“O adulto tem que se deixar surpreender”, diz pesquisadora da infância sobre as atividades em casa

Longe de soluções, profissionais e mães apontam melhores práticas para a educação infantil na pandemia; creches da USP investem na comunicação com varal de histórias e programa de rádio

Foto: 123RF

13/07/2020

Tabita Said

Manter a presença virtual no isolamento social. Tranquilizar pais e crianças, apesar de um cenário que se revela ainda mais incerto à medida que os dias passam. Parece um trabalho de enxugar gelo, mas esse é o cotidiano das professoras da educação infantil diante dos desafios trazidos ao setor na pandemia causada pelo coronavírus. Entre elas e as crianças, estão os pais e responsáveis. Agora, mais do que nunca, eles ganharam protagonismo como articuladores da relação que também é intermediada pela tecnologia. “As famílias têm sido grandes parceiras nesse processo, mas sabemos que também estão enfrentando suas dificuldades com trabalho remoto, rotinas diferentes dentro de casa e o acompanhamento das crianças”, reconhece Flaviana Rodrigues de Oliveira, Diretora da Divisão de Creches da Superintendência de Assistência Social da USP. Responsável pela Creche Central, no Campus Butantã, e pela Creche Saúde, localizada no Campus Quadrilátero da Saúde Pública, ela conta que os canais de comunicação foram reforçados com as psicólogas da creche, para escuta e acolhimento das famílias.

Enquanto buscam melhores ações para reinventar a educação infantil, o corpo pedagógico se vê em situações conflitantes sobre o uso das telas. Essas profissionais, responsáveis pelo desenvolvimento integral de crianças com idade entre 6 meses e 5 anos, também se afligem pelas inseguranças dos novos tempos, mas apostam no fortalecimento dos laços como sustentação da relação entre escola, criança e família. “As crianças estão imersas em um contexto digital em suas casas: o uso de celulares, tablets, computadores, televisão. Nas experiências da creche, valorizamos o distanciamento das crianças desse meio, mas tivemos que criar estratégias porque essas ferramentas digitais têm sido o caminho para levar a creche até suas casas”, afirma Flaviana. 

 

Flaviana Rodrigues de Oliveira - Foto: Arquivo pessoal

“Valorizamos o distanciamento das ferramentas digitais, mas tivemos que criar estratégias”, afirma Flaviana Rodrigues de Oliveira, diretora da Divisão de Creches da USP - Foto: Arquivo pessoal