Formação de lideranças marca trajetória de 40 anos de pós-graduação na USP em Ribeirão Preto

Para comemorar a data, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras está publicando uma série de vídeos com um balanço por área. Em quatro décadas, programas de pós formaram 2.460 mestres e 1.390 doutores

 23/11/2020 - Publicado há 1 ano  Atualizado: 03/12/2020 as 11:29
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Fotos: Divulgação/FFLCRP

 

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O ano era 1980, e enquanto o Brasil ainda caminhava para o retorno da democracia, em Ribeirão Preto iniciava-se o primeiro curso de pós-graduação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) da USP. Em agosto daquele mesmo ano, a recém-formada em Licenciatura em Ciências Biológicas, Sulene Noriko Shima, hoje professora aposentada da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Rio Claro, era aprovada na seleção de pesquisadores para a primeira turma de mestrado em Entomologia. 

Laboratório de Química- Foto: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto

E lá se vão 40 anos, formando professores, pesquisadores, gestores, mas principalmente profissionais e lideranças com senso crítico e capacidade de resolver problemas, preparados para um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Para comemorar essa trajetória de sucesso, a unidade realizou no dia 24 de novembro, às 11 horas, um encontro virtual pelo YouTube. O evento, intitulado 40 anos da Pós-Graduação na FFCLRP/USP: De onde viemos e para onde vamos?, reuniu personagens para contar os caminhos trilhados pela formação e pesquisa na faculdade durante todos esses anos.  

Participaram os professores Osvaldo Antônio Serra, primeiro presidente da Comissão de Pós-Graduação, e Zilá Luz Paulino Simões, orientadora no mestrado em Entomologia, primeiro programa de pós-graduação instituído na FFCLRP. Também fazem parte da programação os professores Carlos Gilberto Carlotti Júnior, pró-reitor de Pós-Graduação da USP, falando sobre A Pós-Graduação na USP: Histórico Desafios Futuros, Sonia Regina Pasian, ex-presidente da Comissão de Pós-Graduação, e o diretor da FFCLRP, Marcelo Mulato, no lançamento do canal do Programa de Pós-Graduação da Filô, no YouTube. É possível acompanhar os vídeos por área, com balanço dos programas de pós, depoimentos de professores, alunos e egressos, disponíveis neste link.


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Foto: Divulgação/FFCLRP

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Primeira defesa, em 1983

Sulene Noriko Shima também foi responsável pela primeira defesa de pós-graduação na FFCLRP, mestrado em Entomologia. A professora conta que concluir a graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas na FFCLRP não foi fácil, pois precisou trabalhar num posto de gasolina para se manter em Ribeirão Preto, uma vez que a família era de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Além das dificuldades pessoais, a ex-aluna relembra as batalhas travadas ao lado da Universidade durante o período de repressão, pois vivenciavam a ditadura militar no Brasil. “Ansiava por uma vida democrática dentro e fora da Universidade.” Sulene fez parte do movimento que regulamentou a profissão de Biólogo, que já existia há 40 anos. “Foi uma linda luta, dizem que sentir saudades dos tempos idos significa que foi bom e que valeu a pena.”

As dificuldades iniciais não impediram uma carreira produtiva. Depois do mestrado veio o doutorado na Unesp de Rio Claro, onde permaneceu até a aposentadoria em 2017. Naquele período ainda fez estágio no Biological Laboratory, Faculty of Education, Ibaraki University, na cidade de Mito, no Japão. Com 25 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais, 94 resumos em anais de Congressos no Brasil e no exterior, orientou nove mestrados, três doutorados, dez trabalhos de conclusão de curso de graduação e nove de iniciação científica.

A Filô abriu as portas para as conquistas ao longo da minha trajetória profissional. A faculdade moldou a minha forma de pensar a universidade em si, a política, os amigos, os professores e a vida universitária, a qual imaginava completamente diferente.

 

Sulene Noriko Shima, responsável pela primeira defesa de pós-graduação na FFCLRP – Foto: FFCLRP

Sulene afirma que a FFCLRP foi de grande importância para a sua vida, pois foram as palestras assistidas dentro do campus que a levaram a compreender o lugar da ciência e da pesquisa na humanidade. “Me pergunto qual seria o caminho que eu teria tomado na vida se essa oportunidade não tivesse acontecido”, conta, “agradeço imensamente à Filô por ter cedido espaço físico e os recursos humanos os quais foram vitais ao meu crescimento e maturidade científica e, também, por ter proporcionado a oportunidade de ser uma pessoa melhor”. 

Assim como Sulene, a ex-aluna Ana Paula Ramos formou-se na FFCLRP. Ainda muito jovem, 17 anos, escolheu o curso de Química e ali, em 2001, iniciou sua trajetória acadêmica na FFCLRP, que culminou com o doutorado em Físico-Química, concluído em 2009. De lá para cá, tornou-se professora no Departamento de Química e coordenadora do Laboratório de Físico-Química de Superfícies e Coloides; além disso, foi presidente da Comissão de Graduação da FFCLRP. “As oportunidades fornecidas pela Universidade de São Paulo, via Filô, desde o curso de graduação, me permitiram ter uma formação acadêmica de excelência com alta capacidade de senso crítico e solução de problemas.” 

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Foto: Divulgação/FFCLRP

 

Pós-graduação fortalece o vínculo entre universidade e sociedade 

Ao longo desses 40 anos, foram titulados mais de 2.460 mestres e 1.390 doutores, nas diferentes áreas em que atuam os programas de pós-graduação da FFCLRP, que classificaram a unidade entre as dez maiores produtoras de pesquisas da USP. Para a presidente da Comissão de Pós-Graduação, professora Christie Ramos Andrade Leite-Panissi, o novo desafio é “estreitar a interação com a sociedade, buscando transformar o desenvolvimento do conhecimento científico-tecnológico em benefícios”; além disso, “dar continuidade ao incentivo para a mobilidade de discentes e docentes, consolidando a nossa pós-graduação como referência internacional”.

Foto: Divulgação/FFCLRP

Segundo a professora, “a pós-graduação da FFCLRP tem sido pioneira nas diferentes áreas do conhecimento representadas pelos seus programas”. Para o futuro, os gestores pretendem fortalecer o diálogo entre a Universidade e a sociedade, por meio da “divulgação do conhecimento e promoção de ações que busquem a melhora da qualidade de vida”. 

A professora lembra que os cursos têm contribuído para a formação do pensamento crítico da sociedade, para o desenvolvimento do conhecimento e para a formação de profissionais altamente qualificados para atuar em diferentes setores. 

São oferecidos dez cursos voltados para as áreas de Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Exatas e Ciências Humanas: Entomologia, avaliado em 7 pontos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Psicobiologia, Biologia Comparada e Química, com nota 6, Psicologia e Física Aplicada à Medicina e Biologia, 5, Educação e Mestrado profissional em Química, 4, e Computação Aplicada, 3. Além disso, há o novo mestrado em Matemática que iniciou a primeira turma em setembro deste ano. 

 

 


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