Pela primeira vez, Escola Politécnica da USP será dirigida por uma mulher

Liedi Bernucci assume a diretoria da Poli de 2018 a 2022; portaria de designação foi assinada no dia 8 de março

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(Da esq. p/ dir.) O novo vice-diretor Reinaldo Giudici; a professora Liedi Légi Bariani Bernucci; o reitor Vahan Agopyan; e o professor José Roberto Piqueira Castilho, na assinatura da designação dos novos dirigentes da Poli – Foto: Assessoria de Comunicação da Poli

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a professora Liedi Légi Bariani Bernucci foi designada como nova diretora da Escola Politécnica (Poli) da USP. É a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo desde a fundação da unidade, em 1893.

A portaria de designação foi assinada pelo reitor da USP, Vahan Agopyan, em um evento realizado na sala da Congregação da Poli, na Cidade Universitária, em São Paulo. Na ocasião, também foi inaugurado o quadro do professor José Roberto Castilho Piqueira, antecessor da nova dirigente, na Galeria de Diretores da unidade. “Estamos vivendo um momento histórico. Quando a professora Liedi era estudante [ela foi aluna de Agopyan na Poli, na década de 1970], o preconceito contra as engenheiras no ambiente de canteiro de obras era muito grande. Em poucas décadas, superamos esses obstáculos e hoje temos uma diretora”, comemorou o reitor.

Com 200 dos 217 votos válidos, Liedi assume a diretoria, ao lado do novo vice-diretor, professor Reinaldo Giudici, a partir do próximo dia 13 de março. O mandato é de quatro anos. “A tradição da Poli é a busca por excelência e nós daremos continuidade a essa história. Eleger uma mulher na diretoria mostra a visão pela modernidade”, afirmou a professora. A solenidade de posse será no dia 21 de março, em cerimônia que será realizada às 19 horas, no Auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI), na Cidade Universitária.

Sobre o programa-base para a gestão da Poli para o período de 2018 a 2022, Liedi destaca que há projetos para as três áreas que sustentam a Universidade: ensino, pesquisa e extensão. Um dos projetos que será desenvolvido diz respeito à avaliação dos resultados da nova estrutura curricular implantada na unidade, que abriu disciplinas optativas e deu maior liberdade de escolha para os alunos, inclusive fora da habilitação escolhida. Na pós-graduação, a proposta é melhorar os indicadores dos programas.

Em relação às pesquisas da Poli, o objetivo é buscar mais parcerias e incentivar iniciativas como as da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) – a Poli tem duas unidades credenciadas da organização. A engenheira ressalta ainda a importância da internacionalização, tanto na graduação como na pós-graduação.

Liedi Bernucci é a primeira mulher a assumir a direção da Escola Politécnica em 124 anos – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Atualmente, as mulheres correspondem a 20% dos estudantes de graduação na Poli – uma diferença significativa em relação aos 5% do ano em que Liedi ingressou. “Os tempos estão mudando”, afirma a nova diretora. “Espero motivar as jovens para que façam engenharia, motivar engenheiras a cursar pós-graduação e ascender em suas carreiras”, completa.

Carreira na engenharia

Nascida em 11 de julho de 1958, na cidade de Jarinu, interior de São Paulo, a diretora da Poli sempre estudou em escola pública e ingressou na USP em 1976, no curso de Geologia, mas resolveu prestar novamente vestibular e entrou na Poli em 1977, tendo optado por Engenharia Civil no segundo ano e concluído a graduação em 1981.

“Na graduação da Poli eu descobri o prazer de estudar”, ela costuma dizer quando reflete sobre sua formação. Também nesse período ela passou a se interessar pelas atividades de gestão, quando, em 1980, compôs uma chapa que venceu as eleições do centro acadêmico de Engenharia Civil, o CEC.

Liedi fez mestrado em Engenharia Geotécnica na Poli, concluído em 1987. Parte da pesquisa foi desenvolvida em uma especialização feita no Institut Fuer Grundbau und Bodenmechanik – Eidgenoessische Technische Hochschule Zürich (ETHZ), na Suíça, onde permaneceu de 1984 a 1986. Na mesma instituição, fez também um doutorado sanduíche. Esse período foi fundamental para sua formação, já que a ETHZ é considerada a Escola Politécnica-Mãe, um modelo para a constituição da Poli. Finalizou seu doutorado em Engenharia de Transportes pela USP em 1995, sob orientação do professor Franco Balduzzi, da ETHZ, e coorientada pelo professor Jorge Pimentel Cintra, da Poli.

Em 1986, tornou-se professora da USP, depois de um convite do professor Antonio Galvão Novaes, então chefe do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli. Ela realizou sua Livre-Docência em 2001, cujo título é “Desenvolvimentos e Aprimoramentos de Tecnologia de Utilização de Solos Tropicais e de Misturas Asfálticas em Pavimentação”. Em 2006, foi nomeada professora titular da Escola Politécnica, atingindo o título máximo, que representa o topo da carreira docente, aos 48 anos.

Reformulou e introduziu disciplinas na graduação e na pós-graduação e recebeu dezenas de prêmios em razão de seus trabalhos publicados em periódicos e congressos nacionais e internacionais. É uma pesquisadora reconhecida, tanto pela academia como pelo setor produtivo, por sua competência na área de infraestrutura de transportes, que engloba estudos sobre vias urbanas, rodovias, aeroportos e ferrovias.

Autora de um livro que é referência para estudantes e profissionais, “Pavimentação Asfáltica: Formação Básica para Engenheiros”, escrito juntamente com Laura M.G. Motta, Jorge A. P. Ceratti e Jorge B. Soares, publicou mais de 160 trabalhos. Docente da Poli há 32 anos, já lecionou para mais de 3.000 alunos de graduação e orientou cerca de 40 alunos de mestrado e doutorado. Coordena e orienta projetos de pesquisa financiados por órgãos de fomento, agências e por empresas públicas e privadas, nacionais e internacionais. Foi coordenadora da Comissão de Asfalto do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustível (IBP). É pesquisadora com conceito Pq 1C do CNPq (Bolsista de Produtividade em Pesquisa nível 1C).

A professora Liedi Bernucci é uma das convidadas do programa Diálogos na USP do dia 9 de março, sobre os desafios da mulher no mercado de trabalho. O programa vai ao ar toda sexta-feira, às 11 horas, na Rádio USP (93,7 FM em São Paulo e 107,9 FM em Ribeirão Preto).

(Com informações da Assessoria de Comunicação da Poli)

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