Poli comemora 127 anos gerando novas tecnologias para o País

Liedi Bernucci destaca, no momento, a parceria entre a Poli e a Faculdade de Medicina na criação de projetos para enfrentar a pandemia da covid-19, como foi o caso do ventilador emergencial Inspire

A Escola Politécnica (Poli) da USP, criada em 1893, é a primeira escola de engenharia do Estado de São Paulo e foi incorporada à Universidade de São Paulo em 1934. Em comemoração aos 127 anos da Poli, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Liedi Legi Bariani Bernucci, atual diretora da unidade, sobre os atuais desafios da escola e os eventos programados para celebrar a data. 

Ela ressalta que a Poli possui vários desafios pela frente, dentre eles a inesperada crise da covid-19. “A Politécnica está dando sua resposta neste momento, no combate ao vírus, em conjunto com diversas outras escolas e institutos da USP”, afirma. A professora dá grande destaque à parceria entre a escola e a Faculdade de Medicina (FM) da USP, que possibilitou, entre outros projetos, a produção do ventilador emergencial Inspire, desenvolvido pela Poli e que recentemente recebeu autorização da Anvisa.

Liedi Bernucci é diretoria da Poli-USP. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

 

Há ainda outras parcerias, como a realizada com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Senai, para conserto de respiradores. “As pessoas se uniram, de áreas diferentes, para tentar resolver os problemas; alguns fazendo face shield e máscaras, outros aplicativos. A USP não está vazia: está muito ativa. Alguns laboratórios foram reabertos para atuar no combate à covid-19 e estamos muito ativos em uma relação solidária e positiva”, explica Liedi. 

A mudança de perfil da USP é outro desafio, porém, a diretora explica que a Poli sempre contou com a abertura para estudantes egressos de escolas públicas e, em 2021, chegará a 50% de reserva de vagas para esse grupo. “Tem-se uma ideia de que a Poli é elitista, o que não é verdade. Ela nasce como uma escola para pessoas competentes, de diversas classes sociais, que queriam cursar engenharia.”  

Liedi trata ainda da questão da permanência, problema pelo qual a USP toda passa. “A Associação dos Engenheiros Politécnicos tem um movimento belíssimo para alunos vulneráveis. É um programa de mentoria e bolsas, chamado Retribua, que tem como fim a manutenção e a permanência dos estudantes”, explica ela. 

“Sobre a questão de gênero, estou um pouco frustrada”, revela Liedi. “Sou a primeira mulher diretora da Poli, tenho muito orgulho disso, mas eu gostaria que não fosse só pelo exemplo. A nossa meta é de que as pessoas se sintam livres para optarem por aquilo que elas gostam. Que as pessoas não façam opções pela cabeça dos pais, dos professores ou da sociedade, que façam por seu perfil, pela sua vontade, por aquilo que querem ser.” 

As comemorações começaram ontem (23) e continuam hoje (24), com um evento virtual, às 18h30, no canal da Escola Politécnica no YouTube. “Temos surpresas para contar nos nossos 127 anos”, afirma a diretora. Ela conclui, ressaltando que a Poli nasceu com uma missão, dada pelo professor Paula Souza, de ajudar o Estado de São Paulo e a indústria do Estado. “Sem uma escola de tecnologia, a indústria não se desenvolveria rapidamente. Ele foi um visionário ao nos dar uma missão e sempre queremos dar continuidade a ela. É uma missão nobre de gerar tecnologia para o nosso país”, finaliza.

Ouça a íntegra da entrevista no player.


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