Na USP, jovens se preparam para usar o inglês em suas pesquisas

Imersão capacitou jovens cientistas selecionados na Febrace, integrando seus estudos com o aperfeiçoamento do idioma

Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=272527
Programa reúne professores e alunos para integrar práticas de ciências com inglês – Foto: Carolina Jacomin da Silva

Eles são jovens estudantes de escolas públicas e já têm experiência em desenvolver projetos científicos e apresentá-los ao público. Durante uma semana, eles tiveram a oportunidade de melhorar estas habilidades com mentores e especialistas da embaixada norte-americana durante uma imersão em inglês voltada às áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, também conhecidas pela sigla em inglês STEM.

O STEM & English Immersion é um projeto piloto da Embaixada e do Consulado dos Estados Unidos no Brasil com o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) da USP, com apoio da Escola Politécnica (Poli) da Universidade.

Os participantes selecionados para viver a experiência são estudantes com projetos premiados na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) vindos de diferentes Estados do Brasil, como Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Seus professores de ciências e inglês e orientadores também vieram para a imersão, que ocorreu de 2 a 6 de setembro, no campus Cidade Universitária da USP, em São Paulo.

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As atividades práticas focaram nas habilidades em metodologia investigativa, empreendedorismo e inovação e comunicação científica, tudo isso integrado à melhoria na proficiência em língua inglesa. Ao final da imersão, eles apresentaram um pitch em inglês sobre seus projetos científicos.

Não faz sentido trabalhar em campos divididos, como ciências e inglês. É mais importante trabalhar de maneira integrada porque é assim que o mundo funciona”, explica adida para Assuntos de Educação e Cultura da embaixada, Joëlle Uzarski. Ela conta que os alunos melhoraram muito em pouco tempo e que é muito provável que o programa seja repetido.  

A professora Roseli de Deus Lopes, coordenadora da Febrace e pesquisadora do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Poli, reforça a importância do inglês na carreira científica. “A literatura internacional para trabalhar na área de ciência e tecnologia está escrita em inglês. Se os estudantes só utilizarem textos em língua portuguesa, ficarão em um universo muito restrito.”

Além do STEM & English Immersion, conta Roseli, também existe o programa STEM TechCamp, voltado ao desenvolvimento de professores que estimulam os jovens da educação básica. 

“A experiência tem que ser trocada”

Ana Beatriz Maluf e Mércia Nascimento de Souza são estudantes do 9º ano da Escola Estadual Professora Leila Mara Avelino, da cidade de Sumaré, em São Paulo. O projeto que as trouxe até o programa é da área das ciências humanas. “Decidimos analisar se a mudança estética das meninas estava relacionada ao racismo, pois mesmo em uma escola com maioria de estudantes negros, as piadas envolvendo o cabelo crespo são recorrentes”, explica a orientadora delas, a professora de História Eliana Cristo de Oliveira.

O projeto Cabelo, Autoestima e Construção da Identidade da Menina Negra no Ensino Fundamental II começou com um pequeno questionário: quem já havia sofrido algum tipo de piada envolvendo os cabelos; quem já havia praticado e quem já havia presenciado. Segundo a professora, ao tabular os dados, a questão do racismo dentro da escola ficou evidente. 

Da esquerda para a direita: professor André Luis Bibo (Inglês); estudantes Mércia Nascimento e Ana Maluf; professora Eliana Oliveira (História) – Foto: Juliana LePick

 

Os resultados geraram outras ações, como a criação do coletivo Naturalmente Cacheado. Os próximos passos são desenvolver questões ligadas à representatividade. “Quando olho para a academia, para o mercado de trabalho, para os postos de segurança e gestão, as mulheres negras estão lá? Se somos 54% de negros neste País, por que não existe representatividade nessa proporção?”, questiona Eliana. 

Unir a temática trabalhada com a língua inglesa, por sua vez, gerou outras grandes descobertas. Para a professora,“aprender inglês vai facilitar a comunicação, não só na nossa comunidade, mas no mundo inteiro. Quando pensamos em ciência, a experiência tem que ser trocada, e a língua inglesa faz isso.” 

A estudante Ana Beatriz Maluf, que participou da imersão, conta que se surpreendeu com a experiência. “São duas matérias que eu achava totalmente opostas. Depois dessa semana, vi que isso é diferente. Em todo o mundo há pessoas falando inglês e praticando ciência, então juntar essas duas coisas foi fantástico.” 

“No início, estava me sentindo um peixinho fora d’água, mas, quando comecei a entender as pessoas falando inglês, comecei a falar também. O inglês é muito importante na vida das pessoas, ele abre portas”, relata a estudante Mércia Nascimento de Souza.

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