Descubra por que estudar Engenharia Elétrica na USP em São Carlos

Histórias de aluno e formados no local mostram as possibilidades profissionais para quem escolhe o curso

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Bruno já passou diversas noites trabalhando na montagem do veículo – Foto: Henrique Fontes/SEL

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Desde criança, ele preferia deixar o futebol com os amigos em segundo plano para brincar de outra coisa: soldar equipamentos. Bruno Moreira, aluno do curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Sistemas de Energia e Automação, na USP em São Carlos, viu sua paixão pela área nascer dentro da família. Neto de técnico em eletrônica, o jovem vivia desmontando aparelhos e soldando capacitores na oficina de seu avô. “Eu mais bagunçava do que ajudava, mas era bem divertido”, relata o estudante nascido em Uberaba, Minas Gerais, e que carrega até hoje a experiência obtida na infância.

“Entrei na faculdade com algumas noções básicas de eletrônica, fazendo pequenos circuitos, lendo componentes e sabendo o nome das peças, foi algo que me ajudou muito. No primeiro semestre, quando precisávamos elaborar um projeto, tinha dificuldades com as equações matemáticas, mas sabia como fazer um aparelho funcionar”, conta o jovem que está no quarto ano do curso oferecido pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

Paixão do estudante pela Engenharia Elétrica nasceu dentro da família – Foto: Henrique Fontes/SEL

“Para mim, a engenharia elétrica é uma mágica, pois com apenas alguns materiais específicos conseguimos construir algo que há 200 anos pareceria bruxaria. Você já parou para pensar que, com o celular, um pedaço de metal que está no seu bolso, é possível acessar quase toda informação produzida pela humanidade?”, indaga o estudante.

Já na graduação, Bruno resolveu se aproximar de outra paixão: os carros. Ele sempre assistia com o pai às corridas de Fórmula 1 exibidas aos domingos na televisão e frequentava salões de automóveis. Quando chegou à EESC, descobriu o Tupã, grupo extracurricular que desenvolve carros elétricos de alto desempenho para disputa de competições. Confira aqui todos os grupos extracurriculares da EESC.

Além de aplicarem os conhecimentos adquiridos na Universidade como, por exemplo, conteúdos sobre motores elétricos, os jovens que participam do Tupã se relacionam com outros temas: “No grupo, eu também tenho contato com assuntos da mecânica e hoje eu já sei como é um amortecedor, uma carcaça de redutor, uma bucha, uma manga, isso amplia muito nosso horizonte”, afirma Bruno, que já foi diretor geral do Tupã. Além do cargo máximo da equipe, existem ainda dois diretores elétricos e outros dois mecânicos.

“A engenharia elétrica, assim como a mecânica e a civil, é muito tradicional, o que permite uma formação bem sólida no campo de exatas. Em função disso, nós vemos diversos estudantes saírem do curso com amplas possibilidades de atuação no mercado, às vezes, até mesmo em áreas que não são específicas da engenharia como, por exemplo, em um banco ou trabalhando com análise de risco”, explica Rogério Flauzino, coordenador dos cursos de Engenharia Elétrica e professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação (SEL) da EESC.

Bruno sempre assistia às corridas de Fórmula 1 com o pai aos domingos – Foto: Henrique Fontes/SEL

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Administrar um grupo extracurricular como o Tupã exige muita responsabilidade e comprometimento: “Nossa carga horária é grande e temos que aproveitar o máximo de tempo disponível. Trabalhamos até de madrugada e, quando sobra tempo livre entre as aulas, passamos na sede do grupo para arrumar um freio, tornear uma peça”, conta o estudante, que faria tudo novamente. “Acompanhar o carro sendo montado a cada dia me motiva muito. No começo, era só o chassi, depois chegou a suspensão, as rodas e o motor. Ver as pessoas felizes com o resultado é algo muito gratificante”, revela.

Mas não é só de mão na massa que vivem os integrantes da equipe. Bruno conta que evoluiu muito no aspecto de relacionamento humano, atuando na solução de problemas, negociando com empresas patrocinadoras e melhorando seu jogo de cintura para lidar com as mais diversas situações, atributos que considera muito importantes sob o ponto de vista de mercado. “Entre em um grupo extracurricular, pois aqui você não vai crescer apenas como técnico e engenheiro, mas também como pessoa”, aconselha o estudante.

Aluno é orgulho para o pai que sempre sonhou estudar engenharia elétrica – Imagem: Henrique Fontes/SEL

Para participar de grupos como o Tupã, é fundamental que o ensino na Universidade sirva de alicerce para a atuação dos jovens. “Nós temos professores referências no Brasil e no mundo, pessoas muito inteligentes, excelentes técnicos de laboratório, além de toda a infraestrutura”, elogia o aluno. Em São Carlos, são oferecidos dois cursos de Engenharia Elétrica: um com ênfase em eletrônica e outro em sistemas de energia e automação.

“O número de professores do curso é bastante expressivo e eles possuem uma formação bem diversificada. Além disso, a pós-graduação em Engenharia Elétrica possui nota máxima na avaliação da CAPES e os docentes que ministram aulas aos mestrandos e doutorandos são os mesmos da graduação”, explica Flausino. “No curso o aluno terá contato com áreas específicas como sistemas de controle, sistemas elétricos de potência, engenharia biomédica, processamento de imagens, sistemas inteligentes e sistemas digitais”, complementa o professor.

Já na parte final da graduação, o caminho escolhido por Bruno parece que não ficará marcado apenas em sua lembrança. “Meu pai nunca teve a oportunidade de fazer uma faculdade para cuidar da família e ele sempre sonhou em estudar Engenharia Elétrica. Hoje, sabendo que ele acompanha minha atuação no curso e me vê trabalhando numa área que ele também sempre quis, me motiva todo dia a seguir em frente.”

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Iluminando a vida das pessoas

Ele é gerente em uma das principais empresas de distribuição de energia elétrica do Estado de São Paulo, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Nascido em Campinas, São Paulo, cidade sede da instituição, Alex Almeida sonhava em chegar aonde está. “A CPFL sempre foi um objetivo profissional, talvez o maior de todos”, diz o ex-aluno do curso de Engenharia Elétrica – Ênfase em Sistemas de Energia e Automação.

Alex Almeida, ex-aluno de Engenharia Elétrica, é gerente do setor de Normas e Padrões da CPFL – Foto: Arquivo pessoal

Há 11 anos na empresa, o egresso é o responsável pelo setor de Engenharia de Normas e Padrões. “Minha área concentra a maior inteligência das engenharias, é o local onde os equipamentos são estudados, descobrimos como operá-los da melhor forma e entramos nos detalhes de como funciona o sistema elétrico”, explica o engenheiro que se graduou em 2007 na USP e fez parte da primeira turma a concluir o curso.

Influenciado pelo pai engenheiro civil a entrar no universo das engenharias, escolheu a elétrica por se tratar de uma área que lhe despertava muita curiosidade. “Ela é obscura, no bom sentido, pois se trata de algo que você não consegue enxergar”, afirma. Durante a graduação, além de sua preparação técnica, alguns pontos também foram fundamentais para sua formação como pessoa.

“Lembro-me muito das aulas do professor Carlos Goldenberg, em que ele colocava o engenheiro como agente ético e a engenharia como responsabilidade social. Dizia que poderíamos trabalhar em uma fábrica de cigarros, numa indústria armamentista e que nossa escolha poderia ter relação com nossa própria ética. Por isso, tenho orgulho da opção que fiz de trabalhar em um lugar que faz o bem”, revela.

A história de Almeida na CPFL começou ainda na faculdade. Ele foi o primeiro aluno de Engenharia Elétrica da EESC a estagiar na empresa. “Me esforcei muito para mostrar a imagem do aluno de São Carlos, o perfil interessante e competitivo que possuem os estudantes da Universidade. Hoje, é natural termos estagiários da USP aqui”, conta o engenheiro, que não se arrepende de ter se graduado na capital da tecnologia. “Não tenho dúvidas de que estudaria lá novamente. A qualidade de vida, as amizades e o ambiente acadêmico fazem com que nos sintamos em casa e resgatemos alguns conceitos de cidadania.”

“Uma das novas diretrizes da Engenharia Elétrica da EESC é que os alunos possam desenvolver projetos durante a graduação. Com a integração de duas ou mais disciplinas, o aprendizado é baseado na resolução de problemas apresentados ao estudante durante a aula, fazendo com que o jovem seja o agente ativo de seu próprio conhecimento e desenvolva habilidades necessárias para propor uma solução”, explica Flausino. Atualmente, uma das disciplinas que aplicam o método de ensino se chama Projeto Integrador em Eletrônica de Potência e Máquinas Elétricas.

“A qualidade de vida, as amizades e o ambiente acadêmico de São Carlos fazem com que nos sintamos em casa”, diz Almeida – Foto: Arquivo pessoal

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De estagiário no setor do planejamento do sistema elétrico, Alex Almeida passou por áreas da CPFL que lidam com qualidade de energia, manutenção e operação. Tudo isso antes de chegar ao atual cargo em que diariamente lida com as competências de um gerente, entre elas, a gestão de pessoas. “É um desafio muito grande. No meu setor, temos engenheiros muito experientes que já possuem opiniões formadas sobre engenharia, tecnologia e até sobre a vida. Posso dizer que aprendo muito com eles, mas meu grande dever é convencê-los a trabalhar dentro de uma linha estratégica da empresa”, conta o egresso.

Satisfeito com o caminho percorrido até agora, Almeida orgulha-se em fazer parte da rotina de milhares de pessoas. “É algo muito nobre você acordar pela manhã para trabalhar em um lugar que faz a diferença na qualidade de vida de tanta gente.”

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Empreendendo com a Engenharia Elétrica 

Foi na casa onde foi criado, no centro de São Carlos, que começou a história de empreendedorismo de Adilson Martins de Oliveira, mais conhecido como Jabu. O engenheiro elétrico formado em 1977 pela EESC, no curso com ênfase em Eletrônica, lembra do primeiro local de instalação de sua empresa. “Meu pai havia falecido e minha mãe não queria mais ficar onde morávamos. Foi então que resolvi assumir o espaço e abrir a Jabu na casa dos meus pais”, conta o empresário, que emprestou seu apelido ao nome da empresa.

Oliveira se formou em 1977 na EESC – Foto: Henrique Fontes/SEL

Hoje, 32 anos depois, a loja de materiais e instalações elétricas é uma das maiores referências do ramo na região e, além de São Carlos, possui sedes em Araraquara e Bauru. “Quando nós começamos a empresa, meu filho era pequeno, e hoje ele é o diretor da Jabu. Tem toda uma história de amor que a gente vai criando e com o tempo muitas pessoas passam a confiar em você”, revela o engenheiro.

No começo não foi fácil. Com a empresa ainda crescendo, Oliveira saía de casa logo cedo, por volta das seis, e voltava só tarde da noite. No entanto, ele nunca pensou em desistir e, após anos de esforço, o trabalho foi recompensado com a estrutura atual. “Acabamos investindo também em hidráulica, iluminação e presentes para aumentar nosso faturamento”, conta o empresário. A Jabu também realiza projetos e automação em empresas e residências.

Mas a trajetória profissional de Adilson Oliveira já havia começado antes de se tornar empresário. Logo após se formar na USP, foi contratado pela Villares, empresa extinta de Araraquara que produzia bens de capital, como locomotivas. Na companhia, o engenheiro atuou por oito anos na área de manutenção, em que era o responsável pela parte técnica e administrativa do setor. Mas nem o cargo de gerente impediu Oliveira de realizar o sonho de ter o próprio negócio e largou o emprego para investir em seu empreendimento.

Loja oferece materiais, instalações e projetos elétricos – Foto: Henrique Fontes/SEL

Mesmo com dificuldades financeiras na época e três filhos para criar, a persistência e a dedicação foram a receita de sucesso para, em 1986, a Jabu ser oficialmente inaugurada. “É uma realização ter meu próprio negócio numa área que me formei e ainda ter dois filhos engenheiros elétricos”, conta Oliveira, que também fez curso de Administração de Empresas enquanto estava em seu antigo trabalho. Hoje, o ex-aluno da EESC conta com milhares de clientes espalhados por diversas cidades do interior de São Paulo e até em outros Estados.

“O que mais me motiva a prosseguir no negócio é a alegria de ver a empresa que você criou sustentando cerca de 180 famílias. Isso faz com que, de certa forma, eu não seja mais o único proprietário, mas as pessoas que estão comigo também”, revela Jabu, que recebeu o apelido ainda na infância durante uma brincadeira entre amigos em um parquinho de São Carlos.

Jabu possui sedes em São Carlos, Araraquara e Bauru – Foto: Henrique Fontes/SEL

Oliveira ingressou na graduação em 1973 e os anos vividos na USP foram fundamentais para fazer sua empresa decolar. “Escola boa é aquela que te informa e a USP é assim. Tudo que eu precisei a Universidade me ofereceu e, se as pessoas não sabiam informar algo, me indicavam onde encontrar a solução. Ter me formado na EESC fez muita diferença”, diz o egresso.

No caminho do empreendedorismo há mais de 30 anos, Oliveira se orgulha de nunca ter atrasado salários e aproveita para dar conselhos e fazer um alerta aos jovens que pensam em investir no próprio negócio. “É preciso se atualizar, inovar e reinvestir o dinheiro na empresa, senão você fica para trás. O mercado é traiçoeiro e deve-se tomar cuidado, pois são muitas obrigações com clientes, fornecedores e governo”, explica o empresário.

Apesar da cautela necessária, Oliveira comemora a história que construiu e não se arrepende da carreira seguida: “Produzir, construir e colocar algo para funcionar é o que mais me encanta. Nós damos vida a um lugar e isso é muito gratificante”, revela. O resultado de tanto trabalho pode ser visto na confiança depositada pelos clientes: “Nós temos a aprovação deles. Quando os clientes chegam aqui, sentem-se bem atendidos, encontram um lugar confortável, um bom material e a um preço justo. Essa é uma de nossas grandes alegrias”, finaliza.

Henrique Fontes/ Assessoria do Departamento de Engenharia Elétrica e Computação da EESC

 

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