No Dia Mundial da Encefalite, Faculdade de Medicina terá fachada iluminada

De acordo com Camila Romano, a doença continua praticamente sem tratamento, o que torna ainda mais importante a conscientização sobre a encefalite e seus efeitos

 

O dia 22 de fevereiro passou a ser conhecido como o Dia Mundial da Encefalite – Arte: Jornal da USP

 

A encefalite é uma inflamação que ocorre no cérebro quando um vírus (em alguns casos, bactérias) consegue atacá-lo diretamente, também podendo ser acionada por outros fatores. Pela gravidade da doença, um movimento crescente de pesquisadores de diversas áreas tenta mudar a realidade dos portadores dessa enfermidade, conscientizando e informando a população sobre os detalhes dessa síndrome. O movimento é organizado pela Encephalitis Society e, para reforçar esse esforço, o dia 22 de fevereiro passou a ser conhecido como o Dia Mundial da Encefalite. Em homenagem ao dia, a Faculdade de Medicina da USP iluminará suas instalações com a cor vermelha.

“A Encephalitis Society, do Reino Unido, é uma sociedade bastante voltada ao público mais leigo e às pessoas que realmente sofrem de encefalite, ou tenham, ou perderam alguém por encefalite. Por isso, essa sociedade tem um aspecto muito social”, explica Camila Malta Romano, doutora e pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP. Camila, juntamente com a pesquisadora Aline de Moura Brasil Matos, é responsável pelo projeto Características clínicas e laboratoriais da encefalite associada ao vírus chikungunya, estudo que recebeu recentemente auxílio e apoio da Encephalitis Society. 

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Camila explica que ela e sua companheira de projeto descobriram um edital da instituição que visava a apoiar projetos pequenos e que estavam no início do desenvolvimento. Sobre o projeto, a doutora explica que, em um primeiro momento, o intuito é entender qual é o papel dos arbovírus nas encefalites encontradas em Fortaleza e no Brasil, a partir das entradas do vírus zika e chikungunya e, nesse caso, foi descoberto que grande parte das encefalites encontradas em Fortaleza foi, de fato, causada pelo vírus chikungunya.

Camila aproveita para detalhar que o tratamento para a encefalite ainda continua sendo um problema, isto porque a encefalite viral é praticamente uma doença sem tratamento. “Ela é acompanhada, mas tratamento mesmo ela não tem. O que tem, por exemplo, para a encefalite causada pelo vírus da herpes, que é o mais prevalente em termos de agente etiológico da encefalite, é o Aciclovir. O problema é que, dependendo da região geográfica, até 70% das pessoas não têm diagnóstico”, conclui Camila.


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