Há 20 anos surgia um novo campus da USP na zona leste de São Paulo

Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP foi criada para contemplar os moradores da região, oferecendo uma infraestrutura completa e moderna e, principalmente, ensino de excelência

 26/02/2025 - Publicado há 1 ano     Atualizado: 06/03/2025 às 8:13

Texto: Claudia Costa

Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

Fundada em 27 de fevereiro de 2005, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) está completando 20 anos de existência, e ainda hoje mantém seu princípio norteador: promover uma forte interação com as comunidades da zona leste. Localizada no bairro Ermelino Matarazzo, possui fácil acesso ao campus através da estação de trem da CPTM USP-Leste. Segundo o professor titular e diretor da EACH Ricardo Ricci Uvinha, essa interação sempre foi um dos pilares da unidade, visando fortalecer o impacto social da Universidade na região. “Nos últimos anos, a atuação da EACH tem sido ampliada, tanto em termos de cursos e pesquisas quanto em ações comunitárias”, afirma.

O diretor conta que projetos voltados à sustentabilidade, inclusão e inovação tecnológica têm aproximado ainda mais a Universidade dos bairros circunvizinhos. Para avaliar a situação atual da EACH, Uvinha diz que seria interessante considerar fatores como investimentos em infraestrutura, expansão de programas acadêmicos e impacto dos projetos na comunidade.

“Neste sentido, temos trabalhado intensamente para obter atendimento das demandas da unidade junto aos órgãos centrais da USP, agências de fomento e diversos apoiadores conquistados nestes últimos 20 anos”, destaca. E para celebrar a data, está sendo programado um grande evento no final de março e ao longo de 2025 serão realizadas diversas atividades comemorativas.

Professor Ricardo Ricci Uvinha, Vice diretor da EACH e um dos pesquisadores envolvidos no estudo - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Ricardo Ricci Uvinha, diretor da EACH - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

No total a EACH oferece 11 cursos de graduação que contemplam as diversas áreas do conhecimento, de Moda e Turismo a Biotecnologia, além de cursos de pós-graduação e projetos de extensão universitária. A cada ano, são 1.020 vagas preenchidas por meio do vestibular realizado pela Fuvest. Com uma infraestrutura completa de laboratórios temáticos e integrados, biblioteca com equipamentos modernos. Além disso, o diretor diz que a EACH tem se empenhado em melhorar sua infraestrutura e oferecer melhores condições para alunos, funcionários e docentes, incluindo reformas em instalações e a ampliação de espaços para atividades acadêmicas e de extensão.

Sobre os números da unidade, o diretor, que cumpre sua segunda gestão (2022-2026 como diretor e no período de 2018-2021 como vice-diretor) faz um balanço: em 2024, foram mais de 4 mil alunos matriculados, formando desde sua fundação um total de 8.944 estudantes até o primeiro semestre deste ano. Os cursos de pós-graduação, com áreas de concentração que incluem Bioquímica e Biologia Molecular; Mudança Social e Participação Política; Ciências da Atividade Física; e Estudos Culturais, tiveram 263 ingressantes regulares, além de 504 novos alunos em doutorado direto. em 2024. Além disso, foram realizadas no ano passado 228 defesas. 

Alunos em sala de aula da EACH no campus da Zona Leste - Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

Aula em laboratório - Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

Estudantes no campus - Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

Este é meu terceiro ano como aluno da EACH e, se eu tivesse que resumir minha experiência até aqui em uma palavra, seria: enriquecedora. Por ser um campus menor, há um intenso fluxo de ideias entre as diversas áreas e cursos. Essa troca, aliada a um ambiente leve e produtivo, torna a vida na EACH, de fato, enriquecedora."

Gabriel Oliveira, aluno do 3o. ano do curso de Têxtil e Moda - Foto: Arquivo pessoal

Trabalhar na EACH é uma grande alegria, pois é um espaço com o qual me identifico muito. Lidar com pessoas e públicos diversos, desde trabalhadores terceirizados até convidados estrangeiros, torna meu trabalho dinâmico, além de permitir o contato com outras equipes da escola. A EACH é minha casa, e tenho prazer em falar sobre meu trabalho aqui."

Vanessa Lino, funcionária da área de eventos da EACH - Foto: Thais Santos

Como pesquisadora que desenvolveu seu doutorado nesta escola, encontrei um ambiente que verdadeiramente pratica a interdisciplinaridade. A EACH me permitiu investigar fenômenos sociais complexos através de múltiplas perspectivas teóricas, resultando em uma pesquisa que recebeu reconhecimento internacional."

Beatriz Besen, egressa do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH - Foto: Reprodução/Linkedin

O diretor comenta também sobre as atividades culturais e esportivas, em que a EACH propõe desenvolver diversos programas de extensão, como cursos de aperfeiçoamento e projetos de pesquisa voltados para a solução de problemas locais, além de proporcionar maior acesso às facilidades laboratoriais em diversas áreas, como ciências, artes, informática, sensoriamento remoto e ensino de línguas. “No ano de 2024 foram oferecidos, para a comunidade interna e externa, 31 cursos de extensão, entre difusão, atualização e especialização, somando 4.763 participantes. Foram oferecidas também atividades físico-esportivas, disciplinas regulares, atividades culturais dentro do programa USP 60+, no qual aproximadamente 2 mil inscritos concorreram às 47 atividades”, informa o diretor. 

Voltando ao princípio norteador da EACH, Uvinha ressalta a realização de atividades que estimulam fortemente a participação da comunidade interna e externa, citando como exemplo a Festa do Livro no Campus Leste, Vai ter Menina na Ciência e a Corrida/Caminhada do Circuito USP/Etapa Campus Leste. “Assim, destaca-se que a EACH mantém uma forte presença na Zona Leste de São Paulo por meio de diversas atividades de extensão, especialmente nas áreas esportiva e cultural”, reitera, e acrescenta que “a Universidade tradicionalmente promove projetos e eventos que envolvem a comunidade, incentivando a prática esportiva, o bem-estar e a valorização cultural na região”.

Visão aérea do campus da USP Leste - Foto: Gabriel Almeida/EACH-USP

Espaços e prédios no campus - Foto: Gabriel Almeida/EACH-USP

Projetos de destaque

O Cursinho Popular EACH-USP tem como objetivo oferecer preparação para o vestibular e acessibilidade à educação superior. O diretor enfatiza que é um cursinho pré-vestibular 100% gratuito, voltado a jovens de baixa renda provenientes de escolas públicas da zona leste de São Paulo. Coordenado por estudantes da EACH, inicialmente atendia 60 alunos no período da tarde, lembra o diretor, mas, diante da demanda da região e contando com o apoio da direção, foi criado mais um período, ampliando a oferta para uma turma noturna e passando a atender 120 estudantes. Uvinha destaca ainda os plantões de dúvidas e os projetos que proporcionam aprendizado fora das salas de aula. “Cada membro do Cursinho se dedica a ajudar os estudantes a serem aprovados, seja por meio de mentorias ou suporte nas aulas. Ao todo, 240 estudantes são atendidos anualmente, com a participação de 85 voluntários e um total de 240 aprovações em vestibulares já alcançadas”, contabiliza.

Outro projeto da EACH é a Incubadora Social e Tecnológica Habits, que se dedica a apoiar o desenvolvimento de projetos empreendedores, promovendo a inovação e a formação prática para alunos e membros da comunidade. Segundo o diretor, é um espaço fundamental para fomentar iniciativas empreendedoras na comunidade USP, especialmente em uma região com grande carência de oportunidades. “Ela se integra ao ecossistema inovador da Universidade, atuando para ativar ideias de estudantes e pesquisadores, com foco nos cursos oferecidos na EACH”, comenta. “Isso acontece por meio de mentorias, eventos e conteúdos de qualificação, além de fornecer infraestrutura básica e orientação para transformar projetos em planos de negócios viáveis, ajudando-os a encontrar seu espaço no mercado”, complementa.

Um sonho acalentado

Ação da EACH Social com a comunidade vizinha ao campus do Jardim Keralux - Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

“A concretização da USP na zona leste da cidade, por meio da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), representa a realização tangível de um anseio acalentado pela população local, um sonho que remonta às demandas desde o início da década de 1980 com o Movimento de Educação da Zona Leste de São Paulo. Essa luta incansável visava, primordialmente, à conquista da igualdade de oportunidades educacionais para uma comunidade que carecia de acesso ao ensino superior público”, escreveu o diretor, ao lado da vice-diretora Fabiana Sant´Anna Evangelista, em artigo publicado no ano passado no Jornal da USP por conta das comemorações dos 90 anos da Universidade de São Paulo.

Um exemplo desse comprometimento, segundo eles, é o Censo do Keralux, realizado em parceria com o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. destacando o papel ativo da Universidade na compreensão e resolução de questões locais. Para o diretor, o Fórum do Keralux tem sido um espaço importante para reunir docentes, servidores e representantes do poder público, focando na discussão e promoção de ações voltadas ao desenvolvimento do bairro. 

Uvinha informa que as atividades do fórum continuam ativas, e as pautas discutidas são geradas a partir das necessidades da comunidade, garantindo que as ações estejam alinhadas com os interesses e demandas locais. “Essa abordagem colaborativa fortalece a conexão entre a Universidade e a região, contribuindo para um impacto positivo no entorno”, garante Uvinha.

Comunidade do Jardim Keralux em atividades com a EACH - Foto: Gabriel Almeida/EACH USP

Além do Keralux, o diretor lembra da recente criação do Conselho Gestor do Campus Leste, órgão que também dirige na EACH. Esse conselho desempenha um papel crucial na articulação entre diferentes segmentos da comunidade acadêmica e local, promovendo a colaboração em projetos que visam ao desenvolvimento do campus e a integração com a região. Ele explica que, com a participação de representantes docentes, discentes e administrativos, o Conselho Gestor busca identificar as demandas da comunidade interna e externa ao campus, fortalecendo iniciativas de extensão, pesquisa e inovação que beneficiem tanto a Universidade quanto os moradores da zona leste de São Paulo.

Sala de aula na EACH - Foto: Gabriel Almeida/EACH-USP

Atividades pedagógicas em cursos da EACH - Foto: Gabriel Almeida/EACH-USP

Perspectivas futuras

“A EACH se destaca hoje como uma instituição comprometida com a inclusão e a transformação social, mantendo uma forte conexão com a comunidade da zona leste de São Paulo”, comenta o diretor. Segundo ele, por meio de seus cursos, projetos de extensão e diversas iniciativas, a Universidade demonstra um empenho significativo em atender às necessidades locais e fomentar o desenvolvimento de seus estudantes. 

Para o diretor, as perspectivas para o futuro da unidade parecem promissoras, com potencial para expandir ainda mais suas atividades de extensão, aprimorar sua infraestrutura e fortalecer parcerias com os setores público e privado. Além disso, aponta, a continuidade do foco em inovação e empreendedorismo pode gerar novas oportunidades para alunos e a comunidade, “ajudando a construir um ambiente mais equitativo e sustentável”. É com esses esforços, como reitera Uvinha, que a EACH pode continuar a impactar positivamente a educação e o desenvolvimento social na região.

Como é estudar na EACH

Moda sustentável

Foto: Reprodução/Instagram

Eleito uma das 50 personalidades nacionais da moda sustentável, o designer de moda Jorge Feitosa, aluno da pós-graduação em Têxtil e Moda, sob a orientação do professor Antonio Takao Kanamaru, recebeu o título de Personalidade Fashion Futurista do Ano no Fashion Futures, iniciativa do Instituto C&A. Ele desenvolve uma pesquisa sobre a matéria-prima conhecida como sulanca, explorando sua história social, produção têxtil e significados culturais no Estado de Pernambuco. O trabalho contribui para preservar a memória popular e promover o desenvolvimento sustentável no setor têxtil. 

“Fazer parte de um mestrado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo é uma grande realização, pois, nascido no Agreste de Pernambuco e devido à minha realidade econômica familiar, não havia perspectiva de chegar tão longe”, afirma.

Ele conta que nasceu em Santa Cruz do Capibaribe, lugar onde, na década de 1960,  surgiu a sulanca, um movimento de desenvolvimento de peças têxteis e de vestuário feitas a partir do reaproveitamento de retalhos. “Nasci em 1979 e cresci nesse lugar rodeado por essa cultura e esse fazer popular”, declara, acrescentando que estar na EACH-USP desenvolvendo uma dissertação onde apresentou a sulanca como saber popular, cultural e econômico é uma grande satisfação.

Além de sua atuação acadêmica, Jorge Feitosa também é nome de destaque na Casa de Criadores, o principal evento de moda autoral do Brasil, e integrou a exposição Artistas do Vestir: uma Costura dos Afetos, que ficou em cartaz recentemente no Itaú Cultural, ao lado de renomados designers e artistas da moda brasileira. “Fico muito contente em, através desta instituição e do saber científico, poder validar esse conhecimento que fez com que toda uma região se desenvolvesse em vários aspectos e que faz parte de quem sou”, diz, parabenizando a EACH pelos seus 20 anos.

Trajetórias de engajamento

Foto: Reprodução/Linkedin

A psicóloga e pesquisadora Beatriz Besen, egressa do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH, foi destaque em dois renomados prêmios por sua tese de doutorado. O trabalho, intitulado Nos limiares do(a) político(a): (des/re)construindo trajetórias e narrativas de jovens ativistas das direitas radicais no Brasil e na Alemanha, sob a orientação da professora Soraia Ansara, rendeu menções honrosas no Prêmio da Sociedade Internacional de Psicologia Política (ISPP) e no Prêmio Tese Destaque USP – 13ª Edição, na área Interdisciplinar.

A pesquisa, que contou com financiamento da Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), envolveu quatro anos de estudos aprofundados, incluindo estadias na Universidade Goethe, em Frankfurt, e na Universidade Humboldt, em Berlim. 

Com base em entrevistas biográficas realizadas com jovens ativistas nos dois países, Beatriz explorou as trajetórias de engajamento, identidades políticas e os discursos que conectam as agendas do neoliberalismo e do neoconservadorismo. A análise revelou a pluralidade de experiências e os sentidos atribuídos à participação política pelos jovens em contextos distintos.

Segundo Beatriz, para celebrar os 20 anos da EACH é necessário, antes de tudo, agradecer aos docentes, funcionários e estudantes que construíram e mantêm essa instituição. “Como pesquisadora que desenvolveu seu doutorado nesta escola, encontrei um ambiente que verdadeiramente pratica a interdisciplinaridade. A EACH me permitiu investigar fenômenos sociais complexos através de múltiplas perspectivas teóricas, resultando em uma pesquisa que recebeu reconhecimento internacional”, declara.

Para ela, o diferencial da EACH está em sua estrutura, que elimina as barreiras departamentais tradicionais, criando um espaço onde o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento acontece naturalmente. “Nas disciplinas em que atuei como estagiária PAE (Programa de Aperfeiçoamento de Ensino), pude vivenciar como essa abordagem enriquece a formação dos alunos, preparando-os para enfrentar desafios que exigem um olhar multifacetado”, completa. E conclui: “A EACH representa um importante marco na democratização do ensino superior de qualidade e tenho orgulho de fazer parte dessa história de inovação acadêmica”. 

Diplomacia ambiental

Foto: Arquivo pessoal

O aluno Alisson Felipe Moraes Neves, bacharel em Gestão de Políticas Públicas e mestrando em Sustentabilidade na EACH, é atualmente pesquisador visitante na Goethe-Universität Frankfurt. Ele foi selecionado para a German Chancellor Fellowship 2024-2025, concedida pela Fundação Alexander von Humboldt, sob o patrocínio do chanceler federal da Alemanha. A bolsa, reconhecida mundialmente, é destinada a profissionais considerados “futuros líderes” e oferece a oportunidade de desenvolver projetos de impacto global durante um ano.

Alisson é um dos 25 selecionados de países como Brasil, Estados Unidos, China, África do Sul e Índia, na última edição do programa. “O futuro exige profissionais com uma formação sólida e interdisciplinar, algo que os cursos da USP Leste, desde o ciclo básico, me proporcionaram. Graças a tudo o que aprendi e continuo aprendendo na EACH, em 2024 me mudei para a Holanda e, posteriormente, para a Alemanha, onde colaboro com especialistas e pesquisadores na busca por soluções sustentáveis que beneficiem tanto as pessoas quanto o meio ambiente”, relata.

Sua pesquisa, que desenvolve na EACH, versa sobre Diplomacia Ambiental e Políticas Públicas, analisando o acordo multilateral Convenção de Basileia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito. Ele também integrou projetos no Grupo de Diplomacia Ambiental (USP/IRICE) e no Hub Lusófono da Década do Oceano, sob orientação da professora Wânia Duleba. O projeto apresentado para a German Chancellor Fellowship está sendo implementado na Goethe University, em Frankfurt, dentro da iniciativa Robust Nature, um consórcio que aborda a conexão entre poluição ambiental, mudanças climáticas e perda de biodiversidade. Sob a supervisão do professor Henner Hollert, Alisson está aprofundando a análise de políticas públicas ligadas a acordos internacionais ambientais.

“A EACH representa muito do que sou enquanto pessoa e profissional hoje. Sempre acreditei que, para enfrentar os desafios complexos da sociedade, seria necessário abordagens capazes de integrar diferentes perspectivas e formular soluções baseadas em evidências. Foi essa visão que me levou a escolher a EACH para a graduação em Gestão de Políticas Públicas e, posteriormente, a aprofundar meus estudos no mestrado em Sustentabilidade”, comenta. E completa: “Durante o bacharelado, aprendi a analisar políticas públicas de forma integrada, envolvendo diversas áreas das ciências sociais aplicadas. No entanto, foi nas ciências ambientais que consegui aplicar esses conhecimentos de maneira transdisciplinar, desenvolvendo pesquisas sobre tratados internacionais ambientais”.

História

Em 2001, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas – Cruesp elaborou um estudo sobre a situação do ensino superior no Estado de São Paulo e sobre as possibilidades de expandir a oferta de vagas no sistema público. Dentre as propostas apresentadas, deu-se destaque para a criação de novos campi e novas unidades em espaços pertencentes às próprias universidades ou ao Estado. 

Em maio de 2002, foi constituído um Grupo de Trabalho para avaliar a possibilidade e a conveniência da implantação de um novo campus na cidade de São Paulo. Como ideia inicial, optou-se pela zona leste da cidade, uma região de 4 milhões de habitantes. O relatório final desse grupo recomendou a concretização do projeto de criação de um novo espaço universitário da USP, na zona leste, destacando que o mesmo representaria uma rara oportunidade para a USP ampliar o acesso da população à sua reconhecida excelência, seja no ensino e na pesquisa, seja nas atividades de extensão. 

No início de 2004, foi apresentado pela Reitoria da USP um projeto básico do novo campus e da nova unidade ao Governo Estadual, que, aprovado, foi incluído no referido plano de expansão, com uma previsão específica de recursos orçamentários. O projeto seria implantado na região leste da capital de São Paulo, em área disponível do Parque Ecológico do Tietê, situado em Ermelino Matarazzo, às margens da Rodovia Ayrton Senna e próximo do Aeroporto Internacional de Guarulhos. 

Localizada em terreno cedido pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a escola está em uma área de proteção ambientalmente sensível, cuja gestão é subordinada por essa condição de campus acadêmico em área de proteção ambiental. Em 2014, a EACH enfrentou graves problemas ambientais, quando análises identificaram a presença de diversas substâncias contaminantes na terra. Durante parte do segundo semestre de 2013 e o primeiro semestre de 2014, cerca de 60 turmas foram redistribuídas para outras unidades da USP. Várias ações foram tomadas (confira neste link), com supervisão da Superintendência do Espaço Físico (SEF) da USP, para descontaminação do campus, e em julho a EACH foi reaberta. 

Clique no player abaixo e confira a linha do tempo da EACH:

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Números

Com 20 anos de existência, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades já formou quase 9 mil estudantes em cursos destinados a atender novas demandas profissionais

Criada em 2005
Número de professores: 260
Número de funcionários: 173
Área edificada: 51.000 m²

Alunos matriculados

Graduação

4.140

Pós-graduação

737

Alunos formados

Graduação

8.944

Pós-graduação

1.692

Alunos graduados por curso

Biotecnologia: 92
Educação Física e Saúde: 421
Gestão Ambiental: 1.081
Gerontologia: 579
Gestão de Políticas Públicas: 1.105
Ciências da Natureza: 358
Lazer e Turismo: 1.139
Marketing: 1.368
Obstetrícia: 617
Sistemas de Informação: 1.533
Têxtil e Moda: 651

TOTAL: 8.944

Títulos de mestrado

1.625

Bioquímica e Biologia Molecular: 19
Ciências da Atividade Física: 124
Estudos Culturais: 234
Gerontologia: 95
Gestão de Políticas Públicas: 126
Modelagem de Sistemas Complexos: 106
Mudança Social e Participação Política: 195
Sistemas de Informação: 239
Sustentabilidade: 129
Têxtil e Moda: 271
Turismo: 87

Títulos de doutorado

67

Bioquímica e Biologia Molecular
(a partir de 2016): 4
Mudança Social e Participação Política
(a partir de 2011): 12
Sistemas de Informação
(a partir de 2010): 6
Sustentabilidade
(a partir de 2013): 31
Turismo (a partir de 2014): 14

Cursos

Biotecnologia

duração: 8 semestres
vagas: 60 (integral) 

Formação multidisciplinar com habilidades científicas e de empreendedorismo para atuação em diversas áreas de pesquisa e em empresas de biotecnologia, como na produção de vacinas, fármacos, anticorpos, além de alimentos, insumos agrícolas e biocombustíveis.

Ciências da Natureza

duração: 8 semestres
vagas: 60 (noturno)

Formação integrada em Ciências Naturais, Matemática e Pedagogia, preparando professores de Ciências para o ensino fundamental ou para as disciplinas de Biologia, Física e Química do ensino médio, além de capacitar profissionais para atuação em museus, centros de ciência, parques, ONGs e até na produção de material didático.

Educação Física e Saúde

duração: 8 semestres
vagas: 60 (diurno)

Capacita pessoas para atuar na manutenção e promoção da saúde e da qualidade de vida, com atividade física para crianças, adolescentes, adultos e idosos. O bacharel nessa área elabora, coordena, supervisiona, avalia e ministra programas técnicos, eventos recreativos, preparação e avaliação física. Há disciplinas teórico-práticas.

Gerontologia

duração: 8 semestres
vagas: 60 (vespertino)

Prepara para a gestão da atenção ao envelhecimento e estuda aspectos biológicos, psicológicos e sociais da velhice, podendo atuar em hospitais, ambulatórios, unidades de saúde, programas de assistência domiciliar, centros de convivência e instituições de média e longa permanência.

Gestão Ambiental

duração: 8 semestres
vagas: 120 (60 vagas matutino e 60 vagas noturno)

Forma profissionais com capacidade para atuação no diagnóstico e na geração de informações para minimizar, prevenir e reverter problemas decorrentes do uso e ocupação do meio ambiente. Entre as atividades desenvolvidas estão recuperação de áreas degradadas, avaliação de riscos e impactos e planejamento da ocupação territorial.

Gestão de Políticas Públicas

duração: 8 semestres
vagas: 120 (60 vagas matutino e 60 vagas noturno)

Integra o estudo de Administração Pública e de Ciências Sociais Aplicadas – Política, Direito, Economia e Sociologia, capacitando profissionais com uma visão geral do Estado e da sociedade para resolver problemas coletivos, na elaboração de planos de ação e na avaliação dos efeitos das políticas públicas.

Lazer e Turismo

duração: 8 semestres
vagas: 120 (60 vagas vespertino e 60 vagas noturno)

Habilita em diversas áreas, desde o planejamento turístico, organização de eventos, entretenimento, ações culturais, gastronomia, patrimônio histórico e cultural, desenvolvimento sustentável até o uso dos espaços e equipamentos de lazer. Há oportunidades em vários setores, como agências e operadoras de turismo, hotelaria, companhias aéreas, centros culturais e esportivos.

Marketing

duração: 8 semestres
vagas: 120 (60 vagas matutino e 60 vagas noturno)

Capacita para atuar com a comunicação integrada, pesquisas de marketing, gestão de produtos, serviços e mercados, além de poder se tornar um empreendedor nos setores industrial, comercial ou de serviços. O curso proporciona ao aluno uma visão humanista e forte instrumentalização técnica, quantitativa e inovadora.

Obstetrícia

duração: 8 semestres
vagas: 60 (integral)

Prepara para atuar na área da saúde da mulher, desenvolvendo ações de cuidados e promoção da saúde, especialmente no decorrer do pré-natal, parto normal e pós-parto. Além de atuar em maternidades, ambulatórios, consultórios e unidades de saúde, pode trabalhar com ensino e desenvolvimento de pesquisas.

Sistemas de Informação

duração: 8 semestres
vagas: 180 (60 vagas matutino e 120 vagas noturno)

Aspectos da tecnologia da computação e da administração integram o currículo do curso, que habilita profissionais para propor, desenvolver e implantar sistemas computacionais que automatizem o gerenciamento da informação e os processos de gestão.

Têxtil e Moda

duração: 8 semestres
vagas: 60 (matutino)

Organizado para que o estudante tenha conhecimento das três grandes áreas do setor – tecnologia, gestão e design e moda –, capacita pessoas para atuar desde o processamento de matérias-primas até o lançamento de coleções, em empresas ligadas à área, além de trabalhar com ensino e pesquisa.

Saiba mais sobre as atividades da EACH na página www5.each.usp.br e nas redes sociais Instagram @each.usp e @prefeitura.usp.leste e Facebook.


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A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.