Telescópio gigante vai revolucionar visão e compreensão do Universo

Investimentos em pesquisas no Telescópio Gigante de Magalhães vão acelerar a prototipagem e teste de alguns dos mais poderosos sistemas ópticos e tecnologias infravermelhas já projetadas

Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=354682
Cada um dos sete espelhos do Telescópio Gigante de Magalhães tem 8,4 metros de diâmetro, juntos formando uma única superfície óptica de 24,5 metros com uma área total de coleta de 368 metros quadrados – Foto: Damien Jemison/GMTO Corporation

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As pesquisas sobre o Universo que serão feitas a partir de um dos mais poderosos telescópios do mundo, o Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), em construção no Observatório Las Campanas, no Chile, poderão contar com o desenvolvimento de tecnologias revolucionárias que podem transformar a visão e compreensão sobre o mundo. Isso porque a corporação responsável pela construção e operação do telescópio, a Giant Magellan Telescope (GMTO), recebeu uma doação de US$ 17,5 milhões do National Science Foundation (NSF) para acelerar a prototipagem e teste de alguns dos mais poderosos sistemas ópticos e tecnologias infravermelhas já projetadas. A NSF é a principal agência de fomento à pesquisa básica nos Estados Unidos que promove a pesquisa e educação em todos os campos da ciência e engenharia.

Com a doação, o avanço nas pesquisas permitirá aos astrônomos ver mais longe no espaço e com mais detalhes do que qualquer outro telescópio óptico anterior, considerando aproximadamente três vezes o tamanho de qualquer telescópio óptico de solo construído até hoje. O avanço na qualidade de imagem é um pré-requisito para que o GMT cumpra seu potencial científico e expandir o conhecimento do Universo.
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Com sete dos maiores espelhos do mundo já construídos, cada um com 8,4 metros de diâmetro, o Telescópio Gigante de Magalhães fornecerá resolução dez vezes melhor do que o Telescópio Espacial Hubble – Foto: GMTO Corporation/M3 Engineering

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Em termos científicos, o investimento vai permitir que o GMT construa dois bancos de teste de fases que permitirão aos engenheiros demonstrar, em um ambiente de laboratório controlado, que seus projetos funcionarão para alinhar e fasear os sete segmentos de espelho com a precisão necessária para alcançar imagens limitadas por difração na primeira luz em 2029. Ela também permite a construção parcial e o teste de um sistema de Óptica Adaptativa de Espelho Secundário (ASM) de próxima geração, que é usado para realizar a correção de distorção atmosférica e de fase do espelho primário.

Claudia Lucia Mendes de Oliveira, do Departamento de Astronomia do IAG – Foto: Divulgação/IAG

A USP participa do Comitê Diretor do Consórcio GMT com a astrofísica Claudia Mendes de Oliveira, professora e pesquisadora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), e tem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) como membro do consórcio internacional de instituições de pesquisa que terá direito a realizar estudos no telescópio. “A concessão desta verba pela NSF é preciosa para o GMT, pois possibilita, entre outros, o desenvolvimento de tecnologia inédita de engenharia de precisão, para colocar em fase os espelhos gigantes”, afirma a pesquisadora. Quem coordenou o esforço brasileiro na participação da construção do telescópio GMT foi o também professor e pesquisador do IAG João Steiner, que faleceu no dia 10 de setembro de 2020 (ele aparece no vídeo abaixo sobre o empreendimento).

O GMT faz parte do programa americano de Telescópios Extremamente Grandes (US-ELTP), uma iniciativa conjunta com o National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory (NOIRLab) da NSF para fornecer acesso de observação a todo o céu como nunca foi possível antes. Após a conclusão de cada telescópio, os cientistas americanos e parceiros internacionais poderão tirar proveito dos dois telescópios pioneiros do programa para realizar pesquisas transformacionais que respondem a algumas das questões mais importantes da humanidade, como “estamos sozinhos no Universo?” e “de onde viemos?”.
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Esta comparação de qualidade de imagem é de um pequeno pedaço do céu observado do solo através da atmosfera (esquerda), como o Telescópio Espacial Hubble observaria (centro), e uma simulação do Telescópio Gigante de Magalhães usando óptica adaptativa para alcançar o limite de difração (direita). Quando em operação, o GMT alcançará resolução dez vezes melhor do que o Telescópio Espacial Hubble – Foto: GMTO Corporation

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Para saber mais sobre o Telescópio Gigante de Magalhães, confira o vídeo abaixo e visite: https://www.gmt.iag.usp.br
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Com informações da Assessoria do IAG-USP

 

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