Startup oferece recursos para facilitar redação de textos acadêmicos

Criada por professor da USP, plataforma busca ajudar pesquisadores na produção de artigos, teses e dissertações

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A plataforma, segundo os sócios, é voltada para pesquisadores de universidades, principalmente as públicas, onde se concentra a produção de conhecimento no Brasil – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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“No mestrado, perdi quase um mês de escrita de dissertação porque o arquivo corrompeu. Não teve jeito, tive que reescrever tudo.” O relato é de Midierson Maia, professor do curso de especialização em Estética e Gestão da Moda oferecido pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, onde defendeu seu mestrado e doutorado. Foi a partir de sua experiência pessoal e das diversas outras dificuldades que viu estudantes e professores passarem que Maia decidiu criar uma startup voltada a pesquisadores.

A Internucleos é uma plataforma de edição de textos acadêmicos, explica o fundador. Conta com um mecanismo de salvamento automático, que age a cada 60 segundos, além de funcionalidades antiplágio, facilitadores de correção por professores e um algoritmo responsável pela sugestão de artigos acadêmicos do mesmo assunto, que possam ser usados como referência.

Midierson Maia – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O professor relembra o difícil início da empresa. “Os desafios foram imensos. Por exemplo, eu dava aula em uma universidade e levava café e almoço na bolsa, comia frio. Eu fiz as contas: se economizasse com esses gastos, no final do ano teria R$ 5 mil. Então passei praticamente quatro anos nessa vida de economizar em pequenos detalhes para que, no final, tivesse o dinheiro necessário para desenvolver o sistema.”

Esse processo contou com a experiência do também professor Roberto Kalili, especialista em desenvolvimento de sistema que acabou se tornando sócio. “A plataforma foi desenvolvida de maneira que qualquer nova implementação fica fácil, porque ela é toda preparada para receber novas funcionalidades. Ela já foi feita pensando em crescer com a opinião dos pesquisadores”, explica.

A opinião dos pesquisadores é o mais importante para a dupla. “Nosso objetivo maior não é nos tornarmos um unicórnio [termo usado para falar de startups que passam a ser avaliadas em mais de um bilhão de dólares]. Nosso objetivo primeiro é atender às necessidade dos pesquisadores, estarmos próximos deles, conversando para que consigamos fazer o melhor sistema possível”, diz Maia. A plataforma, segundo os sócios, é voltada para pesquisadores de universidades, principalmente as públicas, onde se concentra a produção de conhecimento no Brasil.

Imagem: Reprodução/site Internúcleos

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O custo para a utilização do sistema preza pela acessibilidade: são R$ 22,80 por mês para o usuário comum e acesso gratuito para pesquisadores ligados a programas de pós-graduação stricto sensu, nessa primeira fase de testes.

Sobre o futuro da empresa, Maia adianta que o plano é a internacionalização. “Já começamos esse movimento, porque eu costumo circular muito. Sempre vou ao Canadá, por exemplo. Quando a plataforma já estiver bem rodada aqui, vamos começar no Canadá, Estados Unidos, depois Europa e assim por diante.”

O professor afirma esperar conversar ainda mais com os pesquisadores para entender melhor as várias necessidades envolvidas nas atividades acadêmicas. “Estamos iniciando um projeto piloto muito forte. Quero deixar esse convite para que conversem conosco, conheçam mais o sistema e o que oferecemos em termos de tecnologia, e nos deem feedbacks, para que possamos implementar coisas novas, que entreguem sentido e valor para a pesquisa.”

Mais informações: e-mail damaia@internucleos.com.br

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