Ribeirão Preto, a cidade do empreendedorismo de alto impacto

O sucesso é atribuído ao ecossistema inovador que conecta faculdades e empresas convertendo conhecimento em tecnologia

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Vista parcial de Ribeirão Preto – Foto: MateusZF Mateus Záccaro via Wikimedia Commons/CC BY-SA 2.0

Mais de que um celeiro de boas ideias, Ribeirão Preto tem se destacado como um território inovativo no Estado de São Paulo. A conexão entre faculdades e empresas, convertendo conhecimento em tecnologia, faz com que a cidade, historicamente, tenha empresas que lideram o ranking das que mais receberam verbas do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Nos últimos 20 anos, a cidade teve mais de 100 projetos contemplados pelo programa, gerando novas tecnologias e oportunidades em diferentes áreas como saúde, biotecnologia, agronegócio e tecnologia da informação.

Do total de auxílios Pipe aprovados em 2018, cerca de 240 projetos cadastrados na Biblioteca Virtual da Fapesp, aproximadamente 5% são de Ribeirão. Além disso, no ranking das 30 empresas que mais aprovaram Pipe, cinco são da cidade, acumulando 33 ao todo.

“A Fapesp é uma das principais agências de fomento à pesquisa e tecnologia no Estado de São Paulo, investindo em pesquisa básica e aplicada. O Pipe, especificamente, é destinado para micro, pequenas e médias empresas”, explica Diego Siqueira, do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Supera Parque de Inovação e Tecnologia.

O pesquisador Diego Siqueira, do Núcleo de Inovação Tecnológica do Supera – Foto: Divulgação/Supera Parque

O pesquisador explica que os objetivos do programa são promover a inovação tecnológica e o desenvolvimento empresarial e, para isso, ocorre em três fases: Pipe 1, Pipe 2 e Pipe 3. “Na primeira fase, por exemplo, não é necessário ter uma empresa constituída para submeter o projeto, mas precisa provar que a sua ideia é passível de ser construída no mundo real. Nessa etapa, é possível financiamento de até R$ 200 mil a fundo perdido. Com a aprovação do projeto, a empresa precisa ser formalizada”, enfatiza.

Já no Pipe 2, é preciso constituir uma empresa e provar que o seu negócio pode ganhar escala. “Nesta etapa, a empresa precisa ter um modelo de negócios e pode receber investimentos de até R$ 1 milhão. Na fase 3, espera-se que a empresa realize o desenvolvimento comercial do seu produto ou serviço, com base nos ganhos e avanços das fases anteriores”, conta.

O pesquisador ressalta que existe ainda o Pipe-Empreendedor – Programa de Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia, cujo objetivo é capacitar jovens talentos como graduandos, pós-doutorandos, além de pós-doutores, professores, pesquisadores e empresários para iniciar sua jornada no Pipe.

Para Siqueira, os números apresentados pela Fapesp mostram a maturidade do ecossistema inovativo e empreendedor de Ribeirão Preto. “A aprovação de um projeto para o programa Pipe da Fapesp passa pelo ecossistema que temos na cidade. Aqui, temos mais de 50 programas de pós-graduação, a Agência USP de Inovação e o Supera Parque de Inovação e Tecnologia”, diz. “Esses atores trabalham de forma conjunta para que o ecossistema seja cada vez mais sólido, criando o conceito de território inovativo, que pode ser espelhado em alguns números como os apresentados pela fundação”, finaliza.

O Supera Parque, instalado no campus da USP, em Ribeirão Preto – Foto: Supera Parque

Caso de sucesso

Nesse ambiente de incentivo à inovação que possibilita a transferência de conhecimento em tecnologia, o papel da parceria entre USP, Prefeitura Municipal e Governo do Estado na criação do Supera Parque Tecnológico foi fundamental. Projetos de alunos da USP já representam 55% do total de startups do parque de Ribeirão Preto; mas, aproximadamente, outros 30% vieram de outras universidades estaduais e federais e mais 10% de instituições de ensino superior da região da cidade.

Uma das empresas de Ribeirão Preto beneficiadas pelo programa é a Phelcom Technologies, startup incubada na Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica, criada pelos pesquisadores Flávio Pascoal Vieira, José Augusto Stuchi e Diego Lencione, todos formados pela USP.

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Os pesquisadores criaram um aparelho portátil ligado a um celular que faz imagens da retina e permite detectar retinopatias. Além de ser mais barato que os utilizados em clínicas de oftalmologia, a inovação permite que os exames sejam feitos de qualquer localidade, utilizando diagnóstico por telemedicina.

A primeira vez que os pesquisadores receberam incentivos do programa foi em 2016, para o desenvolvimento e validação do protótipo. Atualmente, a empresa produz 30 unidades do aparelho por mês, com previsão que o número chegue a 100 unidades/mês até o fim do ano.

No histórico das 15 empresas que mais receberam incentivos do programa Pipe no período de 1998 a 2019 em todo o Estado, três são da cidade, sendo elas: Verdatis Desenvolvimento Biotecnológico, Apis Flora Industrial e Comercial e MRA Indústria de Equipamentos Eletrônicos, todas com sete projetos aprovados junto à fundação.

Supera Parque Tecnológico

O Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto está instalado no campus da USP e abriga a Supera Incubadora de Empresas, o Supera Centro de Tecnologia, a associação do Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde, o Polo Industrial de Software (Piso), além do Supera Centro de Negócios.

Ao todo, são 69 empresas instaladas no parque, sendo 49 delas na Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica; 12 empreendimentos no Centro de Negócios e oito na aceleradora Sevna Startups.

Mais informações: (16) 99322-8972, com Ana Cunha

Da Assessoria de Imprensa do Supera Parque Tecnológico

 

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