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Jovens jornalistas ajudam na alfabetização midiática de estudantes em projeto da USP

Parceria da Escola de Comunicações e Artes com a Faculdade de Educação trabalha de maneira multidisciplinar projetos audiovisuais e de ensino para levar conhecimento sobre mídia e informação a alunos do ensino básico

 24/08/2021 - Publicado há 3 meses

Gabriela Schatz / Assessoria da ECA-USP

Atualmente, é quase impossível que uma pessoa navegue pela internet sem esbarrar vez ou outra em fake news. Ou melhor dizendo, um conteúdo falso. “Eu não uso o termo ‘notícia falsa’ porque se é notícia não pode ser falsa”, afirma a docente Mônica Nunes, do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e responsável pelo projeto Foca nas Mídias, que busca promover a alfabetização midiática de crianças e adolescentes.

A era digital veio para ficar e nesse mundo tão conectado é necessário que as pessoas aprendam, cada vez mais cedo, a se proteger da desinformação. Foi pensando nisso que o Foca nas Mídias se desenvolveu. Ele teve início no projeto Alfabetização Midiática e Produção Audiovisual na Escola Pública: Ensinar crianças e jovens a interpretar e a produzir informação, criado por Mônica e organizado em conjunto com a Faculdade de Educação (FE) da USP. O projeto foi aplicado com recursos oriundos do edital Empreendedorismo Social da USP de 2019.

A iniciativa é baseada no princípio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que afirma que a alfabetização midiática é um direito fundamental de todos. “Se você não tem recursos para discernir o que é real e o que é falso, você é uma pessoa que vive em um mundo muito inseguro; a sua relação com o mundo é desigual”, diz Mônica.

Para explicar os danos causados pela desinformação crescente que ocupa as redes, a professora faz uma analogia com um jogo que ganhou fama entre os jovens em 2020. “Eu digo que a desinformação é como um impostor daquele jogo Among Us: ela está entre nós e você precisa ter recursos não só para identificá-la, mas também para miná-la.”

Canal Foca nas Mídias no Youtube tem materiais audovisuais educativos - Foto: Reprodução/Youtube

Essa comparação reforça a ideia principal do projeto: se aproximar dos jovens utilizando a mesma linguagem deles. Por isso os conteúdos desenvolvidos são focados no audiovisual, com vídeos para o YouTube e, futuramente, para o TikTok, além de produções para o Instagram e para o site. Dessa forma, as redes sociais passam a funcionar como ferramentas de ensino e de combate a conteúdos duvidosos e seus usuários se tornam replicadores de conhecimento.

O projeto acaba de ser pré-selecionado no edital Inclusão Social e Diversidade na USP. Se aprovado, terá, além dos seis bolsistas atuais, mais sete bolsas a ofertar, e vai ampliar sua atuação em mais uma escola pública. “Estamos direcionando nossas atividades para as escolas públicas porque entendemos que é um grupo com um número maior de alunos e que, talvez, não tenham contato com esse assunto em sua trajetória”, explica Mônica.

Um projeto multidisciplinar

O Foca nas Mídias é dividido em três vertentes principais: os projetos audiovisuais e de ensino e o projeto Escola de Aplicação (EA), realizado em parceria com docentes da Faculdade de Educação.

Os projetos audiovisuais são desenvolvidos pelos bolsistas PUB da graduação e pós-graduação e por estudantes de Jornalismo e Educomunicação da ECA. Segundo Mônica, o desenvolvimento de oficinas na Escola de Aplicação abriu a possibilidade para a criação de material em conjunto com as disciplinas oferecidas por professores colaboradores do programa. “Nós percebemos que era possível trazer esse conhecimento para as disciplinas do curso de Jornalismo, afinal o jornalismo tem um papel fundamental no combate à desinformação.”

Os vídeos são divididos em séries temáticas: Armadilhas das Redes são vídeos mais curtos, que ensinam como se proteger contra conteúdos suspeitos; os Projetos em Televisão são formados por séries mais longas, como ‘Notícia Falsa, Dinheiro Real’, ‘Parece, Mas Não É’ e ‘Zap Confirma’, com discussões atuais que estão sendo promovidas nesse cenário.

A série Jornalismo em Foco é mais recente e apresenta jovens jornalistas comentando suas rotinas na profissão. “Quando alguém conhece como algo é feito, essa pessoa tem mais recursos para avaliar quando entra em contato com aquilo. Se eu sei como uma notícia é feita, quando vou consumir qualquer conteúdo que parece notícia consigo avaliar melhor se aquilo é verdadeiro ou não”, diz Mônica.

Série Armadilhas das Redes com vídeo sobre cancelamento nas redes [Clique no player para ver] - Foto: Reprodução/Youtube

Essa produção é também um meio dos próprios estudantes expandirem suas experiências no universo acadêmico. “Eu me senti muito mais segura não só com relação às informações que compartilho, mas também como estudante, como uma pessoa que quer viver de pesquisa”, afirma Anastácia Ferreira, uma das bolsistas que tornou o projeto possível.

Os vídeos podem ser assistidos no canal do YouTube do Foca nas Mídias.

Projetos em Televisão

Jornalismo em Foco

A valorização dos projetos de extensão

Os projetos de extensão, realizados em parceria com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU), funcionam como instrumentos de democratização do conhecimento produzido na Universidade. E não seria diferente com o Foca nas Mídias, cujo objetivo principal é disseminar as boas práticas de comunicação e ajudar na divulgação de outros trabalhos sobre alfabetização midiática que estão sendo desenvolvidos pelo Brasil.

As oficinas produzidas para os estudantes da Escola de Aplicação (EA) tiveram parte de seu desenvolvimento atrapalhado pela pandemia, em 2020. Mas graças aos esforços de todos os professores, professoras e bolsistas envolvidos, os resultados foram animadores. Segundo Claudia Saraiva, docente de francês na EA e integrante do programa, um dos motivos do sucesso é a valorização que todos os colaboradores dão à extensão universitária.

Na escola, o projeto foi dividido em um curso de formação para docentes, focando no uso das mídias, e em oficinas de ensino para alunos e alunas. As crianças desenvolveram vídeos no formato TikTok, refletindo de maneira bem humorada e com linguagem jovem sobre os danos causados pela desinformação.

Para Claudia, “esse é um assunto urgente e importante não só para os adultos. Todos os alunos tinham histórias de golpes em WhatsApp, de fake news, de coisas que eles achavam que era de um jeito e na verdade eram produzidas de outro. Às vezes, nós, professores, ficamos pensando em coisas que são necessárias mas não têm relação direta com a vida do aluno, mas esse é um tema que para eles também se mostrou importante.”

Vera Marinelli, professora da FE e mais uma colaboradora do Foca nas Mídias, defende que “refletir sobre a elaboração de vídeos no cotidiano escolar contribui para que esses adolescentes e jovens tenham um olhar crítico e atento para o que consomem” e se tornem, assim, replicadores de conhecimento.

Para saber mais sobre as atividades desenvolvidas pelo projeto, acesse o site do Foca nas Mídias. Siga também as redes sociais do projeto:  TikTok | Instagram | Youtube

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