USP em Piracicaba realiza campanha de esclarecimento sobre o carrapato-estrela

Ação ocorre nos finais de semana e conscientiza visitantes sobre a importância de combater a presença de carrapatos no campus

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A incidência do carrapato-estrela, transmissor da bactéria que causa a Febre Maculosa Brasileira, mobiliza, há mais de uma década, a comunidade da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba no desenvolvimento de um programa permanente de monitoramento e combate desse vetor, além de conscientização de estudantes, professores e funcionários.

“Os resultados são considerados satisfatórios considerando que a incidência dos carrapatos nas áreas centrais do campus é mantida sob controle”, aponta o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Perez, que atua desde 2006 no projeto que procura minimizar a infestação do carrapato e, por consequência, evitar casos da doença.

Campanha de férias já realizou cerca de 500 atendimentos aos visitantes do parque do campus | Foto: Carlos Alberto Perez
Campanha de férias já realizou cerca de 500 atendimentos aos visitantes do parque do campus – Foto: Carlos Alberto Perez

Perez integra a Comissão Técnica Permanente de Prevenção e Controle da Febre Maculosa do campus, criada em 2013 e atualmente presidida pelo professor Gilberto José de Moraes, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq.

Essa comissão é composta de professores, funcionários e alunos da Esalq e de outras unidades da USP, assim como de profissionais da Vigilância Epidemiológica e Centro de Controle de Zoonoses de Piracicaba, Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e Instituto Butantan. Ela assessora a administração da Esalq no que se refere à mitigação do problema. Uma das principais ações é o trabalho contínuo de conscientização pública por meio de treinamentos e outras atividades de alerta, tendo como alvo pessoas que trabalham ou estudam na Esalq e visitantes.

Durante esta época do ano, o trabalho de prevenção deu mais um passo no sentido de alertar para os riscos da circulação das pessoas em áreas abertas próximas de matas ciliares, como é o caso do campus da USP em Piracicaba. “Durante o mês de julho, principalmente nos finais de semana, o campus recebe muitos visitantes, famílias inteiras que vêm conhecer a Esalq, suas belezas naturais e arquitetônicas e passam horas por aqui.”

Esse fato foi o ponto de partida para a campanha de férias, iniciativa na qual estagiários e pós-graduandos do setor de Acarologia da Esalq, orientados pelo professor Gilberto Moraes e pelo agrônomo Carlos Perez, dialogam com os visitantes do campus alertando para os riscos da presença dos carrapatos, inclusive em áreas de grande circulação. “Nós aproveitamos a grande presença de crianças para servirem como motivadores de conscientização de toda a família”, conta Marielle de Moraes Berto, aluna do 4º ano de Ciências Biológicas da Esalq.

Marielle integra a equipe de estagiários voluntários que estará presente também no próximo sábado e domingo distribuindo material de divulgação da campanha e conversando com a população em um estande montado no estacionamento ao lado do Edifício Central da Esalq. “Também aproveitamos para alertar a população de fora de Piracicaba, que vem conhecer o campus da Esalq e nem imagina que pode ter contato com o carrapato. Essas pessoas, de outras regiões, muitas vezes não possuem, em sua cidade de origem, uma rede de saúde preparada para diagnosticar a Febre Maculosa. Nesse sentido, por estar envolvida há tantos anos com este tema, a Esalq acabou se transformando em uma referência de prevenção contra a doença”, ressalta Carlos Perez.

Imagens de carrapatos despertaram a curiosidade das crianças | Foto: Carlos Alberto Perez
Imagens de carrapatos despertaram a curiosidade das crianças – Foto: Carlos Alberto Perez

Outras medidas

Além da campanha de férias, que já realizou cerca de 500 atendimentos nos primeiros finais de semana de julho, no próximo dia 16 de agosto haverá na Esalq mais um treinamento com profissionais da saúde para ampliar a rede que tem acesso aos conhecimentos sobre a Febre Maculosa Brasileira.

“Coordena também essa iniciativa a Vigilância Epidemiológica do município”, lembra o professor Moraes. Além dessas ações, o professor lembra que, internamente, a comissão atua em outras frentes de combate e controle ao carrapato. “A prefeitura do campus trabalha, entre outros aspectos, para a manutenção constante da grama cortada rente ao solo, já que o carrapato não tolera a luz solar. Também foi intensificado o uso de EPI com o pessoal que trabalha no campo, em experimentos agrícolas e em áreas próximas ao ribeirão Piracicamirim e rio Piracicaba, que cortam o campus e são áreas de incidência das capivaras, aqui o principal hospedeiro do carrapato-estrela.”

Graças à colaboração financeira da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), outra medida importante vem sendo realizada. Esta corresponde ao trabalho de manutenção dos alambrados ao longo das Áreas de Proteção Permanente, com o intuito de evitar o acesso de capivaras pelas áreas centrais, próximas aos laboratórios, salas de aula e demais dependências acadêmicas e administrativas. “Estamos reparando as cercas ao longo da margem esquerda do ribeirão e do rio, em uma fase que recuperará, de início, 6 km aproximadamente. Em 2017 partiremos para a outra margem.”

Encontrou o carrapato no campus? Clique aqui, imprima a Ficha de Notificação e junte o carrapato a esta ficha por meio de uma fita transparente e entregue no Edifício Central – Prefeitura do campus. Isso é de importância fundamental, por ser esta uma ferramenta extremamente útil para se definir necessidade de aplicações pontuais de produtos para o controle do carrapato, em áreas e épocas de maior risco. Esta é outra medida adotada para a prevenção da ocorrência da Febre Maculosa na Esalq.

Caio Albuquerque/Comunicação da Esalq

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