USP em Piracicaba: o campus que também é parque

Local possui a maior reserva da USP em extensão e oferece área de lazer para a população

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Prédio Central da Esalq, pequena parcela do campus – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Quase metade (48,85%) de todo o território da Universidade é formado pela USP Piracicaba, que compreende o campus Luiz de Queiroz (914,5 hectares), ao lado dele a estação experimental Fazenda Areão, localizados na própria cidade, e mais três estações nos municípios de Anhembi, Anhumas e Itatinga (2.910,9 hectares). No total, são 38,2 milhões de metros quadrados.

No campus, está situado o Centro de Energia Nuclear na Agricultura e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Fundada em 1901 pelo governo do Estado de São Paulo, a Esalq se chamava Escola Agrícola Prática São João da Montanha. Em 1934, passou a integrar a Universidade.

Conhecido por ser um importante espaço educacional e de pesquisas, o campus também funciona como uma área de lazer para a população – é lá que está situado um dos parques mais frequentados de Piracicaba.

O surgimento da escola foi acompanhado pela criação de um parque. Inaugurado em 1907, ele foi formulado pelo arquiteto paisagista belga Arsenio Puttemans em estilo inglês de paisagismo.

De acordo com Kátia Ferraz, professora do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq, a área ainda é um hábitat para a fauna silvestre, algo que pode impressionar quem passa pelos arredores e só vê grandes extensões de plantação de cana-de-açúcar.
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Kátia é coordenadora do Laboratório de Ecologia, Manejo e Conservação de Fauna Silvestre (LEMaC) e coautora de Bichos da Esalq (2014), publicação que mostra quais são, como vivem e como lidar com os animais silvestres do local.

Segundo a pesquisadora, o campus Luiz de Queiroz conta com uma fauna diversa e abundante graças às suas áreas de vegetação. “Ele possui cobertura vegetal e diversidade de habitat expressivas na paisagem dominada pela monocultura de cana da nossa região, servindo, assim, de refúgio para várias espécies.”
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Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) flagrado por armadilha fotográfica – Foto: LEMaC

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O campus em Piracicaba é um “misto de agroecossistema e parque urbano” formado por áreas de cultivo, pastagens, jardins planejados, áreas reflorestadas, remanescentes florestais (reserva ecológica) e áreas pavimentadas e edificações.

Dessas áreas, muitas servem de hábitat aos bichos da região – todas descritas na publicação de 2014.

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Apesar de serem desconhecidas da maioria dos frequentadores do campus, lá vivem, entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios, mais de 260 espécies de animais silvestres – ou seja, aqueles que não foram domesticados pelo homem, nem dependem dele para sobreviver.

Segundo a professora, os mais comuns de serem vistos são a garça-branca, o biguá, a pomba-asa-branca, a seriema, o quero-quero, a capivara, o gambá e o sagui. “Essa sobreposição de tanta gente com uma fauna silvestre diversa e abundante faz do nosso campus um lugar único”, afirma.

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A garça-branca (Ardea alba) é uma das 202 espécies de aves encontradas no campus – Foto: LEMaC

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Ecologia, manejo e conservação da fauna silvestre

Além de servir como refúgio para a fauna silvestre local, o campus atua, também, no estudo e na proteção desses animais. Nesse sentido, conta com o LEMaC no monitoramento de populações de mamíferos e aves existentes no campus e a interação entre a fauna local e o homem.

“Atuamos propondo formas de evitar ou minimizar impactos na fauna local, através de campanhas informativas e educativas, busca por meios menos impactantes de uso/manejo da paisagem local e da colaboração com outras áreas de conhecimento”, explica Kátia.
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Dentre outras ações voltadas à proteção dos animais locais, atualmente, estão sendo instaladas passagens aéreas para saguis e outras espécies que vivem em árvores, por meio da reconexão das copas em rotas de deslocamentos dos animais. “Dessa forma, reduzimos os riscos de atropelamentos dos animais e evitamos o contato com as pessoas, que traz prejuízos aos animais e pode oferecer riscos.”
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O papel do campus na proteção da flora

Em 2012, a USP declarou mais de dois mil hectares de sua área total como sendo de Reserva Ecológica, termo designado para proteger áreas cobertas por vegetação nativa. Oficialmente, a Universidade conta, hoje, com uma área de proteção de 2.312,29 hectares, sendo a maior parte dela em extensão – 1.111,88 hectares – sob responsabilidade da USP em Piracicaba.

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Pegada de onça-parda (Puma concolor), uma das 41 espécies de mamíferos encontradas na Esalq Imagem: LEMaC - Foto: LEMaC
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Uma das passagens aéreas para saguis e outras espécies arborícolas que estão sendo instaladas - Foto: LEMaC
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Vista da Estação Experimental de Anhembi Imagem: Divulgação/Esalq Foto 7: Vista da Estação Experimental de Itatinga - Foto: Divulgação/Esalq
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Vista da Estação Experimental de Itatinga - Foto: Divulgação/Esalq
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Possuindo mais de um quarto de seu tamanho (29,07%) de RE, além de cumprir um papel importante na manutenção da biodiversidade do campus ao servir de hábitat para animais silvestres, a Esalq contribui para a preservação de uma vegetação nativa rica em espécies, porém, ameaçada: a chamada Floresta Estacional Semidecidual, predominante no campus.

Segundo Pedro Brancalion, professor do Departamento de Ciências Florestais, sobraram apenas cerca de 7% dessa vegetação no interior de São Paulo. “Essas Reservas Ecológicas da USP em Piracicaba contribuem para um papel de preservação importante, porque protegem um dos tipos mais ameaçados de floresta”, explica ele.

Mapa do campus de Piracicaba com a indicação das áreas de mata e das estações experimentais – Imagem: USP Mapas

 

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