurados centros nos campi de Pirassununga, Ribeirão Preto, Bauru e São Carlos. Na capital, além do Araucárias, na Praça do Relógio, também foram inaugurados centros de vivência na Escola Politécnica (Poli), na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e, o mais recente, na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE), localizado no espaço externo da antiga lanchonete. Também está prevista a implantação de uma Praça de Convivência na Escola de Enfermagem (EE) e outra na Faculdade de Saúde Pública (FSP), com início das obras ainda neste ano. Confira, abaixo, a galeria de imagens dos projetos.




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