O projeto da nutricionista que leva informação direto para o seu celular

Fernanda Ferreira, da Saúde Pública, usa as redes sociais para levar informação nutricional gratuita e direcionada a quem se interesse em participar do seu projeto de mestrado

A importância de uma dieta com informações vindas de uma profissional motiva o projeto Nutrinterativa – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A dieta ideal poderia ser a mesma dos influencers veganos do Instagram? Ou parecida com as restrições excêntricas de celebridades? Ou até mesmo uma série de alimentos vilões cortada da rotina? A maioria delas descobrimos pela internet. Mas não é assim que funciona – cada dieta ideal leva em conta as demandas particulares de cada um – e se educar por conta própria traz o risco de receber informações erradas. Então como saber o que é certo e errado no mar de informações do mundo virtual?

O programa de educação nutricional on-line Nutrinterativa poder ser uma solução para essa lacuna. Ele é o projeto de mestrado da nutricionista Fernanda Ferreira dos Santos, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, em São Paulo. A ideia é resolver dúvidas de nutrição para quem precisa de acesso rápido à informação, de forma gratuita. O projeto leva em conta a experiência do usuário em mídias digitais como WhatsApp, Messenger e Instagram – e aproveita das mesmas redes pra divulgar informação. 

A pesquisa faz parte do Programa Nutrição em Saúde Pública da USP, com apoio da Capes. Ela conta que escolheu juntar o trabalho de pós-graduação com mídias sociais focalizado no conteúdo demandado pelo usuário “como, quando e por qual meio de comunicação.”

“Meu objetivo ao iniciar o projeto era tornar informações sobre nutrição mais acessíveis e didáticas à população. É importante divulgar e refletir sobre a temática, já que ela tem a capacidade de influenciar diretamente a saúde da população”, diz a nutricionista.

Fernanda criou um perfil no Instagram para compartilhar informações nutricionais variadas. Mas o projeto também conta com apoio direto de quem participa do Nutrinterativa. Para isso, é preciso responder a um questionário sobre como gostaria de ter acesso aos conteúdos pelo celular.

O formulário se inicia por informações de seu endereço nas redes sociais, como as usa e se prefere o acompanhamento em grupo ou individual. Ele parte para tópicos de dúvidas que chamam a atenção do participante, que variam entre pressão alta e dietas alternativas.

Conhecendo as preferências do paciente, ela dará início ao programa. “Com essas informações, é possível organizar o cronograma de cada participante, ou grupo, que pode durar até 8 semanas.”

O poder das redes sociais

O projeto tem como impulso a própria disseminação nas redes, com a facilidade em expor as próprias dietas e de encontrar novas dicas alimentares. Mas isso pode ser um problema, porque o volume de informações erradas ou insuficientes sobre nutrição também é exposto com facilidade. 

Para Fernanda, o perigo está nas notícias sem embasamento teórico sobre dietas da moda, alimentos milagrosos ou vilões. Ela acredita que os meios de comunicação já consolidados ainda são pouco explorados por profissionais da área, o que facilita a disseminação de informações inadequadas. 

Uma das possibilidade é desenvolver espaços de discussão on-line entre profissionais e usuários, com disponibilidade para solucionar dúvidas e repensar a forma como lidam com sua alimentação e saúde. “Não se trata de dietas ou orientações que apenas podem ser transmitidas em atendimentos presenciais, mas uma estratégia para organizar informações a que os usuários facilmente têm acesso de diferentes fontes – com o diferencial de não ser apenas um meio de transmissão de informação, mas de estímulo à reflexão”, diz Fernanda. 

Para participar do projeto Nutrinterativa, basta preencher o primeiro questionário, disponível neste link. As inscrições permanecerão abertas ao longo do mês de julho.

Mais informações: página @nutrinterativa no Instagram e no Facebook

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.