Alesp homenageia professoras da USP por protagonismo feminino na ciência

Mulheres que Movem a História destacou trajetória de cientistas que vêm transformando a sociedade por meio da pesquisa e da gestão pública

 29/04/2026 - Publicado há 5 meses

Texto: Michel Sitnik

Arte: Livia Bortoletto*

A partir da esquerda, Ana Estela Haddad, Liedi Légi Bariani Bernucci e Mayana Zatz na cerimônia de entrega do Prêmio Mulheres que Movem a História, concedido pela Alesp - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) promoveu na última terça-feira, 28 de abril, um ato solene dedicado a reconhecer o impacto de lideranças femininas em diversas esferas da sociedade paulista. Sob o título Mulheres que Movem a História, o evento reuniu acadêmicas, artistas e ativistas para celebrar trajetórias de inovação e trabalho de interesse público. O encontro foi promovido pela deputada estadual Beth Sahão, que preside a Frente Parlamentar pela Vida e Proteção de Mulheres e Meninas. 

Durante a abertura, a parlamentar destacou o caráter de reconhecimento do evento. “Promovemos este evento como um espaço de reconhecimento e, ao mesmo tempo, de mobilização social em torno de um tema que impacta diretamente a vida de toda a população: a igualdade de gênero e a proteção de mulheres e meninas. Ao homenagear trajetórias que transformam realidades em diferentes áreas, buscamos dar visibilidade a exemplos concretos de atuação que ajudam a enfrentar a violência e ampliar direitos. Mais do que celebrar conquistas, a proposta é fortalecer o debate público, incentivar ações efetivas e engajar a sociedade na construção de políticas e práticas que garantam segurança, dignidade e oportunidades iguais para todas”, afirmou. 

Exemplos e legados na Universidade de São Paulo

Um dos destaques da cerimônia foi a participação de três expoentes da USP, cujas carreiras personificam a excelência da produção científica brasileira e o avanço da presença feminina em cargos de alta gestão e pesquisa de ponta.

O Prêmio Mulheres que Movem a História contemplou três representantes da USP - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
A vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
A geneticista Mayana Zatz - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde Ana Estela Haddad - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica em mais de um século, enfatizou em sua fala a necessidade de combater as barreiras invisíveis que ainda cercam as carreiras femininas. “É uma função de homens e mulheres batalharem pela equidade de gênero. Devemos lutar contra a violência em todos os sentidos, inclusive aquela que é subliminar nas falas e no desincentivo. Que possamos ser inspiração para que as jovens sigam seu talento e entendam que essa trajetória é possível para todas”, declarou.

Referência mundial em genética, a professora Mayana Zatz reforçou o incentivo às novas gerações. “Ser cientista é fascinante e é um jogo de quebra-cabeças. Toda vez que se descobre algo, abre-se um leque de novas perguntas. É esse espírito que deve nos guiar na vida. Existem três tipos de pessoas: as que fazem acontecer, as que apenas observam e as que sequer entendem o que está acontecendo. Nós precisamos escolher estar no primeiro grupo, especialmente nós, mulheres, ocupando espaços, produzindo conhecimento e sendo inspiração para as próximas gerações”, disse.

A professora Ana Estela Haddad, com trajetória marcada pela articulação entre odontologia e políticas públicas de saúde, destacou a emoção de compartilhar o espaço com mulheres de origens tão distintas. “Recebo essa homenagem com profunda gratidão e emoção, especialmente por estar ao lado de tantas mulheres com trajetórias diversas e de grande impacto na sociedade. Este reconhecimento não é apenas individual, mas representa o esforço coletivo de quem, em diferentes áreas, trabalha diariamente para ampliar oportunidades, promover direitos e transformar realidades. Agradeço pela iniciativa de valorizar essas histórias e por criar um espaço que inspira, conecta e reforça a importância de seguirmos avançando juntas, com compromisso e propósito”, pontuou a docente, que atualmente é secretária nacional de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.

Pluralidade e expressão cultural

Evento da entrega do Prêmio Mulheres que Movem a História contou com apresentação do bloco Ilu Obá de Min e da cantora Assucena - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Além do bloco dedicado à academia, o evento homenageou lideranças de outras frentes, como a ativista Amelinha Teles, a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, e representantes de movimentos sociais como o MST e as Mães de Paraisópolis. O setor empresarial foi representado por Luiza Trajano, do Magazine Luiza, e pela empreendedora Débora Martins da Silva.

A cerimônia contou ainda com intervenções artísticas que pontuaram o tom de celebração do evento, incluindo a apresentação do bloco Ilu Obá de Min, que trouxe a sonoridade das matrizes africanas para o Palácio 9 de Julho, sede da Alesp, e a performance da cantora e atriz Assucena, também uma das homenageadas da tarde.

Assista, a seguir, à íntegra do evento:

 

*Estagiária sob orientação de Simone Gomes


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