Pesquisas na graduação estimulam a formação de cientistas

Nesta semana, os autores dos melhores trabalhos inscritos no Siicusp apresentam em inglês suas pesquisas desenvolvidas na iniciação científica

Por - Editorias: Universidade
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Mostra de Destaques da edição 2015 do Siicusp – Foto: Divulgação/PRP

A produção do etanol de primeira geração resulta em dois principais resíduos: o bagaço e a vinhaça. Pensando em uma solução para o reaproveitamento deles, a estudante Claudia Scarpelin, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, tem estudado a produção de enzimas por fungos obtidos nos restos da cana-de-açúcar.

A partir dos dois resíduos, a estudante afirma que é possível cultivar fungos que produzem enzimas capazes de degradar esses componentes, e assim usá-las na produção de etanol de segunda geração. “Eu reaproveito dois resíduos que geralmente são descartados”, afirma. “No caso da vinhaça, se não for eliminada de maneira correta, ela tem alto poder poluente em corpos hídricos. Então estou tentando fornecer uma outra alternativa para o uso desses resíduos.”

Claudia ainda está no curso de graduação em Ciência dos Alimentos, mas já pode ser considerada uma pesquisadora. Ela faz parte do grupo de estudantes da USP que participam de projetos de iniciação científica, uma oportunidade de ter o primeiro contato com a prática da pesquisa e ver a aplicação dos conceitos ensinados na sala de aula.

A graduanda em Ciências dos Alimentos, Claudia Scarpelin, apresenta trabalho no Siicusp - Foto: Arquivo pessoal
A graduanda em Ciência dos Alimentos, Claudia Scarpelin, apresenta trabalho no Siicusp – Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a aluna, a decisão de realizar iniciação científica partiu da vontade de experimentar um contato maior com a área acadêmica. “Quis fazer iniciação para saber como é elaborar um projeto, ter um compromisso com os resultados e as análises, entre outras coisas”, diz. “Nas aulas, a gente aprende só a parte teórica. Mas a partir do momento em que você está dentro de um projeto, tem suas limitações em análise e tem uma preocupação em fornecer um resultado verdadeiro, isso acaba ajudando muito no conhecimento profissional.”

Claudia também afirma que, para quem deseja cursar uma pós-graduação, o contato com a pesquisa ainda na graduação é importante para tornar o aluno mais familiarizado com o modelo de investigação científica. “Se eu passasse a minha graduação sem ter feito uma iniciação e deixasse para me envolver com a pesquisa só no mestrado, eu sentiria dificuldade. Esse primeiro contato é importante para que a gente se desenvolva pessoalmente e descubra se realmente queremos seguir na área acadêmica ou não”, explica.

As informações sobre o estudo de Claudia e de outros 475 alunos poderão ser conferidas na última etapa do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (Siicusp), realizado nos próximos dias 19 e 20 de outubro. O encontro, que está em sua 24ª edição, é promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP.

Dos trabalhos indicados para a etapa internacional, 42 são de instituições de fora da USP. Além deles, serão apresentados outros dez trabalhos de alunos estrangeiros convidados: cinco deles pertencentes à Rutgers University, nos Estados Unidos, e outros cinco à Humboldt-Universität zu Berlin, na Alemanha. Podem apresentar trabalhos no Siicusp estudantes de graduação de qualquer instituição de ensino, bolsistas ou não, que tenham desenvolvido projetos de iniciação científica e tecnológica.

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Os melhores projetos apresentados no Siicusp são escolhidos para representar a Universidade em outros eventos ou premiações – Foto: Divulgação/PRP

Para participar, os estudantes devem passar por duas fases: avaliação na unidade e etapa internacional. Na primeira fase, as pesquisas são avaliadas por uma Comissão de Pesquisa, formada por docentes, pesquisadores doutores, estudantes de doutorado e pós-doutorandos. Os trabalhos selecionados têm seu resumo publicado na página do Siicusp e seguem para a etapa internacional. Depois, na fase seguinte, as pesquisas são apresentadas em língua inglesa na forma de pôsteres e julgadas por um Comitê Científico. Os melhores projetos são escolhidos para representar a USP em outros eventos ou premiações.

De acordo com o pró-reitor de Pesquisa, José Eduardo Krieger, a iniciação científica e tecnológica é uma das portas de entrada para formar mais pesquisadores na Universidade. Para ele, a USP deve investir na área de ciência e tecnologia para atrair grandes pesquisadores de outras instituições, tanto nacionais quanto estrangeiras. Porém, ele também considera que a pesquisa durante a graduação tem um impacto positivo na própria formação do aluno.

“A iniciação científica e tecnológica é uma atividade importante por dois motivos: atrair pessoas para serem pesquisadoras e, mais importante ainda, formar melhor quem vai atuar junto à sociedade e providenciar um grande conhecimento de método científico”, afirma Krieger. “Ela forma os futuros cidadãos, aqueles que vão ser líderes em suas áreas e vão agir diretamente sobre a sociedade, mesmo que não se tornem pesquisadores.”

A última etapa do Siicusp ocorre nos dias 19 e 20 de outubro, a partir das 9 horas, no Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP, localizado na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 222, na Cidade Universitária.

Além da exposição dos trabalhos de iniciação científica, a programação conta com palestras de professores e pesquisadores, alunos e ex-alunos da Universidade e convidados especiais que trabalham na divulgação de conteúdos relacionados à ciência, como os youtubers Atila Iamarino e Paulo Miranda. Para mais informações sobre o Siicusp, acesse o portal da Pró-Reitoria de Pesquisa. Para conferir a programação completa das atividades, clique aqui.

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