Projeto conscientiza jovens sobre riscos do uso abusivo de álcool e acidentes de trânsito

Em Ribeirão Preto, mais de 6 mil jovens participaram das aulas informativas do projeto, que já chegou à cidade de Campinas, SP, e aos Estados do Rio Grande do Sul, Alagoas, Maranhão e Espírito Santo

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Foto: Denis Pacheco/USP Imagens

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Acidentes de trânsito são a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, essa parcela representa 15,6 mortes a cada 100 mil habitantes. Foi por causa dessa realidade que nasceu o projeto Prevenção de Risco de Trauma Relacionado ao Uso de Álcool na Juventude (P.A.R.T.Y.), que conta com a participação da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

O projeto, da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto em parceria com Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP, nasceu em 2008 para conscientizar adolescentes sobre os riscos do consumo abusivo de álcool, além de ensinar sobre a importância das medidas protetivas no trânsito, como o uso de cinto de segurança ou de capacete em motocicletas.

Para a médica pediatra do HCFMRP e coordenadora do projeto, Ana Helena Parra Scarpelini, “é fundamental falar com os adolescentes sobre o consumo de álcool”, tendo em vista que cerca de 60% dos jovens de 17 anos consomem bebidas alcoólicas regularmente, inclusive antes e enquanto dirigem, segundo estudo feito pela Sociedade de Pediatria de São Paulo, em 2019. 

De acordo com a médica, “o consumo de bebidas começa dentro de casa, com os próprios pais oferecendo a bebida para os jovens. Além de amigos que também incentivam o consumo, mesmo sendo menores de idade”. Segundo Ana Helena, o problema é que os jovens “acreditam que com eles nada de errado vai acontecer”.

“Devido ao uso excessivo de álcool”, continua Ana Helena, “os jovens são mais expostos à situações de violência sexual e tendem a apresentar comportamento de risco, como ter relações sexuais sem proteção e, com isso, mais sujeitos a contrair doenças sexualmente transmissíveis”. Além disso, a médica pediatra aponta que os adolescentes podem ficar com sequelas neuroquímicas, emocionais, déficit de memória, problemas no aprendizado e no desenvolvimento de habilidades, entre outros.

Foi por isso que o projeto P.A.R.T.Y. nasceu. Ana Helena diz que a ideia é esclarecer as possíveis consequências de acidentes e do consumo exagerado de álcool em adolescentes. A iniciativa seleciona dois graduandos da Escola de Enfermagem todos os anos para levarem essas informações às salas de aula de escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto. “Esses alunos apresentam os procedimentos cirúrgicos feitos em vítimas de acidentes de trânsito e outras etapas de recuperação que essas vítimas devem passar”, diz a professora Cinira Magali Fortuna, da EERP, responsável por supervisionar os graduandos da unidade e auxiliar nas ações do projeto.
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Projeto P.A.R.T.Y. - Prevenção de acidentes em jovens
Ação do projeto antes da pandemia – Foto: Divulgação/Projeto P.A.R.T.Y.

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Universitários levam conhecimento às escolas

A aluna Yzabela Yara de Souza Legramente, do 2º ano do curso de Enfermagem, participou do projeto no início de 2020. Ela conta que, durante as aulas, são mostrados em detalhes aos jovens alunos as sequelas físicas das vítimas de acidente de trânsito.

“Quando podíamos ir às escolas, íamos às segundas-feiras dar aula. Na minha aula, eu mostrava os tipos de sequelas que as vítimas tinham, como danos à coluna e ao crânio, e também falávamos um pouco dos processos que as vítimas de acidentes de trânsito passam no pronto-socorro”, afirma Yzabela.

Além das apresentações nas escolas, o projeto promove visitas desses jovens a pacientes do HCFMRP, que foram vítimas de acidentes de trânsito causados por motoristas alcoolizados. Os alunos têm a oportunidade de ouvir das próprias vítimas sobre como é o processo de recuperação, tratamento psicológico e reinserção na sociedade. “Quando estão no hospital, eles ficam impactados, mas compreendem verdadeiramente as situações pelas quais as vítimas passaram”, conta Yzabela.

Ana Helena afirma que “mais de 6 mil alunos de 15 escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto já tiveram a oportunidade de conhecer as atividades do Projeto P.A.R.T.Y.”. Além de Ribeirão, o projeto é aplicado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) em Campinas, como também em outros Estados brasileiros, como Alagoas, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Maranhão.

Expansão

O projeto P.A.R.T.Y. foi originalmente criado em 1986 pela enfermeira Joanne Banfield, do Centro de Ciências da Saúde de Sunnybrook, no Canadá. O foco do projeto era, e ainda é, a conscientização dos jovens que estão prestes a obter carteira de habilitação. Além disso, nas aulas também são abordados casos de violência que podem ser provocados pelo consumo abusivo de álcool.

Em Ribeirão Preto o projeto teve início em 2008, com a coordenação da pediatra Ana Helena e com a participação da professora Cinira Magali Fortuna, professora da EERP responsável por supervisionar os graduandos da unidade e auxiliar nas ações.

Com a chegada da pandemia, todas as atividades do projeto P.A.R.T.Y. tiveram que ser interrompidas. “Até que as atividades sejam retomadas, muitas adaptações terão que ser feitas”, diz Ana Helena. “Um dos principais fatores que dificultam a retomada é o fato de muitos jovens não terem acesso à internet, mas já estamos planejando, junto à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, maneiras de contornar o problema.”

No player abaixo, entrevista com a pediatra Ana Helena Parra Scarpelini, a professora Cinira Magali Fortuna e a acadêmica Yzabela Yara de Souza Legramente.

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