Projeto trabalha para empoderar “observadores” de bullying escolar

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Quando se fala em bullying, imagina-se apenas a vítima e o agressor. Entretanto, há também aqueles que observam a agressão e que, na maioria das vezes, não interferem no conflito. Isso se dá porque os observadores imaginam que, se tentarem parar uma situação de bullying, se tornarão as novas vítimas. Inclusive, há aqueles que “aprendem” com o agressor a impor suas vontades em outras situações do cotidiano.

Com essas informações, o pesquisador Cláudio Romualdo, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, decidiu investigar as ações das testemunhas de bullying em um dos principais palcos, a escola, tradicionalmente um ambiente que perpetua essa tragédia. Pelo projeto Vivências, Sentimentos e as Ações Adotadas por Estudantes que Observam Situações de Bullying Escolar à Luz da Teoria Social Cognitiva, desenvolvido com orientação da professora Marta Angélica Iossi Silva, Romualdo procurou identificar os observadores de bullying nas escolas e empoderá-los para que procurem meios de interromper as ocorrências de agressão e humilhação que presenciam.

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Marta Angélica Iossi Silva – Foto: Divulgação/EERP

Ouça no player abaixo a entrevista completa de Marta Angélica Iossi Silva ao Jornal da USP no Ar – Edição Regional.
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Aplicado em uma escola particular do município de Franca-SP, o projeto envolveu 20 alunos do ensino médio. Onze meninos e nove meninas, todos com 15 anos de idade. Esses jovens foram entrevistados, respondendo perguntas sobre as situações de bullying que presenciaram, o que sentiam ao testemunhar esse ato, os motivos de não terem tomado uma atitude e buscado ajuda de um adulto.

Os resultados confirmam o que os especialistas já sabiam: medo de virarem vítimas. Então, qual a saída para o problema? A intervenção, responde Marta, a orientadora de Romualdo. “Se empoderarmos os observadores, será possível criar um ambiente escolar mais seguro e saudável para os estudantes”, diz a professora.

Porém, argumenta Marta, para criar um ambiente mais seguro, os adultos também precisam agir. Segundo a professora, se os funcionários da escola e os familiares dos jovens colaborarem, lidando com o problema, a solução pode aparecer mais rapidamente. E é o que estão tentando realizar com a aplicação do projeto. A professora acredita que a abordagem que realizam, conversando “tanto com os jovens quanto com os adultos, é essencial para solucionarmos o problema do bullying”.


Intervenções para mudança de atitudes

Criado no ano passado, o Vivências, Sentimentos e as Ações Adotadas por Estudantes que Observam Situações de Bullying Escolar à Luz da Teoria Social Cognitiva é desenvolvido em etapas de entrevistas para identificação dos observadores de bullying em ambiente escolar e também para entender os pontos de vista de cada estudante envolvido.

Após as entrevistas, os estudantes são convidados a participar de atividades organizadas para o desenvolvimento de habilidades sociais e ainda de outras baseadas no método Teatro do Oprimido, criado pelo dramaturgo Augusto Boal na década de 1970. O método de Boal usa técnicas teatrais e jogos para incentivar a mudança da realidade do participante, “com o intuito de motivar uma mudança nas atitudes dos observadores”, conta a professora Marta.

Veja também sobre o estudo de combate ao bullying adotado por São Paulo em 2019.