USP forma professores enfermeiros para ensinar em escolas técnicas

Carência de técnicos de enfermagem durante a pandemia mostra a necessidade de formação de professores em cursos como o de licenciatura em Enfermagem na USP em Ribeirão Preto, finalista em programa de inovação da Organização Pan-Americana da Saúde

Escola de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto é uma das poucas instituições do Brasil que oferece o curso de licenciatura para formar professores enfermeiros – Foto: 123RF

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A pandemia do novo coronavírus e suas consequências colocaram em evidência os profissionais de Enfermagem. Ao mesmo tempo, o Brasil se deparou, no dia a dia das unidades de saúde, com a carência de pessoas em todos dos níveis de formação nesta área, incluindo enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.   

Outra situação de carência é a formação de professores enfermeiros, área em que a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP tem dado sua contribuição, desenvolvendo projetos em âmbito nacional, estadual e local, voltados à formação de docentes nesse setor, além de outros profissionais da saúde, para atuação nas escolas técnicas.  

É uma das poucas instituições do Brasil que oferece o curso de licenciatura, única opção regular de formação de enfermeiro professor para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPTNM) na área de enfermagem, apesar do número expressivo de trabalhadores auxiliares e técnicos.

Segundo os professores que atuam no curso de licenciatura da EERP, criado há 14 anos, especificamente nas disciplinas da educação profissional em enfermagem, “a experiência de formação do professor enfermeiro tem repercussões positivas no cuidado à saúde da população brasileira, pois o enfermeiro licenciado, além de ser professor na modalidade de ensino EPTNM, tem base adequada para atuar no cuidado individual, coletivo e na gestão do cuidado e dos serviços de saúde”.

Projeto da EERP é finalista em programa de inovação em enfermagem – Foto: Reprodução/Cofen

O trabalho da EERP foi reconhecido com um projeto finalista no Laboratório de Inovação em Enfermagem: Valorizar e Fortalecer a Saúde Universal, organizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). A Escola de Enfermagem foi avaliada pelo projeto A formação de enfermeiro professor para a educação profissional técnica de nível médio em enfermagem no contexto do SUS. Foram 329 inscrições e, após a análise, 39 experiências foram selecionadas para a apresentação em um seminário em Brasília, sendo que, dessas, 24 seguiram para a etapa final, que será uma visita técnica dos membros da organização, adiada em função da pandemia.  

As experiências selecionadas vão fazer parte de uma publicação organizada pelo Cofen e Opas, dentro do Navegador SUS, Série Técnica sobre Redes Integradas de Atenção à Saúde. Segundo os professores, a perspectiva dessa premiação é uma forma de “reconhecimento de um árduo trabalho e do compromisso da unidade com a formação do professor enfermeiro para as escolas técnicas, tendo em vista suas repercussões para a formação de trabalhadores auxiliares e técnicos que perfazem o maior contingente profissional nos serviços de saúde”. 

A experiência evidencia a problemática da docência nessa modalidade de ensino, envolvendo a formação, relações e condições de trabalho. “Essa problemática não é específica da área da saúde, estando relacionada à conformação histórica da educação profissional no Brasil”, relatam. 

Já as expectativas do grupo para a premiação giram em torno da intenção de dar visibilidade às experiências nacionais que são um sucesso, e que fortalecem a saúde, por meio do desenvolvimento do enfermeiro e da equipe de enfermagem no SUS, que são agentes transformadores. “Assim, as expectativas relacionam-se também à contribuição na luta pela valorização profissional, em distintos cenários de atuação”.
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Escola de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto – Foto: Divulgação/EERP

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O enfermeiro professor no contexto do SUS 

A experiência apresentada pela EERP, no projeto A formação de enfermeiro professor para a educação profissional técnica de nível médio em enfermagem no contexto do SUS, destaca o desenvolvimento das disciplinas curriculares, que vão do terceiro ao quinto ano do curso de bacharelado e licenciatura em Enfermagem, tendo a articulação teórico-prática como um dos princípios fundamentais. A experiência tem como objetivo contribuir especificamente à formação docente para escolas técnicas em enfermagem e à contribuição na formação de auxiliares e técnicos de enfermagem, considerando a assistência pública de saúde.

Os autores do trabalho destacam na experiência de formar professores para a educação profissional a articulação entre os professores e gestores da EERP, professores e gestores das escolas técnicas parceiras, alunos de graduação, pós-graduação e da EPTNM, além de trabalhadores dos serviços de saúde.  Articulação que envolve o ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão.

“Nas atividades são inseridos alunos de pós-graduação de programas da Universidade. Além disso, professores das escolas técnicas têm se inserido nesses programas”, explicam os autores do projeto. Já as atividades de extensão se realizam em articulação com o ensino de graduação. Os professores destacam a parceria com as escolas técnicas, tanto públicas como privadas, do município e região, na operacionalização da experiência formativa. Destaca-se também o desenvolvimento de atividades que fazem parte do Programa Aprender na Comunidade, da Pró-Reitoria de Graduação USP, voltadas à formação dos professores das escolas técnicas. 

Participam da equipe da EERP as professoras Adriana Katia Corrêa; Maria José Clapis; Maria Conceição Bernardo de Mello e Souza; Fernanda dos Santos Nogueira Góes e Rosangela Andrade Aukar de Camargo, e o professor Hélio Souza Porto. As professoras Adriana, Maria José e Maria Conceição, as duas últimas já aposentadas, participam dos cursos de bacharelado e licenciatura em Enfermagem da EERP desde a sua concepção, em 2004.

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