Respiradores criados pela USP salvam mais de 100 vidas em hospital de Ribeirão Preto

Hospital Santa Lydia em Ribeirão Preto usa 30 respiradores do Projeto Inspire; eficácia gerou áudio de agradecimento que viralizou

 16/06/2021 - Publicado há 4 meses  Atualizado: 17/06/2021 as 19:17
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Respiradores da USP ajudam a salvar vidas em hospital de Ribeirão Preto – Foto: Governo de São Paulo via Fotos públicas

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Para ajudar no combate à pandemia da covid-19, respiradores do Projeto Inspire, desenvolvidos pela Escola Politécnica (EP) da USP, foram distribuídos a mais de 150 unidades de saúde em todo o Brasil. Uma delas foi o Hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto, que recebeu, de fevereiro a junho deste ano, 30 respiradores, resultando em mais de 100 vidas salvas da covid-19 na cidade. O resultado foi comemorado num áudio da fisioterapeuta Lorena Aparecida de Brito, coordenadora do setor de Fisioterapia do hospital, que viralizou na comunidade uspiana.

O áudio de Lorena é um agradecimento a Natacha Harumi Ota, doutoranda da Escola Politécnica, que atua como ponte entre as unidades de saúde e o Projeto Inspire, um desabafo de alento por conseguir salvar vidas. “Eu ainda não tinha mandado nenhum áudio agradecendo. Converso com a Natacha quase todos os dias para dar um retorno do funcionamento dos aparelhos, mas nunca tinha agradecido a disponibilidade das pessoas que estão por trás do projeto que nos dão o apoio. É muito bom saber que todo o trabalho está surtindo efeito positivo.”

Hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto – Foto: Reprodução/Linkedin

Para entender a dimensão do impacto benéfico dos respiradores nos 39 leitos de UTIs das unidades administradas pela Fundação Santa Lydia dedicadas à covid-19, incluindo o hospital de mesmo nome, é preciso saber como era o cenário no começo da pandemia. O médico Walther de Oliveira Campos Filho, diretor técnico da instituição, revela que “antes do Inspire os ventiladores eram suficientes para uma UTI, com nove leitos. Havia sido feita a aquisição de quatro ventiladores no final de 2019, depois vieram alguns ventiladores do Estado, mas com a pandemia, a somatória desses equipamentos não satisfazia o número de pacientes que precisavam ser ventilados. Então a situação seria caótica se não ocorresse a cessão dos ventiladores Inspire.”  O superintendente do hospital, o médico Marcelo Carboneri, diz que serão solicitadas doações de alguns aparelhos para o acervo permanente do hospital e os demais serão devolvidos após o uso para que possam ser reaproveitados em outras unidades. 

A pós-doutoranda Natacha diz que é comum receber mensagens de agradecimento pelo empréstimo dos aparelhos e que os agradecimentos de quem está na linha de frente do combate à pandemia são a garantia de que os esforços estão no caminho certo. “É extremamente satisfatório saber que a gente está fazendo o melhor para salvar vidas. Mas acima de tudo, somos nós que somos agradecidos por eles estarem se doando tanto por uma situação que eu pude ver de perto o quanto é complicada, difícil. Então quando eles agradecem a gente sente o quanto é importante para eles salvarem uma vida. A gente tem a certeza de que, para eles, salvar uma vida é muito maior do que um valor financeiro, enfim…”

Os respiradores e a logística

O professor da Escola Politécnica Raúl Gonzales Lima, especialista em Engenharia Biomédica e integrante do Projeto Inspire, também veio a Ribeirão Preto ver de perto a situação do Santa Lydia. Para ele, os relatos de que os respiradores Inspire estão salvando e sendo essenciais no tratamento da covid-19 enchem todo o grupo do Projeto Inspire de satisfação. “Existe uma quantidade muito grande de gente, são voluntários engenheiros, médicos, fisioterapeutas, advogados, secretários torcendo para que nenhum paciente tenha dificuldade de ser ventilado.” 

O Inspire é um projeto com articulação sem precedentes dentro da USP. É o que garante o professor Marcelo Knörich Zuffo, da Escola Politécnica e coordenador do projeto. “São cerca de 200 pesquisadores envolvidos no desenvolvimento dos aparelhos. Um apoio institucional interno e externo enorme, o que mostra uma outra faceta da universidade pública, que é a articulação para o enfrentamento das grandes questões nacionais.”

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Segundo Zuffo, entre as unidades da USP que se mobilizaram, estão a Faculdade de Medicina, através do Incor, as Faculdades de Direito, de Medicina Veterinária e de Odontologia, além da Faculdade de Saúde Pública, o Instituto de Eletrotécnica e Energia e a Escola Politécnica. E fora da USP o apoio veio do IPT, da Marinha, do Instituto Federal, do Senai, entre outros. Hoje, os respiradores chegam ao Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No Estado de São Paulo, os respiradores chegam a 25 municípios e a logística de entrega dos ventiladores é feita em comum acordo com a Secretaria Estadual de Saúde e o governo do Estado. “É uma entrega mediante um acordo de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia entre a USP e o hospital. Os equipamentos são entregues por avião ou por transportadora terrestre de forma gratuita pelas próprias empresas.” Há casos em que até a Polícia Militar é solicitada para transportar os ventiladores quando precisam ser deslocados entre cidades próximas.

“Nosso sonho é que os respiradores possam estar presentes em abundância em todo o País e em outros países. Possam estar presentes em ambulâncias, aldeias, quartéis, navios, em ilhas remotas, nos hospitais de pronto atendimento e até mesmo nas UTIs”, conclui o professor Lima.

Ouça no player abaixo entrevista com Lorena Aparecida de Brito, Natacha Harumi Ota, Walther de Oliveira Campos Filho, Raúl Gonzales Lima e Marcelo Knörich Zuffo para o Jornal da USP no Ar, Edição Regional.
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