Cursos da USP: licenciatura valoriza a geodiversidade na escola

Geociências e Educação Ambiental forma educadores na área de ciências exatas sobre a dinâmica do planeta

Por - Editorias: Ingresso
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Prédio do Instituto de Geociências (IGc), onde é oferecido a LiGEA, fica no campus Cidade Universitária, em São Paulo – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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A Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental (LiGEA) é oferecida desde 2003 pelo Instituto de Geociências (IGc) da USP, localizado na campus da Cidade Universitária, em São Paulo. Com uma abordagem inédita, pois não existe outro do tipo no País, o curso foi criado para suprir a carência de uma visão diferenciada sobre a geodiversidade dentro da educação básica.

Por geodiversidade, entende-se a variedade de ambientes, fenômenos e processos geológicos do meio físico que dão origem às paisagens, rochas, minerais, águas, solos, fósseis e outros depósitos superficiais que abrigam a vida do planeta.

O licenciado em Geociências e Educação Ambiental tem formação básica em ciências exatas e conhecimento da dinâmica interna e externa do planeta Terra e da interação dessas dinâmicas com as atividades humanas. Além disso, ele utiliza esse conhecimento para atividades educacionais formais e não formais na área de meio ambiente, com ênfase nos recursos minerais, hídricos e energéticos, com o objetivo de formar cidadãos críticos e preparados para enfrentar os desafios ambientais na sociedade atual.

Para isso, os alunos cursam disciplinas como biologia, física, química, matemática e paleontologia, além da formação pedagógica oferecida pela Faculdade de Educação (FE) da USP.

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O dia a dia do curso

Um modo de envolver os futuros professores com as práticas de ensino é a realização de atividades práticas em sala de aula — experimentos que os alunos poderão aplicar ao trabalhar com crianças e jovens nas escolas. A ideia é construir conceitos partindo desde os elementos químicos que formam os minerais até chegar à decomposição das rochas e à intervenção humana neste espaço.

“Não conseguimos reproduzir tudo em laboratório, mas o mecanismo de como elas funcionam sim. Isso é importante para o aluno entender que a dinâmica terrestre é transformadora e o homem hoje está interferindo mais no ambiente do que os próprios processos naturais”, explica a professora Veridiana Martins, coordenadora da LiGEA.

Estudantes durante visita ao Museu de Geociências – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Um dos espaços para a prática de quem cursa a Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental é o Museu de Geociências do IGc, que possui um dos mais importantes acervos mineralógicos do País. São aproximadamente 45.000 amostras de minerais, minérios, gemas, rochas, espeleotemas, meteoritos e fósseis.

Ao longo do curso, aulas de campo levam os alunos a diferentes destinos para estudar locais como afloramentos de rochas, pedreiras, obras de engenharia e parques estaduais, como o Petar. O intuito das visitas é entender como aquele ambiente foi gerado, do que é formado e como as comunidades locais se relacionam com aquele meio — e que tipo de riscos ou benefícios isso pode oferecer a elas.
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É uma vivência para que os alunos tenham um olhar diferente, que envolva não só a diversidade de vegetação, mas também para entender como aquelas rochas foram geradas, quantos anos elas têm, como elas interagem com a própria paisagem e como definem a ocupação humana.
Professora Veridiana Martins, coordenadora do curso

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Além dos estágios pedagógicos, que são obrigatórios para a licenciatura, diversos projetos de extensão e de pesquisa também mantêm os alunos conectados com o mundo exterior à universidade.

Muitos se envolvem, por exemplo, com o inventário de patrimônios naturais ou construídos (edificações feitas pelo homem), ou com projetos em área de risco geológico, como o Armando o Barranco, ligado ao CEPED-USP (Centro de Estudos e Pesquisa sobre Desastres da USP). Há também jogos educativos produzidos por alunos, como foi a Praia de Geociências, uma tenda com oficinas no penúltimo Congresso Brasileiro de Geologia, lembra a vice-coordenadora do curso, Eliane Del Lama.

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Mercado de trabalho

Com base nesse conteúdo, os graduados podem ministrar aulas de ciência para o ensino fundamental II e de física para o ensino médio. Conforme a demanda, também estão aptos para dar aulas de biologia e geografia.

Vanessa Costa Mucivuna, doutoranda do IGc – Foto: Acervo Pessoal / Vanessa Costa Mucivuna

Para quem pretende ingressar na área de pesquisa, o Instituto de Geociências da USP oferece três programas de pós-graduação: Geoquímica e Geotectônica, Mineralogia e Petrologia, e Recursos Minerais e Hidrogeologia. Há também centros de pesquisa ligados ao IGc, como o CPGeo (Centro de Pesquisas Geocronológicas) e o CEPAS (Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas).

Hoje fazendo doutorado no IGc, a ex-aluna do curso Vanessa Mucivuna ingressou na licenciatura em 2008. Ela cursava Geografia em outra faculdade quando, por conta própria, descobriu a existência do curso no manual do vestibular da USP, organizado pela Fuvest. “Li a descrição, gostei e prestei.”

Depois de formada, Vanessa lamenta que a licenciatura, que é única no Brasil, sofra com a pouca divulgação. “Sou uma das pessoas que levantam a bandeira do curso sempre.” Um dos motivos é que a LiGEA, apesar de ser voltada para a formação de professores, também abre outras possibilidades de atuação.

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Além da sala de aula

Entre as possibilidades para quem faz o curso de Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental estão espaços não formais de ensino, como centros de educação ambiental dentro de empresas, museus e organizações não governamentais, além de consultorias ambientais, como apoio na elaboração de relatórios e projetos de ensino ligados a estudos de impactos ambientais.

Enquanto estava na graduação,Vanessa realizou um estágio no Planetário do Ibirapuera, oportunidade que foi possível porque o curso oferece disciplinas como astronomia e geofísica na grade curricular.

Também na graduação, foi a partir de um projeto de divulgação científica nas trilhas ecoturísticas do Parque Estadual de Ilhabela que a estudante pôde se envolver com a pesquisa. Em seguida, iniciou o mestrado na área de geoconservação e patrimônio geológico.

Apesar da ampla área de estudo possibilitada pelo curso, Vanessa reconhece que algumas pessoas, ao fazerem o vestibular, prestam mais atenção à parte de “educação ambiental” do que à de “geociências” no nome do curso, por isso a carga extensa de matérias de exatas pode se tornar frustrante.

Para evitar esse tipo de situação, uma decisão da coordenadoria do curso foi exigir apenas disciplinas de exatas na prova específica da segunda fase da Fuvest, uma forma de direcionar melhor os vestibulandos.

Os quatro anos de graduação são cursados no período noturno, com exceção das eventuais aulas de campo, marcadas para os finais de semana. Apesar de estar abrigado no IGc, as aulas do curso são oferecidas por professores de diversas instituições da USP, como a Faculdade de Educação e os Institutos de Física, Química e Matemática e Estatística.

Quer conhecer mais sobre o curso?

Acesse o site do IGc e saiba mais sobre o projeto pedagógico e a grade curricular da licenciatura. Também é possível acompanhar a página do Facebook criada e administrada pelos próprios alunos e participar da Semana de Meio Ambiente da LiGEA (Semageo), organizada anualmente pelos estudantes. Outro meio é consultar o e-book lançado em comemoração aos dez anos de criação do curso.

Formas de ingresso

Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental

Período: Noturno
Vagas: 40
Vagas via Fuvest: 28
Vagas via Sisu: 12

  • Vestibular organizado pela Fuvest: inscrição de 21 de agosto a 11 de setembro, neste site.
  • Sisu: as inscrições para seleção de 2018 ainda não foram abertas, mas acompanhe pelo site do MEC.

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