Sistema de pesquisadores da USP mostra que há menos acidentes onde tem radar

Ferramenta foi criada e premiada durante maratona organizada pela Prefeitura de São Paulo que busca soluções para melhorar segurança viária

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Higor Amario e Eduardo Santana, dois dos três pesquisadores do Instituto de Matemática e Estatística da USP que venceram etapa do concurso da Prefeitura de São Paulo – Foto: InterSCity/Divulgação

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Existem na cidade de São Paulo cerca de 900 equipamentos de fiscalização eletrônica atuando nas ruas e avenidas. Eles registram inúmeros dados que podem ajudar no planejamento de políticas públicas de mobilidade urbana e segurança viária. A partir dessa base de informações, três pesquisadores da USP desenvolveram um sistema web para visualizar as posições de todos os radares da capital paulista e os acidentes ocorridos no mês de fevereiro nos anos de 2016, 2017, 2018 e 2019.

“Analisamos a posição dos radares e confrontamos com a base de dados de acidentes reportados pela prefeitura. Em um raio de até 50 metros próximo ao radar, o número de acidentes é baixo. Se abre o raio, aumenta também a quantidade de acidentes”, explica Eduardo Santana, pesquisador do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, que criou o sistema juntamente com seus colegas do instituto Higor Amario e Éderson Cássio.

A ferramenta permite a filtragem dos acidentes por ano ou a exibição de todas as ocorrências. Ao clicar em um radar, o usuário ainda encontra dados como número de autuações e contagem de veículos registradas pelo equipamento.

A análise indicou que a presença de radares reduz a quantidade de acidentes que ocorrem nas proximidades onde o aparelho está instalado. Ou seja, mais radares têm o potencial de reduzir o número de acidentes, evitando também a ocorrência de mortes.

O grupo indicou que essa redução pode ter impacto nos gastos com saúde e que o estudo pode ajudar a conscientizar a população sobre a importância dos radares para a segurança viária.

Taxa de acidentes por metro que ocorrem dependendo da distância dos radares | Imagem: InterSCity

Os dados destacam que essa correlação entre acidente e radar em distritos da cidade deve ser mais bem estudada. “Nas bordas da cidade, quase não tem radares e também infraestrutura. E lá tem muitos acidentes”, conta Eduardo.

Maratona sobre radares

O sistema foi criado durante uma hackathona do Radartona Mobiliza Mais SP realizada entre os dias 8 e 10 de novembro. O evento era uma maratona para buscar soluções inovadoras na utilização de informações da base de dados dos radares em funcionamento na cidade. 

O Radartona é uma iniciativa organizada pela Prefeitura de São Paulo, o Banco Mundial e a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito, com apoio da Vital Strategies.

A competição foi dividida em duas áreas: uma para o desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica para disponibilização e acesso à base de dados dos radares e outra para soluções que demonstrem os potenciais de usos e análises destes dados para uma mobilidade mais inteligente e segura. Foi nessa segunda que o time de pesquisadores da USP e bolsistas da Fapesp e do CNPq se destacou.

Chamado de Concurso dos Seis Desafios, eles buscavam soluções para os temas de velocidade média, acurácia de radares,  privacidade e abertura de dados, clima e trânsito, radar e ônibus, prevenção de acidentes. Neste último, o time de pesquisadores do IME ganhou o primeiro lugar com a relação entre o posicionamento dos radares e o número de acidentes de trânsito na cidade, usando a inovação e tecnologia da informação para construir a plataforma. A etapa era única e presencial.

Eduardo, Higor e Éderson ganharam o prêmio no valor de R$ 12.593,98. Segundo Eduardo, ainda não houve um parecer formal da prefeitura sobre a utilização da plataforma criada no cotidiano das ruas e avenidas paulistanas. “Mas a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostrou interesse de uma parceria. Até porque eles tinham os dados, mas nunca colocaram no mapa dessa forma que fizemos.”

Experiência e parceria

O sistema que os três pesquisadores criaram para o Radartona é resultado da experiência do trabalho deles no projeto InterSCity, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT). São diversos cientistas de diferentes universidades trazendo soluções envolvendo o uso de software para as cidades.

Uma dessas soluções é o Bike Science, desenvolvido pelo grupo vencedor do Radartona. Eduardo conta que esse projeto será utilizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo para pensar melhorias e implementações de ciclofaixas na cidade. “No InterSCity, já trabalhávamos com dados abertos e não abertos. Nesta pesquisa, montamos os dados com bicicletas, as regiões que têm infraestrutura, as que podem melhorar, entre outros pontos.”

Para visualizar o sistema criado durante o Radartona, acesse aqui.

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